Outros 500

Não tem jeito. A cada edição do campeonato brasileiro, o Náutico nos proporciona maiores e inevitáveis emoções. O pior é que esta sensação fica mais intensa a cada temporada do Brasileirão, desde 2007, quando o Alvirrubro retornou à elite do futebol nacional. Mas o aspecto negativo é que a luta, infelizmente, é sempre para não cair de divisão. Sei que os problemas enfrentados pelo Timbu são imensos, alguns até mesmo dantescos, tanto dentro quanto fora de campo, porém, nada justifica a ausência de planejamento e de visão profissionalizada no centenário clube alvirrubro.

Não adianta o presidente executivo tentar argumentar que não “pôde se programar para 2009 porque ficou sem saber em qual divisão o Náutico iria disputar este ano, pois até a última rodada do campeonato de 2008 este fator era uma incógnita.” Ora, esta falácia não deveria ter mais espaço em pleno final da primeira década do século 21. A cara do futebol brasileiro precisa mudar. E a responsabilidade desta atitude cabe a quem comanda. É daí que se trará a total diferença.

Quando a atual gestão foi eleita, ou melhor, tomou posse em janeiro de 2008 (ocorreu apenas uma homologação via consenso, pois não houve eleição no clube em dezembro de 2007), não segredo que o tempo de mandato seria de dois anos, ou seja, para o biênio 2008/2009. A partir deste princípio básico é a atual gestão deveria fazer uma programação para os 24 meses de gestão. Não teve o que se esperar. Não precisava aguardar por uma definição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

E o que se viu este ano no Náutico superou toda uma expectativa negativa, recheada de incompetência e desmando administrativo no clube. Vários jogadores sem a mínima condição de atuar numa equipe de futebol profissional foram escandalosamente contratados, não renderam nada e ainda deixaram um legado de dívidas trabalhistas, além de futuros vácuos financeiros. É preciso repensar seriamente o biênio 2010/2011. Independentemente do que venha a acontecer com o time nesta edição da Série A.

Não gosto muito de tratar de assunto político-eleitoral de clube de futebol, mas a experiência mostra que os tempos são outros. Ou melhor, devem ser outros. Já não cabem mais conchavos de grupos que busquem benefícios próprios, mas é necessário haver um planejamento, uma plataforma de gestão onde fiquem claro os objetivos traçados por todos os departamentos autônomos e auto-gestores para que o clube funcione. A questão até parece óbvia, mas não é assim que se faz.

Outra analogia interessante é a de se dizer que “futebol não é ciência exata.” Concordo. A experiência adquirida ao longo de mais de duas décadas acompanhando a modalidade no Brasil e mundo afora me mostrou tal realidade. E não faltam exemplos concretos para ilustrar este imenso e controverso mundo da bola redonda.

Agora, por outro lado, o que pouca gente tem a dignidade de escancarar, é que sobram aproveitadores de plantão por aí. O maior exemplo, de um mau-exemplo, é a forma como é conduzido o futebol brasileiro. Desde as corrompidas federações estaduais até o antro maior no qual se tornou a CBF. O esdrúxulo saldo é o seguinte: conseguiram falir os clubes, mas vivem mergulhados em dinheiro. Explique, se conseguir, caro (a) leitor (a).

Estes órgãos público-privados são ocupados por sujeitos que se julgam donos da verdade, do futebol, e ainda têm tempo para serem proprietários vitalícios em seus cargos que são passados de pai para filhos, isto é, de parentes para parentes. De geração a geração. Um legado medieval, como as antepassadas capitanias hereditárias da época do Brasil Colonial. Nem parece que são outros 500.

Tenho dito.

Saudações alvirrubras!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


− 8 = 1

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>