Entre dúvidas e certezas

Por: José Gomes Neto

A oscilação é uma marca que vai persistir, se não em todas, mas em grande parte das equipes que disputam o Brasileirão 2008. A prova disto é a ciranda promovida na tabela de classificação, após a realização de três rodadas. Por motivos ou questões diferentes, a alternância se torna inevitável. Tomando como referência o Náutico, o time pernambucano estreou na quinta colocação, assumiu a liderança na segunda rodada (aliás, como primeiro time nordestino a conquistá-la, na era dos pontos corridos) e agora está na quarta posição. A situação é boa, em termos de classificação, mas preocupa, e muito, quando o assunto é o futuro do clube na competição.

O fato de o Náutico não ter demonstrado um futebol auto-confiante, competitivo, diante de um Grêmio apenas esforçado, previsível e de muita pancadaria – que frequentemente é confundida e denominada por muito cronista como “raça” – deixou claro esta realidade. O time está em formação, mas a saída do técnico Roberto Fernandes é um obstáculo a mais que o grupo terá que superar. Ao menos até a partida diante do Botafogo. Este jogo marcará a estréia do novo comandante técnico do Alvirrubro: o ilustre desconhecido Leandro Machado.

Incóginto, este treinador precisará mais do que ousadia para levar adiante uma equipe cuja diretoria sinalizou como meta uma vaga na Sul-americana. E olhe que o Brasileirão está “apenas no começo”. Como gostam de afirmar, de maneira inocente, inúmeros coleguinhas pelo País afora. Não sou de avaliar pelo nome, mas é preciso um currículo para ficar com a vaga. Pelo menos onde existe critério é assim. Mas, como o futebol não é mesmo algo que funcione como o resto das coisas, vejamos no que vai dar.

Sobre o grupo, ou melhor, a produção do time em si, Leandro Machado terá muito trabalho pela frente. No sistema defensivo, a ausência de Vágner dispensa comentários. Mas a grande decepção ficou por conta do tanque Everaldo. Meu zagueiro, que vacilos foram aqueles, hein?! Fique esperto. No meio-de-campo, o meia Roger não deveria nem ter voltado de Porto Alegre. Improdutivo, ele ciscou muito e não produziu nada.

A visão pequena e limitada do futebol pernambucano, em especial do torcedor, não permite que um jogador da casa, como Helton, por exemplo, não tenha a chance de seqüência de partidas. Com mais ímpeto e nível técnico, ele entrou e mostrou ao experiente atleta do Internacional como é que se mostra serviço. Abre o olho comissão técnica e treinador Leandro, abre o olho!

No ataque, o centésimo jogo de Felipe com a camisa do Náutico foi marcado pela ausência de gols do artilheiro timbu. Não que tivesse faltado oportunidade. Nas raras vezes em que o goleiro gremista precisou trabalhar, justamente dos pés de Felipe surgiram as duas melhores chances do Alvirrubro. Paciência. O rapaz tem crédito e não foge à luta. Já Wellington preferiu entrar no clima sulista de querer brigar, mas não pela posse de bola, domínio e arremate em gol, mas em disputas ríspidas e inócuas.

Enfim, o Náutico ainda não tem uma cara, uma personalidade, leia-se padrão de jogo definido. E isso só será possível com o decorrer dos jogos, a maneira de trabalhar de Leandro Machado, a assimilação por parte dos atletas. Uma série de acontecimentos sincronizados. Sem ritmo de jogo e entrosamento não existe nenhuma equipe capaz de apresentar um futebol competitivo.

O fato é que o campeonato brasileiro está com muitas equipes em fase de consolidação. Quanto ao favoritismo, por enquanto, somar o máximo de pontos, quer dizer, a conquista dos resultados é o mais importante. Afinal de contas, numa competição de pontos corridos, ganhar em casa, pescar pontos (ou ponto) fora ainda é a melhor atitude.

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