Triste futebol pernambucano

Por: José Gomes Neto

As emoções previstas para este final de temporada para o Náutico atingiram um patamar acima das expectativas que fomentei, desde que começou esta edição do campeonato brasileiro da Primeira Divisão. Digo isso baseado no contexto do qual já havia opinado, antes mesmo deste estar em plena evidência. Basta verificar textos anteriores, quando afirmei que, mais uma vez, o Brasileirão 2009 seria de muita, mas muita emoção para os torcedores do Clube Náutico Capibaribe. E aí está a previsão sendo materializada a duas rodadas do final.

Não que esta “profetização” seja algo fora do comum, ou mesmo do tipo transcendental. Apenas mais uma temporada onde a falta de planejamento atrelada à incompetência dos dirigentes alvirrubros tenha chegado ao óbvio ululante. Porém, quero deixar claro que existe uma remota (porém real) possibilidade de permanência do time alvirrubro dentre os melhores do País. Claro que seria fantástico a manutenção do Timbu na elite nacional. O chato é não depender apenas do próprio esforço.

Por outro lado, fico a refletir sobre a dubiedade que este feito possa trazer, em termos de postura administrativa para o clube, no futuro. O legado da casualidade é o ponto crucial desta discussão que aqui estabeleço. Não adianta alguns energúmenos quererem insistir que não “há planejamento sem cota pré-determinada no futebol”. Ora, tal falácia não caberia numa lógica tão anti-lógica, como pode ser classificado o futebol. Em especial no Brasil, quando tudo é possível… Acima ou abaixo da lei, de regulamentos, da ética, enfim, de tudo e de todos!

É preciso haver mais seriedade e compromisso para com quem paga as contas no Náutico, O sócio é convocado a participar, os torcedores, os colaboradores, mas sem poder emitir opinião. Tem que aceitar goela abaixo todo tipo de negociata, incompetência, má fé e oportunismos de origens diversas e apenas gritar – melhor dizendo – apoiar o time de maneira cega, burra e conivente das arquibancadas. Será que é este mesmo o papel do torcedor de um clube de futebol?

Assim, creio eu, o momento é ideal para refletirem todos juntos: dirigentes atuais, futuros dirigentes do Náutico, torcedores, cronistas esportivos, donos de federação estadual, observadores e até não-terráqueos para que seja repensada toda esta fossa sem fim na qual se afunda o futebol pernambucano, de maneira generalizada.

A própria região Nordeste parou no tempo e no espaço, quando os seus famigerados dirigentes abriram mão do Campeonato do Nordeste, em 2003, gerando um legado futebol medíocre aos seus clubes, onde os seus torcedores locais assistem de maneira inoperante e subserviente aos times do eixo sul-sudeste roubarem os corações e mentes dos torcedores de futebol nordestinos.

Creio que há muito cretinismo e colaboracionismo por parte de pessoas que omitem a sua real responsabilidade neste processo. Mas que estão ganhando muito dinheiro fácil e pouco, ou nada, querem fazer para mudar este estado de coisas na qual sucumbe o resistente futebol pernambucano. O problema é saber até quando esta resistência irá perdurar. Mas isso só o tempo dirá…

Por hora, estaremos todos ao deus dará! Ou melhor, viveremos das migalhas que por ventura sobrarem para nossos clubes daqui da região semi-árida brasileira… Assim caminha o tortuoso futebol brasileiro…

Tenho dito.

Saudações alvirrubras!

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