Protesto, chuva e bicicleta

Por: José Gomes Neto

A sexta rodada do Brasileirão 2008 para o Náutico foi atípica. A começar pelo jogo, que fora realizado no Estádio do Arruda, por prévia imposição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) – mais conhecido como reduto de sádicos nazistas, antro de pseudo-juristas desportivos, mas que, na prática, não passam de anti-nordestinos facínoras e energúmenos. Uma vergonha digna da falta de seriedade e imparcialidade no quesito justiça desportiva. Depois dessa ação premeditada, não há dúvidas de que eles não suportam a idéia de ver o Náutico na elite do futebol nacional. Imagine então entre os quatro primeiros…

A chuva que assolou a cidade no sábado deixou o gramado mais apropriado para a prática de patinação na lama do que para futebol profissional. Para quem interditou os Aflitos por causa de um gramado “ruim”, fico pensando o que passa pela cabeça do agente da SS do Tribunal de Injustiça contra Nordestinos, Paulo Schimitt. Pelo menos a bicicleta de Wellington coroou a esforçada apresentação do Timbu, que, ao final dos 90 minutos, amargou um empate contra o bonde de São Januário – mais uma pobre equipe protegida pelo eixo do mal carioca.

Antes de qualquer coisa, quero demonstrar a minha satisfação pelo que fez a resistente torcida alvirrubra. Além de vários protestos com faixas e cartazes contra aquele antro do Rio de Janeiro, o ápice aconteceu durante a execução do hino nacional. Com uma vaia forte e uníssona, o público desprezou a falsa unidade e exorcizou o preconceito que se pratica contra nordestinos e, especificamente, quanto a Pernambuco.

Aliás, existe aí uma pendência histórica que precisa ser revista urgentemente pelos segmentos de antropologia e sociologia brasileiros. Os gritos de “Ah… É Pernambuco!” foram a contundente resposta contra o esquema ardiloso que utilizaram deliberadamente contra o Clube Náutico Capibaribe. Simplesmente por ter goleado um combalido timinho alvinegro. Que revanchismo babaca, hein?!

Mesmo assim, vale ressaltar que os quase 21 mil torcedores (do que foi computado) compuseram o terceiro maior público do País, nesta rodada. Se considerarmos que este total fora superado apenas pelos públicos de Flamengo x São Paulo (Maracanã) e Inter x chorões solitários (Beira-Rio), então não foi de todo tão mau assim. É preciso reconhecer e parabenizar o público!

Mesmo tendo comparecido em bom número, houve quem criticasse a quantidade de torcedores presente. Porém, por falta de empenho dos dirigentes timbus, que ao contrário da indignação ficaram “tranqüilos” com a tirania absurda que partiu do Rio de Janeiro, não conclamou o torcedor a invadir a casa coral para mostrar ao Brasil quem é, e do que é capaz, a torcida do Náutico.

Mas ainda a tempo de se redimirem e inflamar os torcedores para o jogo contra o Galo mineiro. No próximo domingo (22) haverá nova partida lá e precisamos superar esta marca. Não se admite menos do que 21 mil torcedores. Mesmo se tratando de domingo de festividades juninas, que é bastante comemorada aqui no Nordeste (alô procurador, que tal interditar as fogueiras e fogos de artifício?).

Por sinal, quero registrar aqui a falta de controle no acesso ao estádio do Santa Cruz. Como um gigante adormecido, abandonado, o Arrudão está praticamente em ruínas. Cadeiras cativas sujas, goteiras que parecem mais cachoeiras nas arquibancadas, enfim, um lamentável panorama de caos e falta de zelo. Dezenas, senão centenas de pessoas conseguiram entrar no sábado sem ter sido contabilizadas. Eu mesmo fui um desses. E olhe que tenho a carteira da ACDP (Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco). É muita desorganização no José do Rego Maciel.

Não há sinalizações de bilheterias e locais para a torcida do mandante e da visitante. É preciso pensar em termos de Série A! No sábado, vieram torcedores de João Pessoa, por exemplo, que ficaram sem saber como proceder. Isso não pode se repetir! Eles vêm de cidades do interior e também de outras vizinhas aqui do Estado. Não é como em dia de treino do dono daquela casa.

Quanto ao jogo em si, o preço por estar atuando fora do Eládio de Barros Carvalho, popularmente denominado Caldeirão Alvirrubro, pareceu-me bastante alto. O resultado não seria esse caso os jogadores tivessem jogado onde conhecem todos os atalhos para a vitória. A histórica estatística respalda esta afirmação. Em casa, o número de triunfos é sempre predominante.

Depois, o clube de regatas Eurico Miranda não tem a mínima condição de enfrentar o Náutico, de igual para igual. O ponto de equilíbrio deles foi justamente o apitador de Brasília: o mau-caráter Sérgio Carvalho. Não foi a primeira vez que aquele sujeitinho prejudicou o Timbu, nesta temporada. A anterior foi na partida contra o Atlético Mineiro, no jogo de ida pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2008, nos Aflitos. Pelo visto, também não será a última. Basta observar o gol vascaíno que surgiu de uma falha dupla: da defesa alvirrubra e de jogada perigosa do atacante cruzmaltino.

Quanto ao time comandado por Leandro Machado, muita fragilidade existe e não pode permanecer nos próximos confrontos. Nem o fato de poder repetir a formação da equipe por três vezes seguidas facilitou o seu trabalho. Não existem jogadas ensaiadas e houve poucos chutes a gol. Em especial de fora da área (e na direção da barra). A quantidade de chances desperdiçadas é ambígua, quer dizer: serve, mas não resolve. Até porque, de que adianta criar e não concluir?

Por outro lado, há um aspecto que chama muito a atenção e acredito ser bastante relevante: nas duas últimas rodadas, o ataque marcou somente um gol. É preciso mais vigor neste setor. Apesar dos oito gols na competição, esta média poderia ser melhor. E é justamente por isso que não gosto da ausência de opções para vazar as redes adversárias. Em compensação, a defesa está segura, pois até aqui foram apenas quatro tentos em seis partidas. Isso ocasiona um saldo razoável positivo de quatro gols.

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