A mística do Caldeirão Alvirrubro

Por: José Gomes Neto

A mística do Caldeirão Alvirrubro voltou a fazer a diferença tão temida por parte dos adversários do Náutico quanto pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A convincente vitória, de virada, em cima do atual bicampeão brasileiro São Paulo por 2 a 1 – considerado por boa parte da crônica esportiva nacional como um dos favoritos ao título deste ano do Brasileirão 2008 -, era o divisor de águas que faltava. Não que a equipe comandada pelo treinador Leandro Machado esteja pronta, definida, isto é, sem correções e retoques a serem feitos ao longo da competição. Mas configura uma indiscutível evolução e um espírito de grupo importantes para o desdobramento de um longo campeonato a ser disputado.

Para quem duvida do poder de fogo do São Paulo, basta citar que há oito rodadas eles não sabiam o que era perder. O problema para Muricy Ramalho foi o de ter que enfrentar o Náutico onde ele é mais favorito do que em qualquer gramado Brasil afora. E ele sabia disso. Na sua 50ª partida com a camisa do Náutico, o zagueiro/lateral Everaldo ratificou esta condição, com um belo chute de fora da área desferido contra o pretenso Rogério Ceni. Achou a bola, Rogério? Calma Radamés, sei que você contribuiu e muito para este resultado. Não apenas belo gol oportunista, meio de cabeça, meio de ombro, enfim, mas pela regular atuação, ao longo dos 90 minutos.

Isso sem falar de todos que estiveram em campo, em mais uma importante batalha dos Aflitos. Mas o futebol é dinâmico e ingrato. Não há tempo para contemplação e ficar apreciando os méritos. A rodada seguinte é sempre a mais importante e ela já acontecerá neste domingo à noite, também no Eládio de Barros Carvalho.

Depois do papelão que foi aquela apresentação bisonha diante do Palmeiras, quando o time não jogou e apenas esperou as investidas do Porco, a segunda derrota consecutiva contra o líder Flamengo, no Maracanã (com quatro desfalques, sendo dois volantes e dois zagueiros), ao contrário do que parecia, deixou como lição a nítida possibilidade de se encarar os adversários de igual para igual. Sem aquele desnecessário complexo de inferioridade. Equipes tidas como grandes, de nome, também têm o seu dia de time pequeno. E o técnico do Fluminense, o pernóstico Renato Gaúcho, sabe muito bem do que estou falando. Basta ilustrar com três letras mágicas: L-D-U.

Depois de impedir que o torcedor do Náutico acompanhasse o seu time nos Aflitos por 39 dias, os membros do STJD enfim, caíram na real. Não há como querer empurrar para a zona de rebaixamento um time que está oscilando entre os seis melhores da competição, ao longo de dez rodadas. Se ainda é cedo? Não sei. Agora, se é cedo para o Náutico pensar alto então também é cedo para estarem apontando esta ou aquela equipe como favoritas ao título! Critério é critério e serve para os 20 clubes que estão na elite. Ou não?!

A torcida alvirrubra sabe que faz a diferença e os jogadores também. As dependências do Eládio de Barros Carvalho estiveram repletas de uma energia vibrante e apaixonada na gloriosa noite desta quarta-feira (9). O vermelho-e-branco prevaleceram, irradiantes, diante de um elenco qualificado como o da equipe paulistana, mas é preciso mais do que apenas um nome e um currículo estrelado para dobrar o Náutico no seu reduto. Até porque, nome por nome e o Clube Náutico Capibaribe ostenta o seu próprio, desde 7 de abril de 1901.

Quanto ao futebol competitivo, aplicado, voluntarioso que o Timbu apresentou, não apenas reabilitou o time na competição, mas mostrou que o grupo pode buscar algo além do que a simples figuração nesta temporada. Não interessa essa pecha de Libertadores ou Sul-americana. Queiram ou não, apenas cinco pontos separam o Náutico da liderança, que está com o Flamengo. Acreditar no potencial é o segredo para atingir metas tidas como impossíveis.

Mas, o que passou, passou e o técnico Leandro Machado não deve se deixar levar pelos louros da vitória. O momento é de trabalho e a próxima parada é o Clássico dos Clássicos. Novamente o palco será o Caldeirão Alvirrubro e é obrigação da torcida timbu lotar as suas dependências. Por sinal, este será o primeiro encontro entre os tradicionais rivais desde a principal conquista nacional dos rubro-negros, dentro das quatro linhas. Caberá ao Náutico manter a determinação e o espírito de luta diante do brioso adversário neste domingo (13). O ideal será somar mais três pontos e manter-se entre os primeiros colocados.

Se há favoritismo para um dos lados deste confronto quase centenário, acho que é do Sport. O meu argumento nem está dentro de campo, mas na esfera metafísica. Isso porque, se o atacante leonino Carlinhos Bala diz que conversa com Deus, num verdadeiro entrosamento astral, então é claro que eles detêm o favoritismo. Porém, isso não implica que o Náutico, na condição de simples mortal, invoque os seus deuses do futebol, e que seja prontamente atendido… É ir aos Aflitos e pagar para ver.

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