Em busca da auto-reabilitação

Por: José Gomes Neto

É interessante o que ocorreu com o time do Náutico nestas duas últimas rodadas do Brasilerão 2008. A equipe alvirrubra conseguiu o feito de reabilitar, de maneira consecutiva, dois times que não estavam bem na competição. Primeiro foi o arqui-rival Sport, em casa. Depois, a ex-combalida Portuguesa, no Canindé. A Lusa não sabia o era vitória há três jogos. Esta última com requintes de crueldade e futebol pastelão, pois o Timbu venceu por 2 a 0 nos 45 minutos iniciais. Reputo como imperdoável o que aconteceu na capital paulista. Basta observar que o desdobramento desta derrota foi flagroroso: o Náutico perdeu três posições na tabela, e ainda obtém um saldo negativo de dois gols.

O sinal de alerta já está mais do que aceso nos Aflitos e o novo técnico terá que pintar o sete para evitar o terceiro revés seguido, neste domingo (20), diante do Internacional. Aliás, o técnico Pintado assistiu ao “feito”, lá no Canindé, e após a lambança antecipou que muita coisa deve mudar. Eu diria que tem que mudar. O cofronto será interessante porque vale a disputa direta pelo oitavo, ou mesmo sétimo lugar. Eis o estímulo que não faltará aos atletas, além, claro, do fato de o Náutico estrear o seu terceiro treinador na temporada 2008.

Quanto ao torcedor… Bem, o fato de ter que apoiar incondicionalmente ao time, sempre, e no decorrer da competição, não há o que discutir. Porém, que fica difícil argumentar algo favorável e convencê-lo a comparecer em massa ao Caldeirão Alvirrubro. Infelizmente. Mas trata-se de um fato notório e não dá para encobrir o sol com peneira. Até porque quem tratou de afugentá-lo, de maneira grotesca, foi o próprio grupo de atletas. Os dois resultados negativos vieram como uma ducha de água gelada no ímpeto da torcida alvirrubra que, diga-se de passagem, tem mantido uma ótima média de presença nos jogos dos Aflitos, e também nos dois que foram realizados no Arruda.

Outro aspecto que pesou contra fora o fato de a equipe atuar sem laterais/alas, e às vezes até sem meio-campista competente, com capacidade e visão de jogo para articular jogadas, ligando a bola aos atacantes. Sem dúvida, isto dificultou muito o desempenho do Náutico. Todos os times passam por dificuldades no Brasilerão, até mesmo por reformulações inesperadas (e indesejadas) no elenco. Seja por razões técnicas ou financeiras. Mas isso não justifica o Alvirrubro deixar de somar pontos em dois jogos seguidos. Isso pesa, e muito, em termos de classificação geral.

A falta de regularidade preocupa não apenas à comissão técnica, jogadores e diretoria de futebol, mas também ao torcedor. Não é justo que o Náutico repita a sofrível campanha do ano passado, quando habitou a zona de rebaixamento em 21 das 38 rodadas. Até aqui são 12 partidas e o Timbu ocupa a nona posição, com 17 pontos. Mas é preciso ultrapassar os 25 pontos nos próximos sete jogos, justamente a quantidade que falta para se atingir a metade do campeonato.

Até lá, espero que o time tenha competência, vontade e espírito de grupo para encarar os adversários com a seriedade e profissionalismo necessários para estar na disputa de uma Série A. Não se admite que jogadores atuem como peladeiros e não tenham nenhum senso de compromisso com a causa, que é o Clube Náutico Capibaribe e a obrigação de uma campanha reparadora, em relação ao ano passado. Jogador de futebol profissional que não sabe conduzir a bola, driblar e apoiar não deveria nem entrar em campo. Mas, se foram contratados pela ilustre diretoria do clube, o problema não é só deles…

O treinador Pintado foi um bom jogador, mas agora não atua mais dentro das quatro linhas. Não deve se deixar empolgar como o faz o seu coleguinha de profissão, Renato Gaúcho, que ainda pensa que poderá a qualquer momento da partida alçar uma bola na área, chutar em gol ou cobrar um pênalti. Esta missão cabe apenas ao atleta que estivar em ação. Com garra, vontade e espírito de vencedor.

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