O preço do amadorismo

Por: José Gomes Neto

O pior não é perder o clássico, mas a maneira bisonha como a derrota aconteceu. O Náutico não apenas reabilitou o arqui-rival Sport, mas também deixou transparecer ao seu torcedor que a equipe ainda não inspira a confiança desejada neste Brasileirão 2008. Quando todos pensavam que o time iria se firmar na competição com a conquista de mais três pontos, em busca do retorno ao G-4, eis que houve uma oscilação fora de propósito. Nem mesmo a força das dependências do Caldeirão Alvirrubro foi suficiente para evitar o revés no Clássico dos Clássicos.

Apesar do resultado negativo, o Timbu permanece na sexta colocação, com os mesmos 17 pontos, após 11 rodadas. Como reflexo imediato, e não poderia ser diferente, o ex-técnico Leandro Machado foi demitido pela diretoria. Aliás, ele não deveria nem ter vindo. E explico. Desde a sua contratação, na semana que precedeu a terceira rodada do campeonato brasileiro, fiquei desconfiado da sua competência para dirigir um clube na Série A. Até cheguei a dizer que era preciso tempo para que o treinador mostrasse que tinha competência para continuar à frente do comando técnico do Náutico.

Porém, o tempo, mais uma vez, mostrou-nos que este profissional precisa de mais experência para ser um técnico de time de primeira divisão. É fato de que ele é o menos culpado de toda esta papelada. Mas é preciso destacar, em letras garrafais, que ele fora contratado por uma diretoria que não poderia mais errar, a esta altura da temporada. O Náutico não fez um bom campeonato pernambucano, nem mesmo boa campanha na Copa do Brasil. Iniciou bem o Brasileiro, mas poderia estar entre os três primeiros. E não está por culpa de todos: treinador estagiário e jogadores de fraco nível técnico, em especial quando o assunto é bola na rede.

A rota de saída de Leandro Machado dos Aflitos apenas culminou com o que aconteceu no segundo tempo do jogo contra o time rubro-negro. Sacar Ticão da equipe e colocar o atacante Gilmar para tentar vencer a todo custo um jogo dentro de casa lhe rendeu a própria cabeça. No entanto, segundo declarações do próprio Machado, ele não se incomodava com a possibilidade de perder ou não o seu cargo (agora ex-cargo). Mas o desdobramento de um resultado negativo em um clássico local, marcado por quase um século de rivalidade, não é tido como uma conseqüência natural dos fatos. Talvez agora ele perceba (e aprenda) isso.

Acho que isso somente corrobora para que Leandro Machado seja taxado de inocente ao extremo, pois não sabe discernir sequer entre o que é, e o que significa uma tradicional rivalidade entre clubes centenários do futebol brasileiro. E olhe que o sujeito vem do Rio Grande do Sul, mas parece que não entende o que envolve um GRE-NAL, por exemplo, além da simples disputa futebolística. Lamentável…

Por outro lado, a sua ausência de ousadia e carência de um espírito vencedor o colocaram em xeque por duas ocasiões. A primeira, e mais gritante, foi a postura como ele chegou ao Palestra Itália para encarar um irregular Palmeiras. Covarde, sem saber o que queria de um jogo de futebol, ele forçou o Náutico a não jogar, e a não querer ganhar. A conseqüência foi a derrota por 2 a 0. Depois, na rodada seguinte, foi ao Maracanã enfrentar um Flamengo que, incentivado pela mídia carioca, e por tabela por grande parte da crônica nacional, está sendo apontado como um grande favorito ao título deste ano. Pressionado pela maneira acéfala que teve anteriormente, saiu para o jogo, mas não suportou o Urubu por 20 minuitos e transformou o time em carniça.

Nem mesmo a convincente vitória sobre o São Paulo, de virada, por 2 a 1, nos Aflitos, o fez recuperar a confiança. Pelo menos por parte dos torcedores e até mesmo, pasmem, de alguns atletas do grupo alvirrubro. Não falo pelo aspecto de que um ou outro jogador o tenha questionado sobre o esquema tático (?) utilizado naquela fatídica partida contra o Palmeiras, no intervalo daquele jogo. Isso não é novidade no futebol e, para quem acha que está descobrindo a pólvora, a Seleção Brasileira de 1970 foi campeã do mundo contestando o que Zagallo achava que fazia fora das quatro linhas, dentro de campo.

Após caçar a bruxa do treinador, espera-se que os maiores responsáveis pelo fiasco, ou seja, a diretoria de futebol do Clube Náutico Capibaribe, não cometa mais equívocos infantis. Não se admite que erros primários sejam reiteradas vezes cometidos como se aqueles senhores estivessem brincando de fazer futebol profissional. O Náutico está na elite do futebol nacional pela segunda temporada consecutiva. Brigar contra o rebaixamento ficou como lição, mas no ano passado. A meta deste ano é conquistar, no mínimo, uma vaga na Sul-americana. Não há mais espaço para amadorismos no clube.

Po favor: respeitem a torcida e dêem um respaldo digno, dentro de campo. Saber contratar faz parte do trabalho de vocês. Não é favor, é obrigação! Na hora de convocar o torcedor, vocês são os primeiros a correr para jornais, rádios e tevês e exigir a presença de todos. A gente não vê uma mobilização sequer por parte do setor de marketingo do clube (se é que existe um!), nenhuma campanha para o associado, e muito menos melhoria nas dependências do Eládio de Barros Carvalho. Em especial quando os jogos são realizados à tarde.

Façam uma auto-análise, tirem o rei da barriga e acima de tudo se planejem com profissionalismo e visão de mercado. Chega de entusiastas amadores no Náutico! Está na hora de reagir no Brasileirão e o momento é agora. Do jeito que está não dá para continuar! Queremos respeito, profissionalismo e time competitivo.

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