PAIXÃO

Estou numa idade, e já vi tanto futebol, que não devia mais me assustar. Mas me assusta e faz sofrer. Por que umas bolas caprichosamente batem na trave e outras entram? Quem pode me explicar esse mistério? Nunca ninguém me disse por quê. Por isso, amamos tanto o futebol. Por isso também, a essa altura da vida, a tentação de deixar tudo pra lá.

Dedicar o tempo vadio, como vinha fazendo, a O Caçador de Pipas, leitura obrigatória e imperdível para jovens de todas as idades. Ou para o reencontro com a poesia de John Steinbeck, em O Inverno de Nossa Desesperança, um titulo que cai bem no momento, a que venho me dedicando desde ontem à noite, logo após o melancólico apito final do implacável senhor Seneme. Na sobra do tempo, cuidar de relembrar os bons momentos, exercício de memória recomendável para o bem dos nossos cansados neurônios.

Escrevendo e lendo. Maneira de chegar a irmãos que jogaram juntos no passado e que nos deram tanta alegria. Ou como ontem fiz, vendo emocionado com familiares e amigos, o filme do diretor Roberto Vieira, falando de um certo e desconhecido Cúqui que se fez o Cavaleiro de Todas as Nossas Esperanças do Novo Milênio transformadas em redenção. Kuki, o herói. Na mesma e imortal linhagem alvirrubra de Bita, Baiano e Bizu.

Mas, vida que segue, que ela não acabou. A vida continua sem se preocupar com começos e com o que aconteceu pelo caminho. Quem sabe não estarei em breve no meio da massa alvirrubra, em jogos da Série A nos Aflitos, a derramar rios de lágrimas, dessa vez chorando de pura e incontida emoção? Por mais essa vitória que demora a chegar, mas chega. Por mais um dia de glória que vem se juntar a tantos outros vividos com alegria no passado. Porque “do destino ninguém foge”, aprendemos com Humphrey Bogart, o convicto ainda que pretenso padre John O’Shea do inesquecível filme de Edward Dmytry, assistido tanto tempo faz.

E o destino nosso de cada dia de alvirrubros é não apenas o de se entregar a esse “estúpido desejo de chorar as tardes/noites de derrotas”, de que nos fala Albert Camus. Mas o de esperar, na certeza que eles vêm, os dias de vitórias .

Vitórias e derrotas, já disse isso uma vez, e repito agora como mandamento, que se juntam para consolidar o sentimento de amor e paixão a um time de futebol.

Uma resposta a PAIXÃO

  1. Lucídio José de Oliveira disse:

    Recado para Manoel Osvaldo Porto: Mirandinha foi ídolo no Náutico e marcou época. Não levou sorte na decisão de 83, contra o Santa. Desperdiçou uma das cobranças de pênalti na série decisiva, em que pese ter sido ele o autor do gol do empate em cima da hora no tempo normal (1×1). Ainda como jogador do Náutico, foi convocado e seria titular da seleção brasileira no Pré-Olímpico do Equador, em 84. Foi o autor dos dois gols na vitória contra o Paraguay, Brasil 2×0. O Brasil foi campeão. Foi ídolo também no Palmeiras, para onde se transferiu a seguir. Foi o primeiro brasileiro a jogar na Inglaterra por um clube de lá, o Newcastle, vendido pelo Palmeiras, logo depois do empate Brasil 1×1 Inglaterra em Wembley, gol dele, Mirandinha. Fez 19 partidas ao todo com a camisa amarela do Brasil, marcando oito gols. É hoje treinador no Amazonas, depois de andar trabalhando no futebol do Oriente Médio (mais informações no site de Milton Neves).

  2. Hernando de Barros Siqueira Sobrinho disse:

    parabens sr.lucídio pela grande matéria um abraço.

  3. BiduNáutico disse:

    Mais um texto maravilhoso e impecável. Um grande abraço e meu respeito a esse valoroso alvirrubro, doutor também nas letras, Lucídio Oliveira. Nós do Náutico sentimo-nos honrados com sua companhia.

  4. Manoel Osvaldo Porto disse:

    Sr. Lucídio parabens pela emocionante materia, o bom do futebol, é esse amôr e o sofrer que sempre andaram juntos!!!
    No Timba tinha um atacante que me fazia rir, só que poucos falam dele, era o Mirandinha, eu realmente me divertia com os seus dribles e ele dizia ¨Na area a bola é minha, não dou prá ninguem¨ sumiu e não ouço mais falar dele?????

  5. Eraldo Aureliano da Macena disse:

    NOTICIA QUENTE. VEJAM O TRECHO ABAIXO.

    Náutico anuncia contratação do meia do São Bento

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    Campinas, SP, 3 (AFI) – Enquanto o São Bento morria
    abraçado com o rival Atlético Sororcaba, neste sábado à
    tarde, dentro do Campeonato Paulista da Série A2, em Recife,
    no início da noite, a direção do Náutico anunciou a
    contratação do meia Éverton, do Bentão.

    O jogador já vinha sendo observado há algum tempo e chamou
    atenção por sua boa qualidade técnica, como também por seu
    bom aproveitamento nas finalizações: ele marcou 10 gols na
    Série A2. alguns deles foram de falta.

    "O Éverton é um jogador habilidoso e pode brilhar em
    algu grande centro", confirmou o técnico Carlos
    Rabello, do São Bento. O Náutico vai disputar o Campeonato
    Brasileiro da Série A, a partir da segunda semana de maio.
    No Estadual Pernambucano, o Náutico sagrou-se vice-campeão,
    ficando atrás do tricampeão Sport Recife

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