Vantagem e quebra de tabu

Por: José Gomes Neto

O Náutico fez o seu dever de casa. Ganhou do Atlético Mineiro e agora irá defender a vantagem do empate para garantir a classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil 2008. Se o placar não foi o ideal, ao menos a equipe mostrou poder de superação ao virar o jogo para 3 a 1. O fato de não ter marcado o quarto gol acabou tendo um efeito negativo. Depois de muito resistir às investidas atleticanas, a equipe levou o segundo gol e deixou alguns atletas cabisbaixos, além de grande parte da torcida alvirrubra desconfiada.

Com um futebol aplicado e voluntarioso, o Náutico não reeditou a excelente partida que fez contra o Juventus/SP porque não chegou a tomar gol. No seu segundo jogo da competição, nos Aflitos, o time comandado por Roberto Fernandes voltou a empolgar a torcida e os destaques foram o goleiro Eduardo (com importantes defesas), o lateral Berg (com um golaço) e o atacante Felipe, o velho carrasco do Galo mineiro (com os dois primeiros gols).

Porém, como o futebol tem três resultados (ao menos previsível), o Timbu terá dois deles a seu favor. Particularmente, não vejo problemas em encarar o Galo, no Mineirão. Agora, não sou inocente e sei do que a arbitragem nociva será capaz para impedir que o Náutico elimine o time das Alterosas, no seu terreiro. Basta observar o que o mago de ruim Sérgio Carvalho, do Distrito Federal, aprontou por aqui no Caldeirão. Será que ele veio encomendado?

Cá entre nós: depois que aquele energúmeno acrescentou seis minutos, no segundo tempo, é que notei que o Náutico fora “garfado” naquela partida diante do Salgueiro, na penúltima rodada do hexagonal (no Albertão 2008, leia-se Campeonato Pernambucano). Aqueles oito minutos ficaram de graça frente ao antijogo praticado pelo time sertanejo.

Para aqueles que aderiram à teoria do apocalipse, vale lembrar que o Timba já esteve em situação pior, na mesma fase da Copa do Brasil 2007. Quando o timinho do Corinthians veio enfrentar o Náutico, eles colocaram 2 a 0, mas o houve luta e o Alvirrubro conseguiu empatar. Para o jogo da volta, o time pernambucano era tido previamente – e equivocadamente – como eliminado. Mas o Náutico não somatizou esta falácia (nacional e principalmente local) e calou a boca de toda uma nação, e ainda do resto da província recifense, ao meter 2 a 0 neles, no Pacaembu.

Mais fatos: ao término do jogo, o versátil lateral Ruy fez questão de mencionar que o Náutico havia ganhado o jogo contra o Atlético (aliás, quase ninguém falou sobre a quebra deste tabu, né!) e agora detém a vantagem. Outro lembrete enfático de Ruy foi o da sua frustrada experiência no ano passado, quando defendia o Figueirense. Na final da Copa do Brasil contra o Fluminense. No primeiro jogo, houve empate por 1 a 1, no Maracanã. Mas, no Orlando Scarpelli, o Figueira foi derrotado para o tricolor carioca por 1 a 0. Moral da história: valeu a pena ter conquistado um empate com gol fora de casa?

A exceção do Juventude/RS, que tem se caracterizado como um exímio reversor de causas perdidas neste temporada, não se pode deixar de acreditar na possibilidade de classificação do Náutico às quartas-de-final. Este é o meu argumento e eu acredito nesta condição. E por que não?!

Não existe lógica que dure muito tempo no mundo das quatro linhas. A experiência mostra e a vida ensina. A cada partida. A cada jogada. A cada gol. A cada vibração da torcida. A cada comentário sem critério da crônica esportiva. A cada visão de mundo. A cada adversário subestimado. A cada rotação e translação que a Terra executa. Depois, nem sempre a razão prevalece. Não é mesmo Galileu…

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