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“O melhor foi ter tirado o Náutico da clandestinidade”
21/Dez/2003
Entrevista feita pelo Jornal do Commercio com Eduardo Araújo, continuação...
O clube deve cerca de R$ 22 milhões. Quanto desta quantia vem de
questões trabalhistas?
Cerca de R$ 5,5 milhões, mas esse valor é progressivo. O bom é
que o clube negociou 45 ações e, atualmente, está tratando de vinte acordos.
E são quantas causas trabalhistas?
Cerca de 130, mas com um planejamento maior poderemos negociar
40, 50 acordos no próximo ano.
Como foi o acordo com a Justiça do Trabalho?
Ficou determinado que ela descontará vinte por cento de todas as
nossas receitas. Esse acordo não saiu do dia para a noite. Para se ter uma
idéia, as conversas começaram no dia 31 de janeiro e tudo só foi concretizado no
início de julho, graças à Justiça, que confiou na honestidade, na sinceridade e
na transparência dos três grandes do Estado. Com este acordo, os clubes puderam
exercer sua transparência, alavancar projetos e captar recursos, fazendo
parcerias com empresas públicas. Quem não se lembra da constante presença do
oficial de justiça nas portas dos clubes?, o que causou diversos
constrangimentos. Me lembro que certa vez, veio um oficial aqui na sede, e
tivemos que esconder uma quantia dentro do ar-condicionado, dissemos que não
tínhamos dinheiro e ele informou que iria levar o ar-condicionado para o nosso
desespero. Para não levar o dinheiro, dissemos que não seria possível o
presidente despachar no calor. Também já houve oportunidade de Náutico e Santa
Cruz depositarem uma cota da TV Globo na conta do Sport (que não estava
bloqueada). Muitos clubes de outros Estados têm me pedido uma cópia deste acordo
para eles negociarem. E o mais importante: não fizemos nenhum passivo
trabalhista nesta gestão. Além de estarmos honrando todos os acordos firmados
pelo clube. Por mês, pagamos cerca de R$ 27 mil ao FGTS (Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço) e ao Refis (programa da parcelamento de débitos do Governo
Federal).
O que o senhor apontaria como erros de sua gestão?
No futebol, vamos achar erro em tudo, porque o produto é focado
na emoção. Mas nossos erros não foram intencionais. Coloquei no início da
gestão, um profissional reconhecidamente competente para lidar com o futebol
(Adelson Wanderley) e até por falta de recursos e falta de sorte nas
contratações não logramos êxito neste projeto.
O senhor não acha que o departamento de futebol tem de ser
entregue a profissionais?
O futebol é tão diferente que a gente viu que quando um
colegiado é reduzido, funciona melhor. As pessoas são mais disponìveis e já têm
um jeito de lidar com cada jogador. Quem está por fora, acha que é fácil, mas é
muito difícil.
Agora o Náutico está unido e, aparentemente, pacificado. Como se
chegou ao consenso num clube marcado pelos ‘rachas’?
Acredito que o Náutico ainda não tem maturidade suficiente para
achar que um determinado grupo pode assumir, enquanto o outro assiste da
arquibancada. Por quê? Porque esse trabalho (de reestruturação) que começou com
André Campos ainda está no começo. Esse projeto demanda mais uns três anos.
Depois haverá condições de comportar uma disputa, o que, aliás, é benéfico.
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Eduardo Araújo

Foto: NauticoNET |