Estamos indo de volta pra casa

Por: José Gomes Neto

O Náutico reconquistou o direito de voltar a mandar os seus jogos nos Aflitos. Aliás, de onde jamais deveria ter sido impedido de fazer o que está fazendo, e bem feito. Até aqui, e dentro das quatro linhas, o Timbu está incomodando, e muito, a muita gente pelo Brasil afora. O fato de o Alvirrubro permanecer entre os quatro primeiros colocados do Brasileirão 2008 não está agradando a quase ninguém pelas bandas do Sul-Sudeste. A exceção da sua torcida, e de alguns cronistas esportivos locais, são poucos os que admiram a boa campanha alvirrubra na Série A. Se ainda é o começo da competição, como afirmam alguns, melhor do que aquela agonia que fora na temporada anterior.

Com quatro vitórias em sete partidas (dois empates e apenas uma derrota), o Náutico

ocupa a quarta colocação da Primeira divisão do futebol nacional. Por sinal, o que há em comum entre as equipes que ocupam o G-4 é o fato de terem perdido apenas uma vez. Além destes, o São Paulo também só conheceu o revés em uma ocasião. Se o ataque não é o melhor, o time já balançou as redes por dez vezes, enquanto a defesa é uma das menos vazadas. Com cinco gols sofridos, o Timba tem o segundo melhor rendimento, ao lado do Vitória.

Este equilíbrio da equipe, que sofreu uma alteração no comando técnico após figurar como o primeiro clube nordestino a liderar a competição, desde 2003 – quando começou a era dos pontos corridos -, não se perdeu e a meada o manteve no topo. Veio a partida contra o Botafogo e, ao contrário de se enaltecer mais uma convincente vitória alvirrubra no Brasileirão, o destaque foi para o escarcéu provocado por um defensor botafoguense desequilibrado. Perdido com os inúmeros revezes que o seu clube proporciona, campeonato a campeonato.

Após o circo de horrores, a punição pela competência e qualidade técnica do Náutico, imposta de maneira sórdida, atroz, arbitrária por amadores donos da verdade. E o que é pior: donos da lei. Tiraram o mando de campo do Náutico e o fizeram atuar próximo ao Eládio de Barros Carvalho. Logo ali, no Arruda, a pouco mais de dois quilômetros da sua sede. Mesmo assim, foram conquistados quatro dos seis pontos disputados lá. Poderia ter sido melhor, mas nem tudo é perfeito, não é mesmo membros do STJD?

Entre prejuízos técnicos e financeiros contabilizados com a absurda interdição dos Aflitos, o Náutico se sobrepôs a todos os obstáculos produzidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e se manteve entre aqueles que ostentam a condição de classificação à Taça Libertadores, em 2009. Melhor resposta não poderia haver.

Agora, a manutenção de uma multa de R$ 30 mil é, no mínimo, falta de decoro e má fé. Se houve “problemas” identificados no estádio, os culpados por eles foram a Federação Pernambucana de Futebol e o Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco. Por quê o clube deve arcar com a pior parte deste episódio? Já não bastasse tirar o direito líquido e cristalino da sua torcida em prestigiar os jogos do Náutico no seu reduto, ainda massacraram o quanto puderam e tiraram o time da sua casa contra Vasco (cujo dono é Eurico Miranda) e do Atlético Mineiro. Mesmo assim, quatro pontos foram somados e o Timbu seguiu firme no seu propósito.

Ódios aplacados, temores abrandados, fica mais uma marcante experiência para que os erros não se repitam, por parte da diretoria de futebol e do próprio presidente do clube. No caso do atacante Felipe, que vou considerar como fato consumado, mais uma vez, um convincente resultado positivo deu lugar a especulações sobre dívidas, transferências e controvérsias entre cronistas, dirigentes, agente do atleta e veículos de desinformação.

Não posso aceitar que, a cada rodada, apareça um fato novo no clube. Não que o fato novo não possa acontecer, mas que ele seja calcado nos aspectos pertinentes à campanha do Náutico na competição, por exemplo. Nada de dívidas de quase dois anos, interesses repentinos de supostos clubes estrangeiros em jogadores do elenco sempre às vésperas de uma partida importante, e por aí vai…

É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer quaisquer escroques!

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