Mas em clássico não tem favorito

Por: José Gomes Neto

Falta de coragem, omissão ou não ter mesmo nada a acrescentar. Eis as opções que costumo observar quando o assunto é tomar partido e emitir um ponto de vista sobre determinada partida. Quando se vai jogar um clássico então, a postura estagnada de alguns cronistas que se sentem confortáveis, e em cima do muro, ao afirmar que “em clássico não existe favorito” é o argumento de sempre. Nada mais previsível do que o bordão esclerosado “clássico é clássico”. Tá e daí?!

O conceito é antigo e se tornou um jargão quase intransponível ao longo da história do futebol brasileiro. Quase. Mas se dizem que tabu nasceu para ser quebrado, conceito também foi elaborado para ser desconstruído. Nada dura para sempre, nem a eternidade!

O interessante é que esses mesmos reacionários se contradizem ao afirmar que “futebol é momento”. Ora, se assim o é, o melhor momento no Brasileirão 2007 é o do Náutico. Não há como esconder ou negar isso!

Nas quatro últimas rodadas, o Timbu empatou uma partida em casa contra o Inter (1 a 1), e ganhou as outras três, sendo duas fora do Recife e uma nos Aflitos: Paraná (2 a 4), Botafogo (4 a 1) e Goiás (0 a 3).

A franca evolução do Alvirrubro apresenta uma equipe que vem atuando com regularidade, entrosamento e futebol aplicado. A conquista de dez pontos, sendo nove consecutivos, é a prova inconteste de que o Náutico passa sim por um momento muito mais consistente do que o Sport. O arqui-rival perdeu na Ilha para o Fluminense (0 a 2), conseguiu empatar com o América em Natal (1 a 1) e ganhou do Paraná (3 a 1).

Se quiser avaliar pelo lado numérico, o Náutico marcou 11 gols nas últimas três rodadas e levou apenas três. Acosta já soma 14 gols (é vice-artilheiro isolado do Brasileirão) contra 11 de Carlinhos Bala. O ataque alvirrubro já balançou as redes adversárias por 41 vezes – uma a mais do que os rubro-negros. Mesmo assim, há quem queira observar por outro ângulo. Normal. Existem várias galáxias no universo e a Terra não é o único planeta a existir vida inteligente (?).

Porém, como o assunto é futebol, voltemos a realidade do campeonato brasileiro. Se o Náutico continua na zona de rebaixamento é porque a competição está numa fase muito competitiva. Imagine só. São três vitórias seguidas e o time ainda não conseguiu emergir. Mas o Náutico está fazendo a sua parte, e muito bem, por sinal! Com mais cinco vitórias (nos 12 jogos que restam) o Timba está garantido na elite, em 2008. Independente de opiniões, contrárias ou a favor.

O fato é que os times que brigam direto para não cair estão bem estruturados e com o coração na ponta da chuteira. Do Figueirense (11º) que tem 34 pontos, até o Náutico, 18º com 30, estão todos querendo se livrar da fogueira da Segundona. E olhe que estão no pacote Goiás (33 e dez vitórias), Flamengo (33 e oito), Corinthians (33 e oito), Atlético/MG (32 e nove), Atlético/PR (32 e oito) e Paraná (31 e oito). Somente o América está “classificado” para a Série B, em 2008. Restam três vagas e nove concorrentes diretos estão no páreo.

Aula de futebol – A suntuosa vitória do Náutico sobre o Goiás, a primeira no Serra Dourada, mostrou, mais uma vez, que o time está entrosado e com iniciativa para atingir o seu principal objetivo nessa competição: permanecer na Série A em 2008.

O primor de futebol apresentado pelo Náutico impressionou pelo ritmo de jogo imposto ao adversário. Com muita objetividade com a posse de bola, o Náutico soube explorar os erros e falhas de marcação do time esmeraldino no meio-de-campo – local onde o Timba ganhou o confronto.

Destaque para o conjunto da equipe, e do treinador Roberto Fernandes. Em termos individuais, prefiro não analisar. Isso porque desde o goleiro Eduardo, até os atacantes Marcelinho o time está coeso como manda o futebol. Claro que os meias Acosta e Geraldo estão desequilibrando, mas o Náutico é a união de todos em prol do clube.

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