Para sempre, Carlos Alberto

Por: José Gomes Neto

É incrível como as pessoas insistem em permanecer no poder. No caso específico do presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Carlos Alberto Oliveira, parece que ele não está satisfeito com os 12 anos à frente daquela entidade. Com o falacioso argumento de que Pernambuco poderá ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, alguns dos seus fiéis asseclas querem mantê-lo no cargo até lá.

O curioso é que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, ocupa o “trono” da entidade maior do futebol nacional desde 1989, ou seja, somente há 18 aninhos – ou quase duas décadas, se preferir -, sequer dirige a palavra a Carlos Alberto. Na sua visita aqui no Estado, ele tratou diretamente com o governador Eduardo Campos e com a prefeita de Olinda, Luciana Santos. Nem olhou para Carlos Alberto.

Como todos sabem, eles são brigados politicamente e nessa queda de braços, o futebol pernambucano levou a pior. O fato de Náutico e Sport estarem hoje na Primeira Divisão custou muito caro aos clubes recifenses. A mesma política de restrições que Ricardo Teixeira pratica por aí, Carlos Alberto imita por aqui.

Essa manobra só representa o que há de pior no que concerne ao pessoal que faz parte daquela FPF. Após muito tempo no poder, as pessoas perdem a noção de tempo, da ética, da dignidade, da oportunidade e da alternância de poder. Não existe argumento nenhum que justifique uma manobra dessa natureza!

São mais de dez anos à frente de uma entidade esportiva. Ninguém deveria tolerar mais tanta mesmice no futebol pernambucano. Mas parece que os dirigentes de clubes não apreendem, ou são atrelados a ele, de uma maneira ou de outra. Parabéns pelo que foi realizado com pujança, dedicação e competência. Mas a vida continua e a ditadura militar já encerrou o seu ciclo no Brasil.

Porém, fica aqui a grande pergunta que não quer calar: afinal de contas, na FPF o regime é presidencialista, continuísta ou monarquista absolutista?

Oxigenar é necessário em qualquer esfera da vida democrática. O cargo de presidente da FPF não pode ser vitalício e nem pertence a uma determinada família. A dinastia Oliveira impera absoluta naquela instituição desde 1984! É preciso haver uma mudança de paradigma urgente. Alegar uma Copa do Mundo para continuar é um descaramento sem tamanho.

E não é apenas Carlos Alberto quem pretende “morar” na FPF. Existem pessoas que o cercam e que também desejam ficar “mais um pouquinho” nas esferas do poder. Viva a democracia e a alternância de idéias, pensamentos, opiniões e de representantes diferentes!

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