Perto dos 100 jogos no Náutico, Jean Carlos analisa talento na bola parada

Perto dos 100 jogos no Náutico, Jean Carlos analisa talento na bola parada: “Trabalho e dom”
Chamado de “Mágico” pela torcida, meia vive melhor momento da carreira, eleito duas vezes como craque do mês da Série B e se destaca em fundamento que anda em baixa no futebol brasileiro

Jean Carlos vive momento especial. Chamado de “mágico” pela torcida do Náutico, ele tem a melhor média de gols da carreira, virou referência no clube e, diante do Vasco, no domingo, fará 100 jogos com a camisa alvirrubra – a primeira vez que alcança a marca expressiva por qualquer equipe na carreira.

Em entrevista ao ge, o “Mágico” revelou alguns de seus truques: como recuperou uma carreira que estava em baixa, como virou referência técnica no Náutico e como se tornou uma exceção, já que é especialista em um fundamento que anda em baixa no futebol brasileiro: a bola parada.

Ele também falou sobre a influência de Hélio dos Anjos em sua carreira e comentou a possibilidade do Timbu – um dos melhores times da Série B, na opinião dele – de subir para a Série A.

Bola parada

Num futebol brasileiro em que há cada vez menos especialistas em bolas paradas, Jean Carlos vai na contramão. Se é falta – perto ou longe da área – ou escanteio, nenhum outro jogador do Náutico encosta. Ali é com o camisa 10.

- Desde quando comecei, lá no Marília, fui muito fominha em relação a bola parada. Sempre quis tomar conta disso nos clubes que passei, não por soberba, mas por gostar mesmo. E porque decide jogo.

Decide mesmo. Jean Carlos, só na Série B, fez um gol de falta direta e deu seis assistências a partir de bolas paradas – são quase 20% dos gols que o Timbu fez na Série B (foram 38).

Jean revela que parte do truque é trabalhar específico, o que ele fez muito no começo da carreira – não tanto agora. A outra parte, segundo ele, não tem jeito: é nato.

“Tem o trabalho. Acho que 50% é trabalho, mas acredito que tem o dom, cada jogador nasce com uma característica, a minha sempre foi procurar finalizar, dar assistência. Bola parada eu gosto muito, porque decide jogo. Já decidiu vários jogos. É uma coisa que sempre me concentro muito. Para mim, um escanteio não é somente um escanteio. É uma grande chance de gols.”

Aos 31 min do 1º tempo – gol de falta de Jean Carlos do Náutico contra o Brasil-RS

Parceria com Vinícius

O grande parceiro de Jean no Náutico é Vinícius. Das seis assistências que o meia fez em bolas paradas, três foram para o companheiro. A conexão vem dando certo. O camisa 10 espera que continue dando. Não só com ele como com outros jogadores que costumam aparecer com perigo dentro da área, como os zagueiros do time.

- Vinícius tem feito bastante gols de bolas paradas. Um escanteio bem cobrado, se você tem jogadores que atacam bem a bola, como nós temos, a chance de gol é muito grande, porque a gente vem de frente. Essa parceria está sendo bacana, espero que ele possa decidir nos próximos jogos.

Peso de Hélio dos Anjos no Timbu

A parceria de Jean Carlos com Vinícius, por vezes, também aparece fora de campo. Aconteceu, por exemplo, quando o técnico Marcelo Chamusca foi demitido. Jean chamou seu amigo e comentou que o que o time precisava era da volta de Hélio dos Anjos, que havia pedido demissão seis partidas antes.

A reinvenção de Hélio dos Anjos; confira reportagem especial com o treinador
Os dois, junto com Kieza, iniciaram o processo que viabilizou o retorno do treinador aos Aflitos. O jogador explica que o esforço para a volta de Hélio se justifica. Com o treinador, o time cresce – e o futebol de Jean vai junto.

- A volta de Hélio foi muito importante, trouxe essa confiança de volta. Chamusca veio, mas tem o tempo de adaptação ao estilo de jogo diferente, já que a gente tinha uma forma de jogar desde o ano passado com Hélio. Mesmo perdendo os jogos que perdemos quando Hélio saiu, perdemos jogando bem, por infelicidade. Quando ele voltou, (o Náutico) retomou aquele jogo, como a gente é dentro, fora de casa, ofensivo, que marca pressão o tempo todo.

Confiança no acesso

No hiato de vitórias do Náutico, que durou 14 partidas, Jean admite que começou a não acreditar no acesso. Ficou em dúvida sobre algo que parecia tão encaminhado com o início fulminante que o Timbu teve.

- Eu acredito que a gente teve uma confiança muito grande no começo do campeonato por tudo o que a gente vinha fazendo, o tanto de pontos que a gente fez. (A queda de rendimento) Sempre me preocupou, mas desconfiar, pelo trabalho que a gente vinha fazendo, não. Mas sempre vem aquele: “Poxa, será que vai, será que não vai? A gente estava tão bem…” Ao mesmo tempo, dava a confiança pelo grupo que a gente tem, o que aumentou quando Hélio voltou.

A volta de Hélio e a chegada de reforços que se adaptam rapidamente ao time, como Anderson, Jaílson e Matheus Jesus, fizeram o Náutico voltar a encostar no G-4. Diante do forte Vasco, o Timbu pode ficar a três pontos de distância do primeiro time no grupo.

Para Jean, subir é possível. O Náutico tem bola para isso.

- É um trabalho sério, honesto. A gente vem jogando um bom futebol, por isso, a gente merece, sim, subir. Mas claro que tem que mostrar em campo. A gente é, sim, um dos melhores times da Série B e vamos fazer tudo pelo acesso. Claro, (pensando) jogo a jogo.

Jogo 100

Em 99 partidas, Jean Carlos marcou 27 gols. É a primeira vez, em 13 anos de carreira, que ele chegará a 100 jogos com a camisa de um clube. Número que orgulha o meia – mas não o satisfaz.

- Feliz demais. Em dois anos e três meses de clube, já chegar a 100 jogos. Feliz demais, nunca tinha passado isso em clube nenhum. Depois de 13 anos de carreira, chegar a essa marca. Feliz pelas temporadas que fiz desde que cheguei aqui, consegui alguns bons números, espero conseguir continuar assim e concluir essa temporada com o acesso.

Matéria: https://ge.globo.com/pe/futebol/times/nautico/noticia/perto-dos-100-jogos-no-nautico-jean-carlos-analisa-talento-na-bola-parada-trabalho-e-dom.ghtml
Por: Rômulo Alcoforado/Globo Esporte Recife
Foto: Tiago Caldas/Comunicação Náutico

10 respostas a Perto dos 100 jogos no Náutico, Jean Carlos analisa talento na bola parada

  1. Nildo Gomes disse:

    Jogadores dessa base ridícula e mal preparada do Náutico (Rafael Ribeiro, Hereda e cia) entregaram de mão beijada quase a metade dos pontos perdidos nessa série B. E a diretoria continua fingindo que não ver. E os caras gostando de errar. Absurdo!

  2. colorau disse:

    O QUE FALTA AO NAUTICO É CUNHÃO ISSO SIM ATÉ PQ NUM TEM 1 TIME SUPERIOR AO TIMBU SABEMOS DA FRAQUEZA DA DEFESA
    MAS OS OUTROS SÃO HORRIVEIS O VAXCU É 1 MERDA
    MAS O NAUTICO É VULNERÁVEL SEMPRE QD ENFRENTA 1 TIME TOP SE CAGA

    QUAL ELENCO É MELHOR QUE O DO NAUTICO?
    AVAI VAXCU GOIÁS ?
    PQ O NAUTICO É CAGÃO MESMO ISSO É HISTÓRICO SEMPRE FOI ASSIM

    1 TIME QUE NÃO GANHA 1 DA COISA E QUASE SE CAGA NA FINAL
    UM ATAQUE FAZ 40 GOLS E A DEFESA LEVA 39

    UMA TORCIDA QUE NÃO FAZ DIFERENÇA
    O JOGO DO NAUTICO SÓ É CRUZAMENTO E A DEFESA FALHANDO SÓ O TIME NÃO CRIA NÃO SUFOCA NO FIM O VAXCU QUASE Q QUE GANHA

  3. Valdemir disse:

    Quando a mídia enche a bola do cara, ele fica se achando o maior craque, começa a contar vantagem, e no jogo, comete essas pixotadas.
    É preciso concentração de todos, e quando o cara fica enchendo a própria bola na mídia, perde essa concentração.
    Jogador tem que domostrar é muita humildade, e até elogiar o adversário nas entrevistas, em vez de ficar fazendo propaganda dele mesmo, pois isso tira o equilibrio emeocional.
    Estou falando isso porque vejo as entrevistas dos jogadores do Nautico, que falam que vão ganhar, e até a tática que vão jogar, e isso é um erro grave !
    Agora, falando como torcedor de arquibancada, acho que já é hora de formar a dupla de zaga, com Camutanga e Yago, pois não dá mais para aguentar o Rafael Ribeiro que já teve todas as chances do mundo……

    • Edson J disse:

      Você está de referindo a quem? Até cada folha da grama dos aflitos reconhece que temos dois jogadores muito acima dos demais no elenco: Jean Carlos e Vinícius. E nunca vi nenhum dos dois “se achando”. Quem além deles teria a ilusão de se considerar o tal?

      • Valdemir disse:

        Veja as entrevistas dadas antes do jogo aqui na Nauticonet: Anderson, elogiou o passe que deu contra a Ponte Preta, e falhou no passe contra o Vasco que originou o gol.
        Rafael Ribeiro: Falou da força mental, etc. e falhou feio !
        Jean Carlos: Falou sobre os 100 jogos, e os gols, que fez pelo Náutico, e ontem não fez nenhum.
        Lembro do Ademar, da batalha dos Aflitos, que antes, vinha jogando bem, mas que, nunca foi cobrador de pênalti. Pois bem ! Foi para uma entrevista na TV, e encheram a bola dele.
        No jogo, se achou o tal, e resolveu bater o segundo pênalti. O resultado, todos nòs sabemos!
        Lembra do Ludemar ? Veio aqui, para jogar contra o Brasiliense, e o repórter local perguntou: Você está preparado para jogar contra o Jacaré ? Ludemar que nasceu á beira do rio Araguaia, respondeu: Na minha terra, a gente pega Jacaré é pelo rabo ( isso é subestimar o adversário)! Conclusão: No jogo ( eu estava lá), recebeu um passe com o gol escancarado, que bastava dar um carrinho, e botar pra dentro, mas ficou paralisado, não marcou, e perdemos a classificação, que acho que foi da copa do Brasil.
        Quando o Érick, deixou o Náutico, e o Kieza machucou, vi o Vinícius dando uma entrevista na TV, após uma derrota, falando: Isso nos obrigou a jogar fechado, e vamos nos fechar mais ainda ! Pergunto, precisava falar, que o Náutico, iria mudar de tática, e jogar mais fechado ? Você quando vai matar o inimigo, avisa que vai matá-lo, para dificultar o que pretende fazer ?
        Nunca vi Pelé, prometer fazer gol, mas fazia sempre ! Os grandes craques, nunca prometem o que pretendem fazer, por isso que sempre fazem. É natural deles, mas podemos imitar o seu comportamento, e se aproveitar disso!
        Tem um ditado que diz: Quem conversa demais, dá bom dia a cavalo !
        E outro que diz: O segredo, é a alma do negócio.
        Ser tagarela, é a pior coisa, para dar azar, e não alcançar os objetivos !
        Não posso falar mais que isso, pois para entender, só quem já fez cursos de: “Como aumentar a confiança em si mesmo” e, “Como melhorar o seu auto controle e suas emoções”.
        Acho que os jogadores, além dos treinamentos do Hélio dos Anjos, precisavam também, de umas orientações sobre como adquirir auto confiança e controle daquilo estão fazendo.
        Não sou eu quem inventou isso, estou falando apenas o que li em alguns livros de ciências ocultas que tratam do assunto……

        • Valdemir disse:

          Edson J, se quizer saber mais, do que estou falando, basta ligar, estou à disposicão no privado: 61 98112-3129 Zap

          • Edson J disse:

            Não me é necessário ligar. Respeito sua opinião mas discordo em alguns pontos. Por exemplo, Jean Carlos, o melhor do Náutico, longe, não fez gol, ontem, mas foi eleito, merecidamente, o melhor em campo. E não vi nada demais, por exemplo, nas declarações de Vinicius, que não foram de auto promoção. Já Rafael Ribeiro e Anderson perderam uma ótima oportunidade de calar.

  4. Ada Sá disse:

    A história do fracasso do Náutico nesta série B pode ser resumida em:

    a) Diretoria que demorou irresponsavelmente na reposição de peças essenciais no time;

    b) a defesa que inúmeras vezes entregou a bola para os adversários marcarem ou bobeou nos minutos finais das partidas

    A culpa da precariedade defensiva também é da diretoria que, para ser breve, disse que tínhamos ótimos zagueiros e que não precisava contratar.

    Mas, tudo bem. O lugar do Náutico ainda é na série B, mesmo.

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