Há algo de podre no reino dos Aflitos

Por: José Gomes Neto

No limite. É assim que o Náutico se encontra, em relação ao futuro de sua campanha no Brasileirão 2008. Pela primeira vez nesta competição, a equipe alvirrubra saiu da zona da Sul-americana e ocupa a 12ª posição. Até aí tudo normal, não fosse pela circunstância imposta pelo nível de competitividade no qual está inserido o campeonato brasileiro deste ano. Porém, o Timbu perdeu o rumo da sua conduta e, um time que há seis ou sete rodadas brigava pelamanutenção no G-4 da Libertadores, agora está na iminência de vagar entre os piores da Série A. Isso mesmo: a queda de produção vertiginosa do Náutico só me leva a pensar que há algo de podre no reino dos Aflitos.

Em 15 rodadas, o time já vai no seu terceiro treinador. Nas duas rodadas iniciais, o ex-técnico Roberto Fernandes deixou o clube na inédita liderança (desde a era dos pontos corridos, em 2003, que uma equipe nordestina não havia liderado o Brasilerão), e também o seu cargo para ir a Curitiba defender o Atlético local. Depois dele, o departamento de futebol “profissional” do Náutico trouxe o falastrão e dublê de técnico Leandro Amaral. Ele mal sabia entregar as camisas para os jogadores. Uma piada sem graça nenhuma.

O mais recente treinador, que atende pelo nome de Pintado (chega quase a ser uma obra sulrrealista do excêntrico Salvador Dalí), já observou a equipe entregar o resultado para a Portuguesa – hoje na zona de rebaixamento -, e, estranhamente, elogiou o comportamento nocivo do time, naquele confronto. Na partida seguinte, viu o seu time entregar os pontos de novo, ao final dos 90 minutos. Mas a desculpa desta vez era de que “o Internacional não era qualquer equipe”. De fato, não é qualquer um que consegue perder para o Ipatinga. Nisso ele tem razão!

Na mais recente rodada, dentro do ex- Caldeirão Alvirrubro, novo revés. Desta feita para um time que não havia vencido de ninguém fora de casa. Haja espírito solidário deste time do Náutico! Pena não se tratar de nobreza, mas de tristeza para a torcida alvirrubra. Cansada de assistir a crônicos episódios pastelões, proporcionados pela sua presidência executiva e toda, eu disse toda, sua côrte de futebol amadora, o time está à beira de uma crise sem precedentes. Desculpe-me pelo ar apocalíptico, mas depois de o fato ocorrer é muito fácil ser analista de obra pronta. Quero alertar aos pulhas agora!

Ao contrário do que parecia ser, o Náutico enganou aos seus torcedores com um início esplêndido. Logo o torcedor do Náutico, que vem dando uma lição de persistência e de apoio ao limitado grupo de jogadores, com uma média excelente no Eládio de Barros Carvalho, e também fora dele. Basta observar os números dos borderôs que vêm dos Aflitos. Enquanto o Timbu colocou mais de 12,6 mil espectadores diante do Coritiba, na mesma rodada, no Mineirão, por exemplo, o Atlético ficou relegado a pouco mais de 6 mil heróis. Com o mesmo sofrível contingente, no Serra Dourada, o Goiás foi “saudado” por sua torcida, apesar de ter batido o Cruzeiro, em Belo Horizonte, no jogo anterior. Pense nisso, diretor, antes da fazer qualquer cobrança estúpida ao torcedor alvirrubro. Não vá também querer calar a boca dos próprios, após uma série de lambanças e atitudes amadoras. Inadimissíveis.

Não que o grupo alvirrubro tivesse condições técnicas e financeiras para estar entre os quatro primeiros, de igual para igual com os milionários do Clube dos 13. Mas o fato é que, se a equipe conseguiu chegar até ali, então não havia como negar de que tudo é possível. Principalmente quando se quer, quando se acredita no trabalho que se faz. No planejamento que se tem. Isso para quem trabalha e se planeja.

Ora, então, o que faltou aos jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes timbus? Eu afirmo que foi empenho, vontade e vergonha na cara. Até mesmo de quem esteve no comando da equipe, como foi o caso do gaúcho entregador de camisas chamado de Leandro Machado (quem?!). Inclusive de quem ocupa cargos de dirigentes de futebol profissional, na Avenida Conselheiro Risa e Silva. Não se admite que contratações sejam feitas à revelia, sem critério, conhecimento de causa e competência de quem está resposável por isso.

Fazer do clube um grande comitê político-eleitoral é retrocesso e fica melhor para outros clubes do Recife. Até porque o nível sócio-cultural dos torcedores é outro e não dá para enganar a maioria dos pretensos eleitores. Portanto é tempo perdido. Vamos colocar a cabeça no lugar, pensar grande e no clube. Fogueira de vaidades e egos inflamados só trazem um legado de causas trabalhistas, dívidas em todos os campos, rebaixamentos e caos administrativo. Não se deixem levar pelas circunstâncias de momento. O Clube Náutico Capibaribe não pode ser admistrado como uma capitania hereditária, nem mesmo uma oligarquia mesquinha e, pior de tudo, burra!

O fato é que está havendo algo muito sério dentro do grupo de jogadores, e até mesmo entre dirigentes, que ainda não veio à tona. É melhor que os envolvidos e responsáveis tratem de lavar toda essa imundície antes que o clube venha a sofrer as conseqüências mais graves. O processo é evolutivo e o Náutico não deve, nem pode, cair para a Série B, em 2009. É preciso estruturar um clube com vistas ào século XXI, com futebol de resultado, de conquistas. Mas acima de tudo com visão de mercado, formação de valores para gerar divisas. Assim caminha o futebol profissional do Brasil. O segredo? Sejam profissionais.

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