Futebol é bola na rede e haja chororô

Por: José Gomes Neto

O Náutico manteve a escrita em cima do Botafogo e goleou a equipe carioca por três gols de diferença. Assim como no Brasileirão do ano passado, o Timbu foi melhor do que o adversário, durante os 90 minutos, e somou mais três pontos nesta temporada. Vale ressaltar que desde a rodada inaugural o Clube Náutico Capibaribe oscila entre as quatro primeiras posições. Atualmente, o Timba está na terceira posição. Talvez esta seja a verdadeira razão, por conta da cortina de fumaça lançada pelo botafoguense Paulo Schmitt (procurador STJD e chorão), seja esta. Imagine se o Náutico tivesse o mesmo valor cota de transmissão que recebe o Botafogo…

Bom, a estréia do treinador Leandro Machado não poderia ser melhor. Bastante vibrante e participativo, ele joga junto com a equipe. Se antes havia dúvida sobre o seu desempenho profissional, agora é melhor mais critério para analisarmos o seu potencial nesta profissão. O fato é que o resultado dá a tranqüilidade necessária para que o trabalho do treinador seja tocado até a partida diante do Ipatinga, sábado (7), em Minas Gerais.

O futebol apresentado pelo Náutico se mostrou competitivo, determinado e experiente. A estréia do ala/meia Ruy deu outra perspectiva à equipe. Dos seus pés, surgiram os dois primeiros gols, em duas triangulações eficazes com Ticão e Geraldo, respectivamente, antes das finalizações precisas do atacante Felipe. Mérito ainda para o tanque Wellington, que voltou a balançar as redes e se mostrou um jogador operário, que contribui com o time o tempo todo.

Por sinal, Felipe conseguiu fazer uma pintura de gol, no começo do segundo tempo. Na diagonal da área, pelo lado esquerdo, ele recebeu passe de Geraldo, dominou a bola com o pé direito e arrematou um chute certeiro com o canhoto, sem deixar a pelota cair! Se a partida de número 100 dele, com a camisa do Náutico, passou em branco, a 101ª rendeu dois importantes gols, com destaque para o segundo. Aliás, lembra muito o gol que Felipe fez contra o Palmeiras, ano passado, no Palestra Itália.

No mais, o time soube tirar proveito do desequilíbrio emocional de um grupo de jogadores que não têm a mínima condição de reagir, dentro das quatro linhas, enquanto persistir esta teoria de coitadinho, levantada pelo seu presidente paranóico Bebeto de Freitas. Para mim, um ex-desportista e atual chorão profissional.

Não queria começar a coluna falando sobre os fatos extracampo. Até porque a “culpa” do Náutico foi de ter enfiado três gols neste combalido time carioca. Se ser eliminado da Copa do Brasil, e de ter perdido o título do estadual pela segunda vez consecutiva são motivos para fazer o que o zagueiro André Luiz fez, então não existe mais senso de profissionalismo neste País.

Para começo de conversa, o jogador não deveria ter se dirigido ao banco de reservas após a sua expulsão do campo de jogo. Não satisfeito com as reclamações ao pé do ouvido do árbitro paulista Luiz Semene até o momento da sua exclusão (mais uma vez este apitador prejudicou o Náutico aplicando cartões amarelos de forma aleatória, tentando fazer média com o time adversário), ele faz o sinal da cruz e depois mostra do que é capaz. Irritado, ele chutou uma bisnaga d’água postada na área técnica da sua equipe em direção às sociais do estádio. A ação indevida termina por atingir um torcedor, que teve os óculos quebrados. Antes de entrar no banco de reservas, André Luiz ainda fez gestos obscenos para os torcedores que estavam naquele setor.

Após este espetáculo grotesco, destemperado e patético, o atleta alvinegro foi convidado a se retirar do gramado. Foi aí que André Luiz vomitou toda a sua raiva acumulada por sucessivos fracassos da sua equipe em várias competições, seja Brasileiro, Carioca ou Copa do Brasil (falta incluir na lista a Sul-americana de 2008). Não deve ser fácil ter que engolir tanta gozação em tão pouco tempo. O Botafogo fora eliminado pelo Figueirense, nas semifinais da Copa do Brasil 2007; e pelo Corinthians, neste ano; ostenta dois fiascos diante do Flamengo, no campeonato local; e ainda obteve uma fraca campanha no Brasileirão 2007, quando era apontado pela crônica carioca como favorito ao título.

Querem criar um fato político e fazer um circo de horrores para tentar desestabilizar o Náutico. Por tabela, o futebol de Pernambuco. O pateticismo quase nacional chegou a um ponto que só nos resta sorrir! Os argumentos utilizados nos dão câimbras de tanta risada que provocam. Os pseudos jornalistas cariocas esquecem que, até dois anos antes, o Botafogo mandava os seus jogos no magnífico estádio de Caio Martins. Um poleiro adaptado para se jogar futebol profissional. Aquilo sim é estrutura para a elite do futebol brasileiro. (Sem comentários!)

Agora que eles detêm o Engenhão, que foi erguido com verba do governo federal para sediar “O Pan do Brasil”, querem arrotar a grandeza (relativa), que não possuem. Ora, meus senhores, deixem de hipocrisia! Os recentes episódios ocorridos no cenário nacional foram prontamente omitidos. Ou já se esqueceram de que a diretoria do Palmeiras mandou jogar pimenta nos vestiários do São Paulo, nas semifinas do Paulistão, hein? E quando São Januário caiu durante a final da Copa João Havelange, em 2000? E a na final do Brasileirão de 1992, entre Flamengo x Botafogo, no Rio Maravilha, quando parte da arquibancada superior do Maracanã caiu e matou alguns torcedores?

É preciso haver critério. Querer atribuir irregularidades ao Eládio de Barros Carvalho depois de dezenas de partidas oficiais da Confederação Brasileira de Futebol, ao longo destes cinco anos em que existe o Estatuto do Torcedor é não enxergar o óbvio: está duro ter que engolir o Náutico firme e forte na divisão principal do futebol brasileiro. Já não basta o que fizeram com Ruy? Quero saber qual será a punição deste aprendiz de jogador profissional, que fez o que fez. As imagens (não-editadas) mostram passo a passo o que ocorreu. Tentem ser imparciais. Vocês representam a lei, mas não são infalíveis.

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