Reflexão e reação

Por: José Gomes Neto

O que dizer de uma equipe que não teve a mínima calma e competência para fazer um gol e traduzir, dentro das quatro linhas, a indignação diante do anti-jogo praticado pelo adversário? Fica difícil, aliás, dificílimo defender o que vem acontecendo com o Náutico, desde os 36 minutos restantes da partida contra o Salgueiro. As sucessivas chances desperdiçadas de tentar buscar decidir o título em duas finais contra o Sport parecem ter desequilibrado emocionalmente membros da comissão técnica e jogadores alvirrubros.

Não se pode, e nem se deve, ficar atirando aleatoriamente em alvos imaginários na vã tentativa de acertar em uma desculpa evasiva para um fracasso contundente que fora a campanha do Timbu, que descambou na desclassificação precoce da equipe, no “Albertão 2008” (leia-se: Campeonato Pernambucano). Mas isso não é motivo para desespero e faz parte do que já era. A solução é reorganizar o planejamento e retomar as rédeas para esta temporada.

Até porque, mais uma vez, reitero: Estadual tem todo ano! Porém, HEXAS, continuam a ser exclusividade do Clube Náutico Capibaribe, há 40 anos! (1968 – o próprio; 1974 – que seria de um, e 2001 – que seria de outro). E os rivais sabem muito bem disso!

Pensar grande e com perspectiva de campanhas melhores é a meta de agora em diante. A começar pelas decisões contra o Atlético Mineiro, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2008, a partir da semana que vem. O técnico Roberto Fernandes tem que deixar a linha de argumentação e partir para uma ação reparadora na sua equipe, com urgência! Não entendo esta fase de transição como algo salutar para a saúde psicológica do grupo de jogadores.

Atletas com contrato a encerrar, outros a ponto de serem dispensados, alguns ainda de cabeça inchada com a eliminação do Pernambucano… Este clima não é o ideal para encarar um adversário difícil numa competição nacional. Toda a atenção deve ser voltada para este confronto. Além dos obstáculos naturais (dentro de campo, time contra time), os dirigentes do futebol do Náutico deveriam estar de olhos abertos para o extra-campo. Parece que nunca aprendem a lidar com este detalhe que é divisor de águas no ainda emporcalhado futebol brasileiro.

Nem o fator da cota de transmissão dos jogos do Náutico no Brasileirão 2008 obter um pequeno reajuste (R$ 5,5 milhões) deve ser encarado como “a conquista do ano”, e gerar um arrefecimento na diretoria. Pelo contrário. Que sirva de estímulo e funcione como mola propulsora para encaminhamentos inteligentes, de visão administrativa.

É hora de esfriar a cabeça e tomar decisões que poderão interferir de maneira positiva para o futuro do time, nos próximos sete meses. Os erros cometidos – mais uma vez – não podem voltar a acontecer. O momento pede experiência, serenidade, trabalho e dedicação de todos para uma resposta sólida, objetiva, e de resultado.

Não adianta jogar para a platéia. O Náutico precisa dar a resposta dentro de campo! Cadê a evolução da equipe? A partida que o time fez diante do Juventus, no início deste mês, simplesmente não se repetiu! Já se constatou que o grupo tem a qualidade necessária para encarar o Galo, e de ficar com uma vaga nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas parece que a confiança do torcedor anda abalada, sem muita convicção. Mas é apenas o time quem pode dar esta resposta e, com isso, resgatar a confiança perdida, por parte do torcedor.

Entrar no jogo psicológico do adversário foi o pior erro que o Náutico cometeu até aqui. Até porque, por mais anti-jogo que o Carcará tivesse praticado, não há desculpas que preencham o vazio provocado por um placar em branco, numa partida que teria que ser vencida a todo custo, principalmente para apaziguar o ego do torcedor alvirrubro.

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