MATÉRIA ESPECIAL

O NÁUTICO NAS LEMBRANÇAS DE UM APAIXONADO TORCEDOR

Por Túlio Velho Barreto

Em 1992, o escritor e roteirista de cinema inglês Nick Hornby publicou suas lembranças de fervoroso torcedor do Arsenal londrino. O livro Fever Pitch, lançado no Brasil como Febre de Bola, conta suas aventuras e desventuras de garoto, adolescente e adulto atrás de suas duas maiores paixões: o futebol e o Arsenal.

O delicioso livro de Hornby começa com o primeiro jogo que ele assistiu, ao lado do pai, em 1968 – que data emblemática!; segue com os momentos em que Hornby se apaixona pelo Arsenal, apesar do enorme jejum de títulos do Clube naqueles anos; e vai até 1991, exatamente quando o time voltou a vencer. Como isso aconteceu? Ora, ele próprio conta: “Eu me apaixonei pelo futebol, como mais tarde viria a me apaixonar pelas mulheres: súbita, inexplicável, incriticavelmente, sem pensar na dor ou nas perturbações que isso me traria”. Pois é…

Já o autor do livro O Náutico, a Bola e as Lembranças, que agora chega à segunda edição, o médico e escritor Lucídio José de Oliveira, assim como Hornby, também descobriu sua paixão pelo futebol aos 10 anos, quando foi levado para uma rápida – e inesquecível – visita ao Estádio dos Aflitos, ainda em construção. Mas, diferentemente do inglês, Lucídio José assistiu sozinho, aos 16 anos, por livre e espontânea vontade, pela primeira vez a uma partida do time pelo qual já se apaixonara.

Assim, cresceu e tornou-se adulto acompanhando duas ou três gerações de inesquecíveis craques que levaram o Náutico ao tricampeonato de 1950-52, aos títulos de 1954 e 60 e, finalmente, ao hexa estadual de 1963-68. E aos títulos e conquistas que se seguiram, inclusive regionais e nacionais, e ao pioneirismo estadual de atuar no exterior e disputar uma Libertadores da América.

Certa vez, durante um seminário organizado pelo Núcleo de Sociologia do Futebol, da UFPE e Fundação Joaquim Nabuco, refletindo sobre o que leva alguém a se apaixonar por um clube de futebol, Lucídio José confidenciou: “O mistério da paixão pelo futebol está longe de ser devidamente explicado em todos os seus aspectos. A paixão pelo Náutico surgiu em mim bem antes de ver o time jogar pela primeira vez, como é comum encontrar nas histórias contadas por fiéis torcedores”

E nos contou como aconteceu: “A lembrança mais remota de que algo de novo andava ocupando um lugar no meu coração juvenil data de 1942, na infância, no município do Bonito. Aconteceu de repente, sem nenhum aviso prévio. Um dia, ao acordar cedo de manhã, me dei conta que estava torcendo pelo Náutico. Na hora de ir para a escola, a ansiosa procura pelo jornal do dia anterior, que só chegava à noite. Queria saber o resultado do jogo realizado dois dias antes. Ali estava a manchete redentora: Náutico 4 x 0 Great Western. A ansiedade substituída pela alegria da vitória e a liderança assegurada. Já não restava nenhuma dúvida: estava mesmo caído de paixão pelo Náutico”.

A primeira edição do livro O Náutico, a Bola e as Lembranças saiu em 1988, quando o Hexa completava 20 anos. E logo virou item de colecionador e objeto de desejo de torcedores alvirrubros, como eu. Então, nada mais justo que relançá-lo no ano em que se comemora o 40º aniversário da memorável conquista do seu – do nosso – Náutico. No meu caso, tenho um exemplar autografado pelos heróis de 1968, inclusive Bita, Clóvis e Fraga, este recentemente falecido, que compuseram ao lado de Lula, Gena, Mauro, Salomão, Ivan, Nado, Nino e Lala meu eterno time dos sonhos. Levei 15 anos para conseguir o meu exemplar, que, hoje, ocupa lugar de honra em minha biblioteca de pesquisador e em meu coração de alvirrubro.

Agora, com a reedição do livro, novas gerações de pesquisadores e de torcedores terão acesso à obra-prima de Lucídio José, que é, sem dúvida alguma, o mais completo memorialista dos clubes pernambucanos. O melhor é que a nova edição traz mais lembranças do nosso já centenário Náutico, inclusive dos títulos de 1989, 2001-02 e 2004, e do heróico retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. Tudo contado com paixão e apoiado em fatos e fotos históricos de uma bela e única história: a do Clube Náutico Capibaribe.

Uma resposta a MATÉRIA ESPECIAL

  1. Maria Jose de Oliveira disse:

    Dr. LUCIDIO parabens por descrever o time completo e exaltá-lo depois de tantos anos. Realmente e sem dúvida nenhumaO TIME DOS SONHOS.

  2. Valdemir disse:

    SE A EDJANE FALOU, O MUNDO PAROU ! GRANDE EDJANE !

  3. Edjane Souza disse:

    Em 1967 o náutico foi VICE-CAMPEÃO BRASILEIRO, pois a Taça Brasil era o campeonato brasileiro da época, era a maior disputa nacional, a prova é que enfrentamos os grandes times do país, como SANTOS(de Pelé), CRUZEIRO(de Nelinho) BOTAFOGO(de Garrincha)SÃO PAULO(de Telê Santana)e tantos outros que não lembro. Nós somos verdadeiramente vice-campeão brasileiro, e olha que não é "faz-de-conta" não, é pura realidade.
    (A propósito, não sou dessa época, apenas leio e conheço a história. rsrsrsrsrsrsrsrsrs)

  4. Valdemir disse:

    EM TEMPO: O JUÍZ DO JOGO NO PACAEMBÚ, FOI O SR. ARMANDO MARQUES, LADRÃO DE CARTEIRINHA!

  5. Valdemir disse:

    JÚLIO DE LEMOS: O VICE DE 67, NÃO FOI DA TAÇA DE PRATA, E SIM DA TAÇA BRASIL. NAQUELA ÉPOCA NÃO EXISTIA O CAMPEONATO BRASILEIRO, E SÓ, A TAÇA RIO SÃO PAULO. PORTANTO, A TAÇA BRASIL CORRESPONDIA AO CAMPEONATO BRASILEIRO, TANTO QUE, CAMPEÃO E VICE, GARANTIAM VAGA NA LIBERTADORES. OUTRA, TÍNHAMOS TIME PARA SER CAMPEÃO, SÓ QUE NÃO DEIXAVAM. NA 2ª PARTIDA NO PACAEMBÚ CONTRA O PALMEIRAS, QUE FOI 2X0 PARA O NÁUTICO, LEVAMOS PORRADA DE TODO JEITO, E NINGUÉM DO PALMEIRAS FOI EXPULSO. QUEBRARAM NOSSO GOLEIRO LULA, QUE NÃO JOGOU A FINAL, NO "MARACANÃ", E MIRUCA, QUE JOGOU NO SACRIFÍCIO COM O JOELHO ENFAIXADO.TEMOS UM TABÚ, EM QUE O NÁUTICO NUNCA PERDEU PARA O PALMEIRAS NO PACAEMBÚ, ATÉ OS DIAS DE HOJE. ELES TEMIAM ISTO, E A TORCIDA DO NÁUTICO QUE EM SÃO PAULO, ERA MUITO GRANDE, DEVIDO AOS EMIGRANTES NORDESTINOS. PROPUSERAM O MARACANÃ, E COMO SEMPRE, A DIRETORIA DO NÁUTICO ACEITOU, POR TRATAR-SE DE CAMPO NEUTRO. FOI UMA BURRICE SEM TAMANHO! NÃO ACREDITARAM NAS COISAS SOBRENATURAIS DOS DEUSES DO FUTEBOL!

  6. BiduNáutico disse:

    Se todo torcedor do Náutico fosse como o grande Lucidio, nós estaríamos em outro patamar. Parabéns, Túlio pela justa homenagem ao nosso amigo Lucidio.

  7. Marcos Aurelio Almeida da Costa disse:

    SE FOR REALMENTE A CHAMPS EU NÃO COMPRO MAIS CAMISA DO NÁUTICO…BOSTA DE CHAMPS, COMPREI UMA CAMISA DA WILSON E GOSTEI MUITO, AGORA O QUE MATA A CAMISA DO NÁUTICO SÃO AQUELES MONTES DE PATROCINADORES COLORIDOS, MAS COMO ESTAMOS NA TERRA DO CARNAVAL É UMA BOA PEDIDA PRO CARNAVAL 2009, ROTA DO MAR (AZUL), FREVO(COLORIDO), ENERGIL C(LARANJA), É UMA VERDADEIRA PORCARIA, ESSES PATROCINIOS. E SE VIER ESSA CHAMPS, QUE EU SÓ VEJO EM TIME DE SEGUNDA E TERCEIRA DIVISÃO, TEM NA PORTUGUESA MAS É HORRIVEL. PORRA NÁUTICO, FAÇAM CONTRATOS COM NIKE, COM ADIDAS, COM DIADORA, COM UMBRO, REEBOK, PUMA, AGORA FAZER COM FINTA, PENALTY, CHAMPS, DELERA, VOADOR, kkk AÍ É FODA, VAI TOMAR NO C…NUNCA MAIS COMPRO CAMISA DO NÁUTICO E FALO PRA TODOS NÃO COMPRAREM, MERDA POR MERDA PREFIRO WILSON.

  8. Jorge Luiz Rodrigues da Silva disse:

    O presidente do galeto acaba de renunciar.Temos que vencer sabado.

    galeto 0 x 2 NÁUTICO

    quem quiser maiores informaç~es sobre minha candidatura para presidente do Náutico, favor mandar email paraa

    jorgeluizpresidente@hotmail.com

  9. Antonio José Luna Batista disse:

    TORCEDORES ALVIRRUBRO !
    O Atlético/MG., acaba de cair numa crise sem FIM, o Presidente dele o Sr. ZIZA VALADARES, acabou de renunciar o cargo de Presidente deste clube, pelos comentários que escutei pela imprensa local daqui de Belo Horizonte, está uma verdadeira CONFUSÃO no Atlético, ninguém se entende, tá uma ZORRA TOTAL, dentro do clube. Vamos aproveitar esta crise sem fim do Atlético, e aproveitar prá deslanchar eles dentro do Mineirão, vamos credenciá-lo ao rebaixamento, vamos detoná-lo prá crise aumentar mais ainda.

    Saudações alvirrubra

    Antonio Luna

  10. Júlio de Lemos disse:

    ERRATA:

    Na penúltima linha, leia-se:

    "Quem semeia, um dia, colherá!"

  11. Júlio de Lemos disse:

    Prezado W. G. LIMA,

    Por enquanto, nenhum, a não ser o de Vice da Taça de Prata de 1967.

    Mas (espero que não esteja residindo nenhuma chatice ronhenta na sua indagação) se continuarmos trabalhando com afinco, torcendo e colaborando com o Clube (espero que você seja sócio), haveremos de, muito em breve, conquistar um título nacional, sim!

    Nunca esmorecer e manter a tenacidade nos objetivos são os segredos para atingir o sucesso. Inclusive, adversários nossos já deram provas de que isso dá certo.

    Logo, junte-se a todos aqueles que amam e querem ver o Náutico grande no futuro (sem jamais desmerecer os feitos do passado) e jamais esmoreça na empresa de alcançar, cada vez mais, títulos importantes, inclusive Nacionais.

    Em suma, como está estampado na Bandeira do Estado do Espírito Santo: TRABALHA E CONFIA!

    Quem semeia, um dia colherá!

    Saudações Alvirrubras!!!!!!

  12. W. G. Lima disse:

    SIM MAIS QUAL O TITULO NACIONAL, VAMOS COMEMORAR?

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