A incômoda ascensão do Náutico

Por: José Gomes Neto

Um time que demonstra personalidade e espírito de grupo tem muito a acrescentar durante uma competição difícil, e equilibrada, como é o campeonato brasileiro da Série A 2009. Mais do que nunca, a campanha do Náutico está superando expectativas derrotistas de cronistas tendenciosos e surpreendendo até mesmo ao mais otimista torcedor alvirrubro. É lógico que ainda faltam 35 partidas, mas os sete pontos (em nove) conquistados até aqui foram com muita consistência e, por que não afirmar, com um futebol convincente.

A segunda colocação do Timbu no Brasileirão vem regada de méritos que não se pode, e nem se deve omitir. Futebol é momento e este é favorável ao Náutico. Não há como negar! Foram duas vitórias conquistadas, oito gols marcados, sendo sete deles na segunda parte dos jogos, e uma invencibilidade mantida. Depois, dos seis pontos disputados fora dos Aflitos, o Náutico somou quatro, inclusive marcando seis dos oito gols nos estádios adversários.

Diferentemente de algumas citações absurdas, a competição já começou e a comparação com a oscilante e fraca campanha do ano passado é uma evasiva tentativa de tirar o foco da realidade deste ano. O técnico Waldemar Lemos dará seqüência ao trabalho, fato este que não ocorreu com Roberto Fernandes em 2008. Com a sua ida para o Atlético do Paraná, chegaram aos Aflitos Leandro Machado e Pintado (atualmente na Ponte Preta, na Série B). Então torcedor trata-se de duas realidades distintas, não se deixe enganar!

Criticado por grande parte de cronistas esportivos de Pernambuco (?) sem o mínimo critério, Waldemar Lemos chegou a ser questionado até sobre o que faria na sua folga! Isso mesmo. Antes de mostrar serviço como treinador de futebol, ele foi julgado não pelo seu trabalho, mas pela falta de simpatia para com algumas beldades daqui da província que se acham donas da verdade e da razão do futebol pernambucano.

Pois bem, passada a turbulência da perda pelo Estadual, quando o treinador assumiu a equipe nos jogos finais (acho que as três últimas rodadas do returno), e a desclassificação nas oitavas de final da Copa do Brasil para o Internacional (que por sinal lidera o Brasileirão, e vai muito bem naquela competição de mata-mata), Waldemar Lemos agora conhece melhor o grupo de jogadores. Aliás, ele mostra a muita gente como se ganha um jogo dentro das quatro linhas, e não nas laudas, resenhas esportivas ou programas e transmissões televisivas.

O curioso é que parece que a campanha do Náutico está incomodando a muita gente. Daqui e do resto do País. O time não é o ideal e nem está pronto para brigar pelo título brasileiro, ou mesmo uma vaga para a Copa Libertadores. Mas dá muito bem para tentar uma vaga na Sul-americana de 2010. Não vejo nada fora do comum nas demais equipes que disputam a Primeirona, a exceção do Inter, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras, o resto é tudo igual…

O interessante é que não vejo ninguém questionar se o Internacional vai manter a regularidade e ganhar as outras 35 partidas, pois “ainda é cedo”; ou se o Corinthians terá o “futebol brilhante” de Ronaldo Nazário em todos os jogos; que tal quando o atacante Obina (ex-Flamengo) fará o seu primeiro gol com a camisa do Palmeiras? Ou então se aquele time que iria “conquistar o título da Libertadores”, e agora está na lanterna dos afogados, será o campeão do Brasileiro!

Critério é bom e tem que fazer parte de uma análise que se propõe séria, idônea, respeitável. Não ter medo de dizer o que pensa, ou de relatar um fato insofismável, deveria constar no cotidiano de quem é responsável por informar sobre este assunto. Opinar é ter um ponto de vista, baseado em fatos e não ficção. Se ainda é cedo para se ganhar, então daqui a poucas rodadas deve ficar tarde demais para quem só está perdendo o senso do ridículo e da realidade.

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