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“Torcida quer resultado”
01/Fev/2003
Entrevista feita por Leonardo Guerreiro com Zé Teodoro
O Náutico sofreu uma grande reformulação no seu elenco profissional de 2003 para
cá. Portanto, o técnico Zé Teodoro, 40 anos, tem enfrentado as dificuldades
naturais no período de formação de uma equipe, como por exemplo, a cobrança da
torcida que chegou a vaiá-lo e chamá-lo de burro. O antigo lateral-direito - que
marcou época no São Paulo - pede um pouco de paciência, ao torcedor alvirrubro.
Afinal, ele ainda não conta com todos os reforços solicitados à diretoria alvirrubra desde dezembro.
Você parou de jogar com que que idade?
Parei aos 33 anos, no Criciúma.
Você pode fazer um resumo da sua carreira, como jogador?
Eu comecei no Goiás, passei pelas seleções brasileiras juvenil, júnior e de
novos e profissionais, fui para o São Paulo, onde fiquei sete anos, então fui
para o Guarani, Fluminense, Bragantino, depois voltei ao Goiás, onde trabalhei
com o Hélio dos Anjos, fui para o Criciúma e parei.
Quer dizer que agora você, que foi jogador do Hélio, vai enfrentá-lo agora como treinador?
Olha, isso já aconteceu na Série A, quando estive no Juventude, e na Série B.
Agora, logo eu, que fui campeão e fiz um bom Campeonato Brasileiro como jogador
do Hélio dos Anjos, irei enfrentá-lo num clássico da semana que vem.
De que forma ter sido jogador pode de ajudar na carreira de técnico?
Eu sempre assimilei muito dos treinadores com os quais trabalhei, desde a época
do Barbatana, Dino Sani e Danilo Alvim, no Goiás, depois no São Paulo, Carlos
Alberto Silva, Pêpe, Cilinho, Telê Santana, Vanderley Luxemburgo, Givanildo,
Nelsinho. Disso tudo e nos vinte anos de convivência dentro do campo, além de
sempre ter exercido uma liderança e observado os trabalhos, logicamente, já
sentia que no futuro poderia contribuir na área.
O Náutico é o maior desafio da sua carreira até agora?
O Náutico é um time grande. Pela rivalidade daqui, talvez seja. Mas tive o
Campeonato Brasileiro, com o Juventude, o Campeonato Paulista e o Campeonato da
Série B, com o Paulista de Jundiaí, que também foram grandes desafios. O Náutico
é um dos grandes do Nordeste e tem uma cidade e uma torcida que vivem o clima do
futebol local. Sem dúvida, é um desafio importante para mim.
Você disse que o Náutico teria a sua cara dentro em breve. Está perto disso acontecer?
É difícil pois jogamos com chuva, muito barro e prevaleceu a força, a vontade e
a disposição e, às vezes, tecnicamente, cai muito. Além disso, houve uma
renovação e o tempo de trabalho foi muito curto. Sem contar que é muito cedo e
eu não tive o material humano todo à minha disposição. Aos poucos, os jogadores
irão se conhecendo e o meu trabalho irá fluir. Houve evolução, mas ainda estamos
muito longe do perfil que eu quero.
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Zé Teodoro

Foto: Márcia Mendes |