A fábula da cachaça e do apito

Por: José Gomes Neto

A reta final do returno do Pernambucano 2009 será disputada de forma dicotômica. Há quatro rodadas do encerramento, os confrontos paralelos, e por que não diretos, entre Náutico e Sport trazem um novo aspecto ao outrora previsível campeonato estadual. Se há pouco tempo havia um favorito absoluto para conquistar o título, agora já se pensa duas vezes antes de se emitir uma opinião. Melhor para esta competição, tão cheia de falhas, erros, desencontros e questionamentos básicos, dentro e fora das quatro linhas.

De um lado, uma equipe pronta, que joga junto há quase dois anos, com o mesmo treinador no comando técnico há quase 15 meses – e que ainda leva vantagem de um ponto (além de um turno, pois já está na final). Do outro, o surpreendente Náutico, com vitórias suadas, treinador interino/efetivo, e que parece ter encontrado uma regularidade, em meio à turbulência de várias origens. Em especial dos erros grotescos e absurdos de arbitragem (toda partida o Náutico tem um jogador expulso, que sinistro!).

Porém, a polêmica maior que paira sobre a competição é justamente a péssima qualidade das arbitragens. Com a conivência de grande parte da crônica esportiva, Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e da própria comissão estadual de arbitragem, os homens de preto estão barbarizando nesta edição. Pior para os clubes, pois os erros não são reparados e o prejuízo fica por conta de cada um. Vale ressaltar que, quem banca as arbitragens são os próprios prejudicados, digo, os clubes participantes.

O fato é que há pouco mais de uma semana, o Náutico viveu a gota d’água com uma arbitragem para lá de bisonha do aspirante à Fifa Cláudio Mercante, que usou de dois pesos e nenhum pênalti, no jogo contra o Central, em Caruaru. Naquela ocasião, o presidente do Timbu, Maurício Cardoso, disse que não aceitaria mais arbitragem local por motivo de deficiência técnica, falta de capacidade de conduzir um jogo oficial de futebol.

Aliás, Maurício Cardoso chegou a questionar até a idoneidade dos apitadores. O motivo alegado, claro, foi de que os erros só prejudicam ao Náutico e, por coincidência, só beneficiam ao arqui-rival Sport. “Normal!”, diriam uns… “É choro de perdedor!”, afirmariam outros…

Ora, depois que o próprio beneficiado gritou que também iria querer árbitros de fora, então o presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira, resolveu acatar a reivindicação (original do Náutico). O que antes era proibido, de uma hora para outra se tornou legal. E todos baixaram a cabeça e a menearam positivamente, como uma lagartixa de parede. Agora me expliquem, se puderem, os idôneos de plantão!

A ameaça de paralisar a competição por causa do Projeto lei que cobra responsabilidades de todos os envolvidos no consumo e venda de bebidas alcoólicas é um ato típico de quem não deseja assumir responsabilidades que lhe são imputadas. Este fato em si não me causa surpresa. Serve apenas como uma prova irrefutável e definitiva de que, no Brasil, pouca gente costuma assumir suas responsabilidades. Ganhar dinheiro todo mundo quer. Agora, para pagar o ônus desta dinherama aí não aparece ninguém…

E assim caminham (na impunidade) os ilustres e idôneos árbitros de futebol. Em Pernambuco e no Brasil. Já nos resto do mundo eles costumam ser punidos. Até pelos rigores das leis.

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