“Culpa dele. Não posso assumir algo que eu não fiz”. De forma incisiva e bem ao seu estilo, o técnico do Náutico, Roberto Cavalo, demonstrava aborrecimento com o lateral Bruno Carvalho, ao final do jogo. O motivo da revolta era porque o jogador desobedeceu a uma ordem sua. “No primeiro pênalti, eu disse para David cobrar. Mas o Bruno pegou a bola e falou que quem ia bater era ele. E depois deu no que deu. Se não tivesse me desobedecido, a história poderia ter sido diferente”, disparou.
Cavalo explicou que Bruno Carvalho não vinha bem nos treinos quando o assunto era cobrança de pênaltis. “Bruno ainda bateu muito mal as duas cobranças contra o Caxias, na primeira fase. Justamente por isso, o cobrador oficial era David”.
A irritação do treinador foi tanta que ele ainda veio com essa: “Enquanto ele (Bruno) estiver trabalhando comigo, não bate pênalti nunca mais”. Já sobre a segunda cobrança, Cavalo disse que não sabia quem poderia bater, já que David não estava mais em campo.
“Romualdo pediu para cobrar e eu acatei. Logo depois, Ademar, que vinha bem nos treinos, demonstrou confiança e garantiu que tinha condições para ser o cobrador. Então não tive dúvidas”.
Cavalo comentou ainda que a partida foi equilibrada e que os timbus não souberam aproveitar as oportunidade, diferentemente dos gaúchos.
“Não foi o Grêmio que ganhou o jogo, e sim o Náutico que perdeu para ele mesmo. Quem não faz leva”, disparou.
Sobre as alterações, Cavalo disse que tirou Bruno Carvalho e David porque os dois já não estavam rendendo o esperado. Entraram Miltinho e Romualdo, respectivamente. “Depois, no desespero, coloquei Betinho na vaga de Tozo para buscar o gol de qualquer jeito. Sem dúvida alguma, nunca vi algo parecido com o que aconteceu hoje (último sábado) e tenho certeza que eu vou morrer e não vou ver jamais”.
Enquanto isso, o zagueiro Batata, que estava fazendo aniversário no dia do jogo, não escondia a tristeza por ter recebido este “presente de grego”. “Não tenho explicação. Tivemos a chance para subir, mas não soubemos aproveitar. Saio daqui triste, principalmente por ter acontecido no dia do meu aniversário”.
Já o volante Cleisson viu o resultado como injusto. “O Grêmio não fez nada e catimbou o jogo todinho. Bruno (Carvalho) e Ademar estavam confiantes no momento dos penais, mas a bola não quis entrar. Fico triste pelo fato do Náutico não ter conseguido subir. Faltou muito pouco. Sem dúvida nenhuma, eu preferia ter perdido por 3×0. Não sei como passei por uma situação dessas”, justificou.
Questionado se há possibilidade de continuar no clube alvirrubro, Cleisson respondeu: “Meu contrato acabou hoje (último sábado) e existe a possibilidade de renovar. Eu só não volto para o Sport”.