Antigos erros voltam à tona

Por: Frederico Lira

Dois jogos: 12 gols marcados, nenhum sofrido. Duas vitórias arrasadoras que, embora frente a adversários tecnicamente fracos, não deixaram margens quanto à evolução Timbu na temporada. Na última quarta-feira, em Caruaru, diante do Porto, era o momento de trazer mais três pontos e sacramentar a ascensão, certo? Não quando se trata do Náutico.

A partida no agreste trouxe à tona antigas deficiências que, passadas onze rodadas do estadual, mais duas da Copa do Brasil, persistem atormentando o torcedor alvirrubro. Na décima terceira exibição do elenco na temporada, ainda é possível detectar erros primários, infantis e inaceitáveis no inócuo sistema defensivo.

Some-se uma cabeça-de-área inoperante – que não marca nem ataca – a laterais igualmente ineficientes, cuja desobediência tática forma diversos “buracos” na retaguarda, e a uma defesa lenta e confusa: teremos um reflexo perfeito da atuação alvirrubra frente ao “gavião do agreste”. Absolutamente os mesmo erros da primeira rodada, em Santa Cruz do Capibaribe, contra o Ypiranga. Exatamente os mesmos desacertos que nos tiraram a chance de brigar pelo primeiro turno. Mais uma vez, largamos atrás de nossos rivais, e teremos apenas sete rodadas para desfazer o prejuízo.

Hélio dos Anjos – Na tarde dessa quinta-feira, a diretoria alvirrubra foi pega de surpresa com a notícia de que o técnico Hélio dos Anjos estaria se transferindo para o “mundo árabe”. Na verdade, nem tanta surpresa assim: Hélio já vinha negociando com um clube da Arábia Saudita há aproximadamente vinte dias. Ironicamente, quando o técnico optou por barrar Edinho dos relacionados para o jogo do último domingo, alegou que o lateral havia recebido proposta do Goiás, o que teria “mexido” com a sua cabeça. A pergunta que fica é: o mesmo não vale para Hélio?

O fato é que Hélio tem grande responsabilidade na situação do Náutico nessa temporada. A começar pelo motivo de que dispôs de grande autonomia no momento de indicar e contratar jogadores. Muitos dos atletas que treinam nos Aflitos, e que se observa que não têm a mínima condição de vestir o manto encarnado e branco, vieram com o seu aval. A insistência em jogadores pouco produtivos, a inflexibilidade no momento de mudar situações de jogo, a falta de um padrão tático definido – após dois meses de atividades – e a demora em processar mudanças são pecados capitais que pesam contra o trabalho de Hélio no ano de 2007. Acrescente-se o altíssimo custo de sua comissão técnica aos cofres alvirrubros – especula-se nos bastidores de Conselheiro Rosa e Silva que ultrapassava os cem mil reais – e veremos que o treinador mineiro sai em boa hora.

Foram oito vitórias em treze jogos disputados; cinco derrotas, dentre elas, adversários de pouca expressão, como Porto, Ypiranga e Vera Cruz. Um aproveitamento bem aquém da tradição do Náutico.

Hélio deixou seu nome marcado como o técnico que levou o Timbu a um histórico acesso, após doze anos de Série B – e devemos ser eternamente gratos por isso. Ocorre que, convenhamos, 2007 não tem sido, até agora, bom pra ninguém nos Aflitos.

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