O DIA EM QUE A GENTILEZA GANHOU O JOGO

Por ROBERTO VIEIRA

Foram seis horas.

Duas horas e meia pra chegar na Arena Pernambuco.

Já no intervalo de jogo.

Lutando por um estacionamento de difícil acesso.

Em metrô mal sinalizado.

Ônibus lotado.

Obrigatório pra quem desejava chegar ao estádio.

E não estava no estacionamento VIP.

Cansado da luta.

Eis que me vejo diante do palco das emoções.

Um cenário vermelho e branco e verde.

E o velho torcedor renasce.

O jogo não é lá essas coisas.

O que esperar de um Náutico e Sporting sem craques?

Mas a torcida ganha o jogo.

A beleza da obra no meio do nada impressiona.

O grito de gol relembra o motivo de estar ali.

Essa loucura chamada futebol.

Hora de sair.

Fila bovina pra pegar o ônibus circular.

Ônibus lotado.

Metrô lotado.

Fila quilométrica de meia noite pra pagar o estacionamento.

Filhos e pai pensativos sobre a viabilidade de uma obra tão distante.

E com tanta dificuldade de acesso.

O que salvou a noite?

A imensa gentileza de todos que trabalharam na noite.

Policiais, agentes do metrô.

Fiscais, seguranças e até o coitado do rapaz que trabalhava no guichê do estacionamento.

Calmamente recebendo o dinheiro dos torcedores.

Na hora em que Cinderela perde o sapatinho.

Foi destas coisas que encantam.

Pois é.

A Arena Pernambuco ganhou o jogo na gentileza.

Gentileza que surpreende e marca gol.

Vamos torcer para a tal mobilidade aparecer.

Para que o Fitzcarraldo por estas bandas tenha um final feliz…

2 respostas a O DIA EM QUE A GENTILEZA GANHOU O JOGO

  1. Valfrido gerosino da silva filho disse:

    OU MELHORAM, OU FICAM ÀS MOSCAS.

  2. Valfrido gerosino da silva filho disse:

    MUUUIIITTOOOO BONITO! MAS………….

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