Atlético-MG 2×2 Náutico
Taça Brasil, Novembro de 1967
Era o terceiro encontro seguido entre os dois clubes. O primeiro, em Recife deu Náutico 3×0. O segundo em BH o Atlético deu o troco, 2×0. A decisão da vaga para s semifinal foi para o terceiro jogo.
O Galo tinha uma base muito boa. Manteve essa mesma estrutura por mais três anos, e conquistou o campeonato mineiro de 1970, e o brasileirão de 1971. Nomes como Grapete, Vantuir, Wanderley, Amauri, Buião, Laci e Tião entraram para a história do futebol brasileiro.
O Náutico era o pentacampeão estadual, e tricampeão do Norte. Mas, para os atleticanos, “um time qualquer, que não metia medo”!
Uma noite, entre setembro e outubro de 2013 fui ao Country Club entrevistar o volante Salomão, na conclusão do livro sobre a Taça Brasil. Esteve presente nesse encontro, o grande alvirrubro e velho amigo, Edgar Matos.
Salomão descreve esse jogo contra o Atlético como um dos mais emblemáticos de sua vida. A soberba tomava conta dos mineiros. Mais parecia a seleção brasileira em preto e branco. “Mandaram os reservas para o primeiro jogo, em Recife. Isso feriu a nossa alma, a nossa dignidade como atleta profissional”.
Palavras de Salomão: “quando eles entraram em campo eu fiquei surdo por alguns segundos. Só escutava os gritos das arquibancadas: Galoooô! Galooooô!
Salomão ficou olhando vagamente para o céu infinito, como se revivendo aquele momento. Segundos depois voltou a conversar conosco. Respeitamos por demais aquele momento de profunda reflexão do craque alvirrubro.
Logo aos 10 minutos o Atlético abriu o placar com Amauri. O Náutico sentiu a pancada, e não se encontrava em campo. No fim do primeiro tempo o juiz marca pênalti para o Timbu. Salomão bateu, e o goleiro Hélio defendeu. Festa nas arquibancadas. Parecia o nosso fim.
Entra em cena o matreiro Duque. No intervalo ele acorda os jogadores. Aos 15 do segundo tempo Miruca empata. Em seguida Nino cala de vez o Mineirão. Náutico 2×1. Perto do fim do jogo o Galo empata com Laci, e leva o jogo para a prorrogação. O Náutico se agiganta.
O monstro Lula fecha o gol lá atrás. Mauro e Fraga batem até na sombra. Gena machucado deixa o campo, e o Náutico luta com dez homens. O índio volta mancando, e é deslocado para a ponta direita, apenas fazendo número.
A cinco minutos do fim da prorrogação o juiz marca outro pênalti a favor do Náutico. Miruca bate, e a bola explode no travessão!
Fim de jogo, Atlético-MG 2×2 Náutico. Silêncio fúnebre nas arquibancadas. Festa vermelha e branca no gramado. O Náutico avança e pega o Cruzeiro na semifinal.
Fomos heróis!