Rafael Rufino Novaes poderia ser nome de um administrador de empresas ou gastrônomo. Ele tem formação para exercer as duas profissões, mas tornou-se famoso pelo apelido de Ceará, atleta de hóquei, 24 anos e nome certo na seleção brasileira adulta. Apaixonados por essa modalidade costumavam assistir partidas de Ceará com a camisa do Sport. Mas agora Ceará joga pelo Náutico. A troca de clube surgiu de um convite e um desejo pessoal do atleta em buscar novos desafios na carreira. “Em 2008 o Náutico me convidou e não aceitei. No começo do ano houve um novo convite, mas o Sport cobriu a proposta. Agora, topei a ideia porque percebi a intenção do clube em crescer. Além disso, um novo desafio é sempre instigante para qualquer atleta”, justificou Ceará.
O currículo de Ceará explica o sonho de consumo dos clubes em contar com o defensor nas competições. Ceará foi campeão em todas as categorias. Do mirim ao adulto, ele coleciona troféus. Rafael Rufino começou no hóquei aos sete anos, no antigo Minho, equipe do Internacional que interrompeu as atividades em 2002. Aliás, foi na equipe do Ninho que Rafael passou a ser chamado de Ceará. Mesmo sendo pernambucano, o apelido tem uma explicação. “É que tinha muito garoto chamado Rafael no Minho e para diferenciar colocaram esse apelido em mim por causa do porte físico peculiar ao do cearense. Ninguém me conhece pelo nome, só pelo apelido”. Um ano após a saída do Minho, Ceará passou a defender o principal rival do Náutico. Em nove anos, Ceará perdeu as contas de quantos títulos conquistou, mas certamente não se esquece das três convocações para a seleção brasileira. “É uma emoção diferente. Defender o Brasil é muito legal. Pena que o hóquei brasileiro não esteja no mesmo nível de outros adversários fortes. O máximo que conseguimos foi um quarto lugar no mundial de 2009”, lembra.
Do atual elenco do Timbu, Ceará já jogou com os atacantes Léo Monteiro e Bananinha que chegou faz pouco tempo ao Náutico, além de Davi e o goleiro Rodrigo Selva. O campeonato pernambucano começa no próximo dia dois de julho e esta temporada vai ter a participação do time da Faculdade Maurício de Nassau. A inclusão de mais uma equipe no estadual só aumenta a motivação dos atletas. “Isso é uma prova de que a modalidade está crescendo. E isso é muito bom para gente. Espero que as pessoas entendam porque agora estou jogando pelo Náutico. Saí do Sport com a missão cumprida. A troca deve ser encarada com naturalidade, assim como acontece no futebol, quando jogador faz história em clubes rivais”, ponderou Ceará. Certamente a grande expectativa do hóquei alvirrubro gira em torno do brasileiro, previsto para outubro, em Sertãozinho, São Paulo. Ceará avisa logo que são os principais adversários. “Sport, Correias do Rio de Janeiro e atual campeão brasileiro e mais o time da casa e a Portuguesa. Mas o Náutico entra com certeza para brigar pelo título nacional”, aposta Ceará.
Por Simone Vilar/CNC
Foto: Simone Vilar