As aparências enganam

Por: José Gomes Neto

“Parece cocaína, mas é só tristeza.” Este trecho inicial da letra da música Há tempos, da Legião Urbana, são as palavras que melhor expressam o meu sentimento em relação à campanha do Náutico. Em cinco partidas neste primeiro turno, o Timbu conseguiu somar sacrificados sete pontos, sendo quatro em casa (uma vitória e um empate), e três fora (uma vitória). Que algo está errado, isto está claro. Mas é preciso discernir o problema, antes que seja tarde demais.

Não falo apenas em termos do turno inicial do Pernambucano da Série A1 2008, mas da própria formação da equipe, e do grupo, para o decorrer desta temporada. Para quem não está lembrado, o Náutico fará a sua estréia na Copa do Brasil na quarta-feira depois do Carnaval, dia 13 de fevereiro, contra o Atlético Roraima, fora do Recife.

A oscilação que o time apresenta é fruto de um mau começo de trabalho. A pré-temporada não existiu e o reflexo desta desorganização já começa a aparecer nos gramados (aliás, este é um item que merece um capítulo à parte). Se desmontar um time e fazer outro, durante uma competição como essa já é desgastante, imagine quando as contratações demoram metade de um turno para serem regularizadas?

Ficar a procurar desculpas para justificar a falta de competência da equipe por não saber concluir as chances de gol que cria seria desnecessário. Porém, o problema que o Náutico apresenta, além da natural ansiedade que os resultados negativos proporcionam aos jogadores, leia-se pressão para todo lado, falta de entrosamento, ritmo de jogo e a ausência de tempo hábil para o treinador fazer o seu trabalho só podem acarretar nisso.

Apesar de que, em alguns casos, o próprio Roberto Fernandes andou provocando o insucesso do Timba, por meio de substituições equivocadas. Daquelas que não surtem o efeito desejado. A diretoria alvirrubra deve impedir que o time desande de vez e partir para as resoluções, pois ainda há tempo hábil. Os erros do ano passado não podem ser repetidos, sob a pena de se pagar um alto preço pela incompetência administrativa: campanhas medíocres e rebaixamentos.

Por outro lado, além dos adversários naturais (as equipes), existem outros que contribuem para uma visão nada confiável deste Pernambucano. A começar pelo espaço reservado à exibição dos atletas. Os péssimos gramados pelo interior afora, que mais parecem servir para a prática de vaquejada durante o resto do ano, são liberados na maior cara de pau pelos (ir) responsáveis da FPF.

Depois, todo mundo sabe, ou deveria saber, que jogar futebol sob as altas temperaturas do verão nordestino são inadequadas à prática de futebol profissional. Eu falo de futebol profissional. Para fechar a conta, entram em cena os patéticos árbitros locais. Sem o mínimo preparo técnico, disciplinar e até mesmo psicológico, eles conseguem despertar a ira até de quem não acompanha, e nem entende, de regras de futebol. Inaceitável!

Dois pesos e duas medidas – Quando, na quarta rodada, o diretor do Sport, Guilherme Beltrão, deu nome aos bois e ameaçou Emerson Sobral com represálias, tipo representação junto à tutora do futebol pernambucano, aí houve moderação por parte de cronistas. Muitos dos segmentos não se sentiram à vontade para exercer o seu papel de formador de opinião. Houve até quem generalizasse um grito (ou rugido) puramente leonino.

No entanto, após o presidente do Náutico (Maurício Cardoso), diretores, técnico e jogadores alvirrubros reclamarem de arbitragem, aí houve uma reviravolta. “Descobriram” que o Náutico teve que jogar no campo de pelada do José Vareda, em Limoeiro, debaixo de um sol danado e contra o timinho do presidente da FPF.

É claro que, para agradar ao patrão, o apitador inventou um pênalti para os donos da casa e ainda expulsou o volante Ticão. Logo Ticão, que esperou cinco rodadas para poder estrear. Acho que, quem se achar lesado, deve sim reclamar os seus direitos. Afinal de contas, isso não é meramente “transferir responsabilidade”.

Se um time, ou especificamente um jogador, falha, em termos técnico ou disciplinar, e é punido por tal ato, então porque isentar um árbitro de pagar pelos erros que comete, e que não possui a mínima condição de apitar uma partida da Série A1 do Estadual? Basta de complacência com esses absurdos que essas arbitragens danosas têm causado ao próprio campeonato! Afinal, por enquanto, já reclamaram vários clubes: Sport, Petrolina, Ypiranga, Salgueiro, Náutico…

Como os próprios analistas dizem: “Não é escondendo os fatos que se chega à verdadeira conclusão”. Tenho dito.

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