Marcelo Pitol

O imperdoável erro de Pitol

Por: Jornal do Comercio – Foto: NauticoNET

Na tarde da última quarta-feira, provavelmente no mesmo instante em que os 18 jogadores relacionados para a partida contra a Portuguesa ouviam a preleção do técnico Roberto Cavalo, em São Paulo, para a partida que disputariam horas depois contra a Portuguesa (vencida pelo Náutico por 2×1), o goleiro Marcelo Pitol, chegava para treinar nos Aflitos. Junto a ele, os demais 10 atletas não relacionados (entre eles jogadores se recuperando de contusão e pratas da casa).

O ambiente era desanimador. Nenhum diretor, nenhum torcedor. Da imprensa, só a reportagem do Jornal do Commercio. Com um semblante sério, Pitol se dirigia ao gramado. Detalhe, 48 horas antes ele era o arqueiro titular da equipe, mas foi afastado pelo treinador, que alegou “falta de confiança” para escalá-lo. Era o seu primeiro dia como terceiro goleiro do time.

O afastamento pegou Pitol de surpresa. Ele desmente a versão de que teria pedido para não viajar com a equipe por estar “inseguro”. “Estava confiante. Quando Cavalo me disse que eu não estava relacionado, fiquei surpreso. Mas ele é o chefe e tenho que respeitar a decisão”, afirmou o arqueiro, que reconhece:” Será muito difícil voltar a jogar na Série B”.

O fato é que o jogador nunca foi unanimidade nos Aflitos. Sua contratação, em julho, foi questionada pelo próprio Roberto Cavalo e pelo preparador de goleiros, Mauri. “Eu pedi a contratação de Flávio (terceiro goleiro do São Paulo), que jogou comigo no Avaí. As informações que recebi por parte do nosso preparador de goleiros (Mauri) são de que Pitol não é bom tecnicamente e também não tem um comportamento correto fora de campo”, disse Cavalo à época. Pitol veio com o aval do superintendente de futebol, Rubens Barbosa. “Mas vou cumpri o contrato até o fim”, assegura o goleiro.

“Deu uma tristeza muito grande quando soube disso. Cheguei a chorar, não dormia direito e pensei em voltar para o Rio Grande do Sul. Os diretores do Brasil de Pelotas (seu antigo clube) me ligaram pedindo para renovar comigo por dois anos. A diferença salarial, inclusive, era muito pequena. Mas eu vim para o Náutico pensando em crescer profissionalmente. Minha esposa também havia acabado de pedir transferência para trabalhar no Recife e me deu forças”, revelou o arqueiro, de 24 anos, e natural de São Leopoldo-RS. “Aos poucos fui provando que não era nada daquilo que falaram. Nunca fui da noite”.

No entanto, o drama de Pitol no Náutico estava longe de ter fim. Na estréia como titular, derrota por 4×0, em Manaus, contra o São Raimundo. “Fui um dos melhores em campo”, defende-se. Dois jogos depois, na derrota para o Gama (2×0), o momento que para o próprio Pitol foi o seu divisor de águas no Náutico.

“Depois que falhei naquele gol (levou o tento por debaixo das pernas) não podia mais errar, que já virava motivo de contestação. Erros sempre vão acontecer no futebol, com todos, não só com os goleiros”, alega.

Mesmo sem querer criar polêmica, Pitol dispara. “Sinceramente, acho que todo goleiro que chegar ao Náutico não vai poder falhar nos primeiros jogos. Se isso acontecer, ele vai ter dificuldades no clube”, diz, usando seu exemplo. “Do modo como fui afastado, ficou parecendo que fui o único culpado pela derrota para a Portuguesa”, avalia Pitol que tem consciência de que dificilmente terá seu contrato (a encerrar-se em novembro) renovado.
“Não me arrependo de ter vindo para o Náutico. As coisas que aconteceram comigo aqui levarei para o resto da vida, tanto as coisas boas quanto as ruins. Foram lições que aprendi”, encerra.

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