O adeus de DUQUE


Davi Ferreira, o Duque, era um mineiro de muitas histórias.
Zagueiro esquecido nas brumas do tempo.
Vestiu a camisa de Cruzeiro, Vasco da Gama e Fluminense sem comprometer.
Mas também não entrou para a antologia poética de nenhum deles.
De repente.
Duque comanda o Olaria no Carioca de 1962.
Quarto lugar.
Vai pro Vasco caindo aos pedaços.
É mandado embora após dezesseis relatórios ao clube.
Dezesseis relatórios para devolver a grandeza vascaína.
Exílio.
Chega desconfiado em Pernambuco.
Transforma o Náutico em semifinalista de várias taças Brasil.
Implementa uma surpresa na região.
O treino em dois períodos.
É acusado de doping.
Quando o doping repousava na classe de Nado, Bita, Ivan, suor.
Depois pega o trabalho do Mestre Gradim.
E bota fogo no Santa Cruz.
Famoso no Nordeste, quase o milagre?
Levando o Timão ao título do Brasileirão de 72 e 76.
Em 1972 havia uma virada do Botafogo pelo caminho.
Em 1976 havia o rolo compressor Colorado.
No meio do caminho, quebra o jejum do Sport no Pernambucano.
No meio do caminho comanda o Young Flu de 73.
Preparo físico ou mandingas.
Química ou física.
Duque foi até o fim um apaixonado pelo futebol.
Um dos últimos exemplares da bola que o tempo vai esquecendo.
Duque que deixava o catimbó rolar.
Duque amigo do pai Edu.
Duque que era tudo menos supersticioso.
1980.
Final de turno em Recife.
Duque treinava o Santa Cruz.
O Sport deixa um boneco de vudu todo espetado no banco de reservas tricolor.
Pior.
Um corcunda rubro negro entra em campo e se abraça ao treinador.
Duque sorri e abraça Quasimodo.
O Santa vence o Sport e o boneco alfinetado.
Davi Ferreira, o Duque, era um mineiro de muitas histórias.
Zagueiro esquecido nas brumas do tempo.
Técnico que o tempo não vai esquecer.

Por ROBERTO VIEIRA

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