Alerta vermelho: Náutico em linha de colisão

Por: José Gomes Neto

Limite tem limite! Ou o Náutico volta a vencer no Campeonato Brasileiro 2007, ou vai permanecer na zona de rebaixamento até o desfecho final: o amargo retorno à Segundona em 2008. A partida diante do Goiás nem foi esse desencontro todo, se considerados os 45 minutos iniciais. Mas, ao final, o resultado adverso acendeu o sinal de alerta e todos estão em xeque nos Aflitos.

Quanto ao time, falta comando técnico, esquema tático e, é claro, os gols e a conseqüente soma dos três pontos. Se não existe a tão exigida qualidade técnica dos jogadores, então a falha (ou culpa, como quiser) é da diretoria alvirrubra. Por sinal, do jeito que a situação vai, duvido muito se caso os atuais dirigentes do futebol renunciassem se haveria alguém que notasse a ausência desses improvisadores…

Da maneira que o time está atuando, em casa ou fora, ninguém precisa continuar a perder tempo. Para quê treino? Concentração, nem pensar! Todo mundo é liberado para fazer o que quiser durante a semana e basta aos jogadores se encontrarem no dia jogo. Aí, o treinador joga as camisas para cima, como num bamburim, e quem pegar uma das 11 entra em campo e tenta mostrar futebol (ou algo parecido, pelo menos).

Se não der “aí a gente levanta a cabeça e parte para outro vexame” (quem já não ouviu essa frase feita de um jogador profissional em entrevistas, após sucessivos fracassos numa temporada, hein?).

Sem perder tempo nem palavras: na Primeira Divisão não há espaço para amadores. Muito menos para amadorismos! Não houve o mínimo planejamento por parte dos dirigentes do Náutico para disputar a Série A! E o mau resultado está sendo colhido em campo, a cada sofrível rodada. Em futebol, na maioria das vezes, o time é um reflexo da sua diretoria. Não dá para enganar muita gente por muito tempo, sem ser descoberto!

É muito cômodo a um clube ficar esperando verba pública, de campanha de governo, ou prefeitura, ao invés de buscar investir – e levantar capital – do seu próprio departamento de marketing. Quem é profissional tem que saber lidar com essas adversidades e fazer valer o salário que recebe. Dizer que não tem dinheiro é muito comum a qualquer brasileiro. Agora, você dispor de uma marca centenária como o Náutico e não saber como ganhar dinheiro, aí já é incompetência (e das centenárias…).

Enganar o torcedor e afirmar que “ele precisa comparecer aos jogos para se pagar a folha salarial” é conversa fiada! No futebol brasileiro está constatado que a verba de bilheteria é a quarta principal receita de um clube PROFISSIONAL.

Sete rodadas se foram e o Náutico conquistou apenas míseros cinco pontinhos. Já são quatro derrotas, sendo uma dentro do Caldeirão Alvirrubro – a mais recente. A situação é grave e merece o devido cuidado: foram 21 pontos disputados e o time não conseguiu somar nem 1/3 do total! Não adianta ficar protelando o óbvio: se não houver reação agora, não haverá mais!

A obrigação leva o Timbu a ganhar do arqui-rival rubro-negro, dentro da Ilha do Retiro nesta quinta-feira (28). A missão é difícil e o comportamento do time não está à altura. Infelizmente, nessa equipe atual do Náutico eu não confio mais! Talvez o retorno de Marcel ao meio-de-campo traga alguma esperança. Mas, o desencontro é grande. E dos demais jogadores, o que posso esperar de produtivo?

A cada partida, o Náutico proporciona uma surpresa desagradável. Não há mais tempo para as desculpas de sempre. Dissolveram o colegiado alegando “que havia muita gente e que, por vaidade, notícias vazavam”; sabem que há receita bloqueada pela Justiça do Trabalho e não se movimentam para criar uma situação favorável; querem resolver tudo com uma campanha de sócios elitista e fora da realidade sócio-econômica da Região Nordeste. E agora, qual é a desculpa?!

“De quem é a culpa” não é a minha linha de atuação. Prefiro saber sobre quem é que vai começar a reagir a essas adversidades e encaminhar as soluções adequadas. Se falta exemplo a seguir, então veja: o Atlético Mineiro está em oitavo lugar, e a equipe veio da Série B. Recebe boa verba do Clube dos 13. Diriam alguns. É… Pode ser. Mas dinheiro mal administrado vira pó!

O Corinthians, que fora eliminado pelo Timba na Copa do Brasil 2007, no Pacaembu, entrou em crise. Reformulou o elenco com vários jogadores da sua base às vésperas de iniciar o Brasileiro e agora está na sexta posição. Qual o real problema no Náutico? Os jogadores estão recebendo em dia? O grupo está dividido? Os atletas querem a permanência do técnico PC Gusmão? De onde parte a falta de comando no grupo? E no clube?

Essas e outras perguntas têm que ser levantadas pelo bem do Clube Náutico Capibaribe. Não tenho compromisso com pessoas que gerem o clube, mas com o futuro do Náutico nessa Série A.

Avante, Náutico!

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