ÍDOLOS

Com a chegada de Adriano, Kuki passa a ter um forte concorrente no coração da torcida do Náutico

Por muito tempo, o que se ouvia nos Aflitos era que o Náutico estava carente de ídolos. Aquele jogador que a galera lotava o estádio para vê-lo e enchia o torcedor de orgulho. Nos últimos vinte anos talvez Bizu e Baiano cumpriram esse papel. Até que em 1999, o meia Adriano chegou ao clube. Atleta de muito carisma e boa habilidade com a bola nos pés, Adriano conquistou rapidamente o coração da carente torcida alvirrubra. Apesar do súbito amor e das várias alegrias juntos, o casamento durou pouco. O ídolo jogou apenas o Campeonato Pernambucano, devolveu o sorriso aos torcedores, mas não conseguiu dar um título ao Náutico.

No ano seguinte, Adriano envergava a camisa do arqui-rival Sport. Como diz o ditado popular: “a melhor maneira de esquecer um amor é com outro”. O Timbu amargou um ano de tristezas e decepções ao ver o seu ex-ídolo carimbar a faixa de campeão pernambucano pelo rubro-negro. Mas, em 2001, um novo amor bateu à porta do coração alvirrubro. O namoro começou um tanto desconfiado, como se os torcedores estivessem com medo de uma nova decepção amorosa. Mas, o sentimento falou mais forte e os gols iam se multiplicando ao mesmo tempo da empatia entre as partes. Pronto, um novo ídolo surgiu nos Aflitos: Kuki. Melhor que isso. O novo herói alvirrubro retribuiu o carinho com um bicampeonato.

Mas, o improvável aconteceu: o velho amor pediu para voltar e o clube recebeu Adriano de abraços abertos. E, agora, existe espaço no coração alvirrubro para os dois ídolos? Se levarmos em conta as declarações dos torcedores, da diretoria e também dos próprios atletas envolvidos, sim. “Se no Real Madrid tem espaço para 15 ídolos porque aqui no Náutico não vai ter para dois”, afirmou, dando uma sonora gargalhada o artilheiro Kuki. “Isso é besteira. É claro que as coisas irão dar certo entre eu e Adriano. O mais importante aqui é o Náutico”, confessou.

O outro lado pensa da mesma forma. Logo quando chegou, em uma entrevista coletiva no auditório do clube, a reportagem do DIARIO indagouAdriano sobre o assunto. “O coração do torcedor alvirrubro é do Náutico. Não deste ou daquele jogador. Um dia pode ser meu, no outro do Kuki e ainda de vários jogadores. O Náutico é grande e quanto mais ídolos e jogadores qualificados tiver no elenco melhor”, avaliou.

CONVIVÊNCIA – Há uma semana treinando juntos nenhuma das especulações sobre atritos de vaidade entre os dois surgiu nos Aflitos. Muito pelo contrário. Kuki e Adriano estão se dando muito bem. Tudo bem que ainda está muito cedo para qualquer situação parecida, mas, pelo andar da carruagem, os dois jogadores têm tudo para formar uma dupla bastante afinada dentro de campo. Ambos estão apostando nisso. Por enquanto, Adriano está apenas se recondicionando fisicamente. Sua estréia está prevista para o jogo com o Avaí, nos Aflitos, no próximo dia 28 de junho.

“Não conhecia Adriano pessoalmente. É um grande sujeito. Um jogador de uma qualidade técnica muito grande e vai ajudar muito o nosso time”, elogiou Kuki. Seu novo companheiro não deixou por menos. “Já tinha visto Kuki jogar algumas vezes, mas, desde que cheguei aqui ele vem me impressionando mais ainda. É um jogador de muita velocidade e com um senso de colocação muito grande”, rasgou a seda Adriano.

O fato é que com os dois juntos, o Náutico vai ganhar e muito em qualidade e poder ofensivo. Em 1999, Adriano fez 25 partidas com a camisa alvirrubra e marcou 20 gols. Esse ano, Kuki já balançou as redes 26 vezes e é o principal artilheiro do time. Se Adriano elevou a auto-estima dos alvirrubros no final da década de 90, Kuki devolveu a confiança e, melhor, o entusiasmo de vestir com orgulho as cores vermelha e branca. Sem dúvida, por isso, o Baixinho é o grande ídolo do clube.

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