A parte alvirrubra deste latifúndio

Por: José Gomes Neto

Entre mudanças de atitude e perspectivas de melhora, o Náutico parece ter encontrado o seu rumo nesta temporada. O futebol é feito de resultados e é isso o que interessa ao técnico Sérgio China e sua comissão técnica. Depois de a diretoria quitar os débitos pendentes com o grupo de jogadores, parece que a tendência seja de evolução para o time que, por sinal, já começa a mostrar uma cara. Isso proporciona ao torcedor alvirrubro uma esperança de que o Timbu consiga uma reviravolta neste Pernambucano.

Dividido entre a Copa do Brasil e o returno do Estadual, o Náutico me parece mais consistente, mais focado em conquistar objetivos significativos nesta temporada. Nada mais óbvio do que colher os resultados após um competente trabalho de bastidores executado pelo departamento de futebol. Seguindo a linha de raciocínio: “antes tarde do que nunca”, os dirigentes conseguiram fechar um bom contrato de patrocínio de camisas com o Hipercard e o adiantamento de cota de televisionamento junto ao clube dos 13, aliviando assim, a sufocada situação financeira no clube. Pelo menos é o que aparenta.

Por outro lado, a notícia de que existe uma possibilidade de o Náutico vir a fazer parte do clube dos 13 levanta uma expectativa de definitivos bons ventos para os Aflitos. É claro que esta questão não é tão simples e passaria por uma duvidosa aprovação da parte do arqui-rival Sport, que em 2000 vetou a participação de outro rival, o Santa Cruz, em fazer parte do “seleto” grupo que dá as cartas na Série A do futebol brasileiro. Para este fato se concretizar, os 20 membros teriam que aprovar o ingresso do Alvirrubro por unanimidade.

Quando chegou à final da Copa do Brasil 2008, o humilde discurso dos dirigentes na Ilha do Retiro era de que “Pernambuco estava numa final”. Depois, já na Copa Libertadores deste ano, a empreitada se repetiu e o apêlo voltou à tona, agora com enfoque de internacionalização. Juntos, prefeitura do Recife, governo do Estado, Federação Pernambucana, imprensa esportiva, todos unidos pelo “futebol de Pernambuco”.

Porém, quando agora a roleta gira e é a vez do Náutico fazer parte do território pernambucano, parece que muitos viram as costas e não se importam. Pior, não se engajam como deveriam, calam a boca, fecham os olhos e ficam surdos. Afinal de contas, e aquele discurso falacioso de que “é Pernambuco”, hein? O jogo de interesses particulares parece falar mais alto quando o assunto é melhorar as condições dos demais clubes envolvidos no contexto local.

Tudo bem que a rivalidade alimente os anseios dos torcedores e seja a fonte que nutre as divergências de corações e mentes nas arquibancadas dos três principais estádios do Recife, mas na esfera administrativa, política, jornalística, o profissionalismo entre as partes envolvidas deveria prevalecer. Que esta opinião sirva de manifesto para abrir os olhos e a cabeçinha retrógrada de inúmeras pessoas que, apesar de arrotarem grandeza, são apenas partículas ínfimas, quase insignificantes, de uma realidade que vai além de um isolacionismo egocêntrico, como se habitassem uma ilha deserta, no meio do nada.

Nenhum adversário tem a obrigação de fortalecer o outro, mas a lógica da preservação dos interesses locais depende deste equilíbrio de possibilidades. Basta observar o fato de que, dentre os principais campeonatos estaduais do País, o único em que um time do interior nunca levantou o principal troféu é justamente o Pernambucano. E isso não é por acaso.

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