Má jornada em Belém e Clássico das Emoções

Por: Frederico Lira

A derrota diante do Paysandu, na última quarta-feira, deixou, mais uma vez, clara a inconstância da equipe alvirrubra nessa temporada. A goleada por 6×0 frente à Cabense só enganou quem quis – assim como aquelas contra Ypiranga e Parnahyba. O Náutico continua apresentando um futebol irregular, sonolento e sem aplicação tática, especialmente no que se refere às partidas longe dos Aflitos.

Verdade que o gramado da Curuzu é absolutamente impróprio para a prática desportiva – e foi no mínimo imprudência dos órgãos competentes transferirem o jogo àquele local, quando o Pará conta com um dos melhores estádios do país, o Mangueirão – mas a apatia e a passividade dos jogadores são injustificáveis. Como se não bastasse, o técnico PC Gusmão contribuiu bastante para a má jornada em Belém. No melhor jargão futebolístico, PC “jogou contra o time”.

Tenho a idéia de que o grande técnico é aquele que extrai o máximo rendimento possível de seus jogadores; aquele que aproveita da melhor forma as características e potencialidades do elenco. PC, contudo, errou desde a escalação, passando por substituições equivocadas e completa desorganização tática.

Para compor um sistema defensivo que certamente seria bastante exigido no jogo aéreo, PC optou por deixar Escalona no banco. Tá certo que o chileno tem lá suas limitações técnicas, é um tanto lento e ainda está longe de render aquilo que se espera, mas é bastante útil na marcação e eficiente nas bolas alçadas à área. Creio que Escalona pode render um melhor futebol, fazendo as vezes de um terceiro zagueiro ou compondo o setor esquerdo de uma linha de quatro na zaga – como fazia no Grêmio. Um assustado Deleu, improvisado na posição e deixando muitos espaços, foi a opção do técnico – vá entender!

Soa até absurdo conceber Acosta, o mais lúcido jogador alvirrubro na partida, mesmo tendo atuado apenas um tempo, no banco de reservas. As opções táticas de escalá-lo eram várias: como um segundo atacante, próximo a Kuki; fazendo dupla na meia-cancha com Marcel, no lugar de um ineficiente Cristian; ou até mesmo jogando à França de Domenech, na Copa do Mundo, num 4-2-3-1, com liberdade de chegar ao ataque. De qualquer maneira, é fato que Beto Acosta, um jogador de toque refinado e ótimo controle de bola, não pode ficar de fora desse time. Para o ataque, porém, PC optou pelo garoto Jhon, que até parece ter algum potencial, mas sentiu o peso de uma partida de Copa do Brasil. Fábio Silva, um jogador de maior vigor físico, poderia ser mais útil num gramado que não permite o bom toque de bola.

Por fim, não posso deixar de lembrar de Muricy Ramalho, o qual considero o melhor treinador do Náutico nos últimos anos, quando diz que “futebol é feijão-com-arroz” – ou seja, não há sentido em improvisações desnecessárias. A dado momento do jogo, PC manteve as laterais ocupadas por dois jogadores improvisados: um volante na direita e um lateral-direito na esquerda. Por mais ridículo que possa parecer, às vezes o óbvio precisa ser dito. Esse é o caso.

Defendendo as cores encarnada e branca, desejo todo sucesso do mundo a PC Gusmão, mas, se quisermos quebrar esse incômodo jejum no Clássico das Emoções, domingo, indubitavelmente será necessária uma postura diferente daquela apresentada em Belém.

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