SUPERAÇÃO

Josa superou dificuldade de andar e tuberculose para se tornar líder no Náutico
Volante teve de fazer tratamento para caminhar normalmente quando era garoto e, em 2017, venceu uma Tuberculose, dificuldades, acredita, que lhe fortaleceram

Um passo depois do outro. Josa tinha um problema motor. As pernas, que mais tarde sustentariam um jogador profissional, nasceram tortas. Joelhos para dentro, tocando um no outro, retorcidos a ponto de impedi-lo de caminhar normalmente. O garoto baiano não conseguia encadear o que para os demais meninos era natural: um passo depois do outro.

O início da jornada para se tornar volante, hoje no Náutico, não foi fácil. Ele precisava ser levado pela mãe da sua cidade, Alto da Lagoinha, para Salvador. Percorriam mais de 200 km para trocar periodicamente as botas ortopédicas, que a cada mês precisavam ser maiores para acompanhar o crescimento do moleque.

- Devo muito a minha mãe. Ela sempre estava disponível para me ajudar, com todo custo, toda dificuldade. Ela e meu pai fizeram até promessa para que eu ficasse bom e deixasse de usar aquelas botas.

Com esforço, não conseguiu apenas andar como os outros meninos da sua cidade. Fez das pernas o sustento de uma família inteira. Foi mototaxista e vendedor de autopeças, antes de se transformar em um profissional do futebol.

- Depois disso tudo eu virei jogador, né? Quem diria?

A dificuldade de andar não foi a única que ele encarou na vida. Já homem feito, em 2017, deitado numa capa de hospital, Josa temeu pela própria vida.

Um exame para averiguar a contusão em uma costela – coisa de jogo – mostrou algo mais grave do que a lesão óssea. No canto da imagem, havia uma inesperada mancha, que se revelaria uma tuberculose pulmonar.

Se não fosse tratada adequadamente, a doença poderia evoluir e ameaçar a saúde do atleta. Não havia como curá-la imediatamente. Era necessário paciência para superar cada etapa do processo.

De novo: um passo depois do outro.

- Achei que não ia nem superar, mas pedi muita força a Deus. O Figueirense me deu todo o apoio, mas foram oito meses de um tratamento difícil.

Ele precisou de medicação e repouso – tão importantes quanto o apoio da mulher e dos três filhos.

- Minha família estava lá comigo. Me apaguei a eles para superar a doença e até o preconceito que existia quando saía de casa com a máscara, que precisei usar. As pessoas olhavam com medo.

Após oito meses, o volante se recuperou plenamente. Mas aí já era 2018 – e Josa temia pela carreira.

- Foi o segundo momento difícil. Arrumar clube. Ninguém acreditava. Tive uma tuberculose no pulmão, isso para um atleta de futebol… Quem olha imagina que o jogador não vai voltar a mesma coisa.

Quem contrataria um volante de 32 anos, que passou oito meses sem pôr um pé em campo? Que clube lhe daria chance?

- O Náutico surgiu para mim. Eu já tinha jogado aqui, então Roberto (Fernandes, treinador da época), Diógenes (vice-presidente) e Ítalo (executivo de futebol) me abriram as portas. Sou muito grato ao clube e a essas pessoas por isso.

O contrato de produtividade se estendeu. Josa está há mais de ano e meio no Recife. É titular do técnico Gilmar Dal Pozzo. O volante não se queixa das dificuldades que teve. Pelo contrário: acredita que elas moldaram seu caráter. Tornaram-o progressivamente mais maduro.

- A gente aprende bastante na hora das dificuldades. A gente aprende a dar valor ao que a gente viveu. Lembra de um conselho que o pai deu, a mãe, o irmão. E isso ajuda bastante.

Josa crê que os problemas fizeram dele um sujeito com bagagem para ser líder nos clubes onde passou. Hoje, por exemplo, é um dos capitães do Náutico. Usar a braçadeira não é inédito para ele. Em 2014, na maior conquista da carreira, coube a Josa levantar a taça do Campeonato Paulista pelo Ituano. Ele acredita que a semelhança entre as duas equipes vai além de tê-lo como peça importante.

- A gente era muito unido. Cada um sabia o que fazer dentro de campo. Aqui estamos formando uma família e seguindo o mesmo caminho. Isso é fundamental para as conquistas.

Por isso, Josa acredita que o Timbu é capaz de – no final de tudo – estar entre os quatro melhores da competição e comemorar o acesso à Série B.

- A gente vem dando o máximo dentro de campo. Grupo forte ganha campeonato. Com certeza a gente vai conseguir o objetivo.

Dificuldades surgirão, mas o volante sabe exatamente a maneira de superá-las. E espera transmitir isso para os companheiros. Como? Do jeito que a vida lhe ensinou desde o início: um passo depois do outro.

Matéria: https://globoesporte.globo.com/pe/futebol/times/nautico/noticia/josa-superou-dificuldade-de-andar-e-tuberculose-para-se-tornar-lider-no-nautico.ghtml
Por: Globo Esporte
Foto: Léo Lemos/Comunicação Náutico

Uma resposta a SUPERAÇÃO

  1. ada disse:

    Guerreiro na vida e no futebol.

    Parabéns.

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