O Náutico tem uma lembrança imortal da Portuguesa de Desportos.
No dia 27 de setembro de 1972, o Náutico venceu a Portuguesa por 2 x 1.
A primeira vitória do Timbu em campeonatos nacionais.
Os dias que antecederam o jogo foram tumultuados.
Durante cinco rodadas o Náutico sentira a vitória escapando entre seus dedos.
Traiçoeira. Vã.
Paraguaio havia sido sacado do time.
Gradim balançava no cargo.
Elói driblava no vazio.
A Portuguesa trazia o jovem Enéas.
Uma das maiores promessas do futebol brasileiro na década de 70.
A Portuguesa que havia vencido a Hungria por 2 x 0 (veja posts anteriores).
Gradim chama Paraguaio num canto depois de um treino estafante.
Gradim implica com o centroavante.
Centroavante que foi lançado no sacrifício nos primeiros jogos, com uma contusão no tornozelo.
Mas Paraguaio resume tudo numa frase: “Eu sei que dá pra jogar!”
E Paraguaio é escalado como o salvador da pátria alvirrubra.
O Náutico formou com Lula Monstrinho; Gena, Ubirajara, Sidclei e Romero; João Paulo, Cordeiro e Vasconcelos; Elói (Galdino), Paraguaio e Pereira (Paulinho).
A Portuguesa veio de Carioca; Deodoro, Dacio, Guaraci e Fogueira (Isidoro); Didi e Dicá; Xaxá, Enéas, Basílio e Wilsinho.
Basílio que seria o herói do Corinthians em 1977.
O Arruda estava tenso. A torcida alvirrubra, sofrida.
O Náutico começa com tudo. Lula apenas assiste o espetáculo.
Mas Dicá encaixa os lançamentos. Basílio chuta na rede pelo lado de fora. Enéas perde um gol feito.
Paraguaio toca para Pereira que dribla Dacio e quando vai chutar… pênalti.
O juiz ignorou solenemente a falta.
Pereira toca de cabeça para Paraguaio cara a cara. E Paraguaio perde.
0 x 0. 0 x 0.
Elói recebe, dribla um, dois e é selvagemente atacado no vietnã da pequena área.
Pênalti?
Pênalti!
Gol?
Não. Carioca defende a penalidade máxima.
O 0 x 0 do primeiro tempo persiste.
Mas aos 25′ do segundo tempo Paraguaio enche o pé e marca: 1 x 0.
Paraguaio, o dono da festa?
Ele mesmo. Dois minutos depois Paraguaio é lançado. Carioca sai desesperado.
Paraguaio toca mansamente por cima do goleiro luso, a bola descreve uma parábola, toca na trave e volta no zagueiro Guaraci: 2 x 0!
Acabou?
Não. Aos 17 anos Enéas aproveita o rebote de uma bola na trave de Xaxá: 2 x 1.
O Náutico fecha a porteira. A Portuguesa vê o tempo passar com a bola de pé em pé dos alvirrubros.
O Professor Gradim caminha para a beira do gramado e em silêncio abraça o Doutor Paraguaio.
E os primeiros dois pontos de uma vitória entram para a história de Rosa e Silva.
Sofridos. Suados.
Alvirrubros…
Fenômeno Alvirrubro! Eu não desisto nunca! Podemos perder
de
10 da Lusa; NÃO INTERESSA! Vamos mover uma multidão
inominável para o Mundão do Arruda! Isso mesmo o mundão do
Arruda! Estou promovendo aí com muita fé a campanha
Fenômeno
Alvirrubro! Querem nos ver abatidos? Suzy ganhando título
nacional? Cobrinha botando 30.000 na série C? Derrota
vergonhosa no clássico? DANEM-SE.
DANE-SE TUDO ISSO por que
vamos mostrar nossa força no jogo contra o Inter! 20/07:
Será um dia histórico! O fenômeno alvirrubro irá acontecer!
Isso mesmo! FENÔMENO ALVIRRUBRO! VAMOS MOSTRAR DE UMAS VEZ
POR TODAS QUE TEMOS VERGONHA NA CARA! QUE NÃO NOS DEIXAMOS
ABALAR NEM ESMORECEMOS! VAMOS MOSTRAR DO QUE SOMOS FEITOS!
EU ACREDITO! ACREDITO NO FENÔMENO ALVIRRUBRO! NÓS SOMOS O
MAIOR TÍTULO DO NÁUTICO. VAMOS LEVAR
PARA O ESTÁDIO TODOS AQUELES QUE SE DECLARAM TORCEDORES DO
TIMBU MAS NUNCA FORAM AO ESTADIO E AQUELES QUE NÃO TEM O
HÁBITO DE IR! É HORA DE DAR UMA RESPOSTA CONVINCENTE! 20 DE
JULHO! ÁRRUDA.