Esportes amadores têm um público muito fiel

Por: Ana Paula Santos e Márcia Costa, Diário- Foto: NauticoNET

Pernambucanos estão sempre prestigiando os eventos de futsal, vôlei e basquete

Estádio lotado, torcedores eufóricos e nervos à flor da pele. A cena pode até remetê-los à disputa de um grande clássico do futebol de campo, mas essa grande festa ocorreu durante a final do Campeonato Pernambucano de futsal adulto de 1981, envolvendo Sport e Santa Cruz, no Geraldão. Mais de 8 mil pessoas testemunharam o primeiro título estadual do Sport, que derrotou o tricolor por 2 x 1. Euforia semelhante viveu a platéia que acompanhou os jogos do Campeonato Brasileiro feminino de basquete, em 99, no Sport, e durante a disputa da Liga Nacional de vôlei, no final da década de 80, na quadra da AABB. Apesar das dificuldades na realização de eventos deste porte, o público pernambucano continua alimentando uma relação apaixonante com sua modalidade predileta.

Com o futsal sempre foi assim. A modalidade já revelou inúmeros atletas para o Brasil e Europa. E apesar dos times tradicionais, como Santa Cruz, Náutico e Sport, não estarem atravessando uma boa fase, o público continua prestigiando seu clube de coração. Na final do Estadual do ano passado, o ginásio Marcelino Lopes, com capacidade para 1.200 pessoas, tornou-se pequeno para acolher torcedores do Leão e da Universo, protagonistas da grande final. E para frustração da maioria dos espectadores presentes à Ilha do Retiro, o time universitário conquistou o troféu de campeão.

Um dos ingredientes da receita do sucesso de público, segundo o presidente da Federação Pernambucana de Futsal, Edson Nogueira, é a vasta programação que a entidade disponibiliza aos seus federados. "Somos a única federação amadora do Norte/Nordeste a ter competições de janeiro a janeiro. E isso ocorre em todas as categorias", orgulha-se.

Basquete - Não faz muito tempo que o basquete passou por um período de prestígio entre os pernambucanos. Em 1999 e 2000, uma equipe local - a Sport/Emulsão Scott - foi uma das que entraram na disputa pelo título de duas edições do Campeonato Brasileiro feminino da modalidade. A boa atuação das jogadoras da casa e a garantia de partidas de alto nível costumavam atrair um grande número de torcedores ao ginásio Marcelino Lopes, no Sport Club do Recife. A média de público para as partidas da Liga foi de 912 torcedores, de acordo com os registros do departamento de esporte amador do clube rubro-negro.

"A freqüência para esse tipo de competição sempre foi muito boa, provando que o público é muito interessado em outras modalidades esportivas, desde que haja qualidade na disputa", avalia o vice-presidente do departamento, Aloysio Monteiro. Cinco anos depois, os campeonatos regionais e estaduais, ainda segundo Aloysio, costumam atrair, por partida, cerca de 300 pessoas às arquibancadas do Marcelino Lopes.

Família - Consagrado pelas excepcionais atuações da seleção brasileira, tanto no feminino como no masculino, o vôlei é um dos esportes mais populares do País e também não deixa de atrair um bom público às quadras recifenses. Entretanto, algumas categorias, como a pré-mirim e a mirim (faixa etária entre 9 e 10 anos), chegam a levar mais pessoas para as arquibancadas que as categorias de jogadores adolescentes e adultos. De acordo com o atual presidente da Federação Pernambucana de Vôlei, Carlos Eduardo Brito, o motivo é simples: nessas categorias, as quadras são tomadas pelos familiares dos jovens atletas. "Na final do campeonato pré-mirim, em junho, tivemos um público de 500 pessoas. São avós, tios, pais que não deixam de acompanhar as partidas",.

No final da década de 80, o vôlei também teve seu momento de glória durante a disputa da Liga Feminina, na AABB . "Todo o evento foi um sucesso", lembra Fortunato Russo, na época presidente da Federação.