Confiança e regularidade. É o Náutico no caminho da afirmação

Por: José Gomes Neto

Não poderia ser melhor. Ou melhor, até que poderia ser melhor, sim, a estréia do Náutico no segundo turno do Campeonato Pernambucano da Série A1 2007. Calma, torcedor alvirrubro. Não me refiro ao placar em si. O inédito 6 a 0 aplicado pelo Timba neste Estadual não deixa dúvidas quanto à superioridade do time da Rosa e Silva, que enguiçou a Máquina de Costura de Santa Cruz do Capibaribe e ocupa a liderança do returno, por causa do óbvio farto saldo de gols.

Mas as limitações que os laterais estão mostrando e ainda a falta de eficácia dos protetores da zaga são motivos suficientes para uma natural reflexão por parte do comando técnico do time. Para mim, esses ainda são os pontos falhos do Náutico, nesta temporada. Mas não é motivo de desespero, mais de treino, mais e mais, em busca da mudança de postura. Caso não dê resultado, que entre em cena a rotineira substituição que o futebol impõe àqueles que não produzem o necessário para permanecer como titulares numa equipe competitiva.

Por outro lado, o goleiro Gléguer vem se configurando como um paredão. Apesar de ser em competições diferentes, há dois jogos que a defesa não é vazada. Esse fato é inédito no Náutico, nesta temporada. Parece que este setor começa a ganhar terreno, e com qualidade. A dupla de zagueiros Índio e Alysson conquistou a confiança e a preferência do técnico Hélio dos Anjos, e também da torcida timbu.

Destaque-se as boas atuações dos defensores, em especial do artilheiro Índio, o guerreiro. Quando subiu para fazer o gol, no escanteio cobrado por Cristian, no final do primeiro tempo, ele cabeceou com boca e tudo para as redes de Romero. Firme e disciplinado, Índio é o novo xerife da zaga alvirrubra. Breno e Valença vão ter que treinar, e muito, para conseguir uma vaga a partir de agora. Melhor para o grupo.

Dos laterais, Escalona demora muito para entrar no jogo e já anda cansando a paciência dos torcedores. Eis a vantagem de acompanhar as partidas do Náutico das arquibancadas do Eládio de Barros Carvalho. A constatação in loco é facilmente detectável. Enquanto Sidny precisa voltar a pisar no gramado e esperar o tempo certo da bola, pois continua a correr mais do que a própria.

A crítica mais ferrenha está concentrada no setor de contenção. Não que Luciano não saiba desarmar, mas o sofrimento começa a partir da construção de jogada, quero dizer, quando ele tem que repor a bola em jogo. Walker tem disposição, mas é preciso apurar mais a parte técnica e desempenhar um futebol com maior qualidade, precisão e espírito competitivo.

No meio-de-campo, Cristian destoou um pouco e não obteve a mesma movimentação que apresentou diante do Parnahyba/PI, pela segunda partida da primeira rodada da Copa do Brasil. Pior para ele, pois Acosta mostrou o seu cartão de visita e deixou ótima impressão para todos, leia-se gregos e troianos.

Porém, do outro lado do campo, Marcel também só engrenou durante os 45 minutos finais. Fato que ocorreu identicamente com os atacantes Felipe e Kuki. A dupla está voltando ao ritmo da Série B do ano passado e isso é motivo de muitos gols que ainda vão fazer e alegria dos alvirrubros nos próximos jogos.

Quando o meia Beto Acosta foi chamado por Hélio dos Anjos para entrar em campo, parecia mais um gol do Náutico. A reação da torcida foi típica de quem já conhecia, e bem, o jogador uruguaio. A recíproca fora verdadeira. O resultado foi que a química estabelecida entre ele e a torcida timbu fora imediata. Passe preciso para o baixinho Kuki fazer o primeiro dele na partida. Em seguida, o próprio batismo com um golaço de letra para conquistar de vez a confiança da fabulosa e eletrizante torcida alvirrubra.

Para a segunda rodada do returno, na quarta-feira (7), não espero por nova goleada, dessa vez em cima do Porto, no Antônio Inácio, em Caruaru. Mas uma partida com regularidade e um futebol bem competitivo por parte do Náutico. Mais um resultado positivo e o objetivo do time estará cumprido. Sem maiores delongas ou burocracias desnecessárias, a título de placar.

Bastam mais três pontos para que a equipe de Conselheiro Rosa e Silva se mantenha no topo da tabela. Na perspectiva de conquistar uma vaga na decisão do Pernambucano de 2007. O tempo é curto, mas o entrosamento do time já pode ser considerado como razoável.

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