HISTÓRIA

O Mineirão havia sido inaugurado em 1965, transformando o futebol mineiro em uma força respeitada nacionalmente. O Cruzeiro seria campeão da Taça Brasil de 1966 e o Atlético o primeiro campeão brasileiro em 1971.

Naquele ano de 1967 ambos se classificaram para as quartas de final da Taça Brasil e a imprensa brasileira já antecipava uma semifinal mineira na competição. Apenas esqueceram de avisar o Clube Náutico Capibaribe.

O primeiro jogo entre o Timbu e o Galo foi marcado para Recife. O Atlético chegou de salto alto na capital pernambucana, sendo presenteado com um sonoro 3×0 do então tetracampeão do estado. Os jornais de todo país concluem que tudo não passou de um acidente e que em BH tudo será diferente.

Realmente a segunda partida nas Alterosas termina com uma vitória de 2×0 do Atlético, exigindo uma negra decisiva dois depois, conforme os regulamentos da época. Negra a ser realizada no mesmo local da segunda partida.

No dia 2 de dezembro de 1967, diante de um Mineirão lotado, o Náutico alinha Lula; Gena,Mauro, Fraga e Clóvis; Paulo Chôco(Salomão) e Ivan; Minuca, Ladeira, Nino e Lala. O craque Bita encontra-se lesionado.

O Atlético forma com Hélio; Caronde, Grapete, Dilinho e Décio Teixeira; Vanderlei e Amauri; Buião, Ladi, Lula e Tião.

Os mineiros começam pressionando e logo Amauri faz 1×0. O Náutico não se impressiona e começa a tocar a bola com calma enervando quem esperava o início de uma goleada. O juiz marca pênalti para o Timbu e o grande Salomão parte para a cobrança. Pelo rádio em Recife os alvirrubros ouvem incrédulos a defesa de Hélio. Parece que tudo está perdido e mais uma vez o sonho de chegar a Libertadores vai por água a baixo. Ledo engano. Numa fúria arrebatadora o quadro de Rosa e Silva pressiona o Atlético para espanto de todos. Então Miruca e Nino marcam e viram o marcador: 2×1.

Mas, em se tratando de Náutico, sempre sobra emoção. No final da partida com os torcedores já indo embora, Laci empata forçando uma prorrogação. A esperança da torcida do Galo se reacende, principalmente quando no início da prorrogação Gena se contunde ficando 9 minutos de fora do gramado sendo atendido. Quando retorna faz apenas figuração. Querem os deuses do futebol que a partida se torne inesquecível, dramática e o juiz assinala um segundo pênalti para o Náutico. Salomão olha pra Miruca e manda ele bater.

Acontece o Sobrenatural de Almeida com o Náutico. Miruca coloca o balão na marca de cal, encara Helio olhos nos olhos e desfere uma bomba no meio do gol. A bola se choca contra o travessão e volta a campo. Alguns torcedores em Recife passam mal e desligam os rádios. Lula inconformado decide que do seu lado também não vai entrar bola nenhuma. O Galo pressiona, chuta, cruza, reza. Mas depois de minutos que parecem uma eternidade o silencio volta a tomar conta das arquibancadas. O árbitro sinaliza o meio de campo. O Náutico é semifinalista da Taça Brasil. Irá enfrentar o Cruzeiro, atual campeão. O sorteio é realizado em pleno vestiário. A primeira partida será em BH.

No dia seguinte a gozação toma conta de Belo Horizonte. Mal sabem os torcedores cruzeirenses, Tostão e Cia, o que os espera uma semana depois na Veneza Brasileira.

Mas isso já é uma outra história!

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