O CLÁSSICO DAS EMOÇÕES E DOS SONHOS
POR LUCÍDIO OLIVEIRA
Expectativa de muitos gols cercava o clássico à tarde na Jaqueira.
Nem tanto pelo que se tem presenciado nos últimos tempos, digamos nos últimos trinta, trinta e cinco anos, quando os times do Náutico e do Santa se enfrentam. Ainda está na lembrança do torcedor as decisões de 74, 89 e a de 93. Escores apertados, gols em cima da hora, resultado final indefinido até a última volta do ponteiro.
É que em futebol, emoção é sinônimo de gol. E Náutico x Santa Cruz não é o Clássico das Emoções? O que esperar senão gols, muitos gols, num jogo que conta com a participação de artilheiros como Bita, Nunes, Ramón, Jorge Mendonça, Luciano e Baiano, os mais destacados que já passaram pelos nossos gramados? E é porque, sem que se tenha uma justificativa plausível, não estavam participando do jogo Tará, Ivson, Fernando Santana, Betinho e Bizu.
Precisamente às 15 horas e 30 minutos, estavam os dois times perfilados no gramado, assim constituídos:
Náutico: Lula, Gena, Beliato, Fraga e Marinho Chagas; Salomão, Ivan Brondi e Jorge Mendonça; Nado, Bita e Baiano. Técnico: Muricy Ramalho.
Santa Cruz: Detinho, Carlos Alberto Barbosa, Ricardo Rocha, Aldemar e Pedrinho; Givanildo, Zé do Carmo e Luciano Veloso; Mazinho, Ramón e Nunes. Técnico: Evaristo de Macedo.
O jogo, não poderia ser diferente, começou a todo vapor. Detinho e Lula tiveram logo de saída que mostrar todas as suas habilidades em defesas sensacionais. O escore, por isso mesmo, não demoraria em ser aberto. E foi o Náutico quem teve essa felicidade. Aos 12′, Bita acertou de fora da área, pelo alto, um daqueles seus petardos que deram origem ao apelido. O Homem do Rifle. Um gol que fez lembrar um outro de sua autoria, um dos dois no empate em 2×2 contra o Vasco pela Taça Brasil de 1965. Ainda hoje Gainete, o goleiro vascaíno, não sabe por onde a bola entrou e só sabe que ela entrou porque viu, olhando para trás, a rede balançando.
Com o gol de Bita, a torcida alvirrubra na Jaqueira foi ao delírio. O segundo gol timbu era só uma questão de tempo. E o tempo foi generoso com os alvirrubros. Três minutos depois, numa troca de passes no melhor estilo argentino, no toco e me voy, quando já não se sabe naquele instante com quem está a bola, Salomão, Marinho, Jorge Mendonça e Baiano chegam juntos à porta do gol com ela dominada. O artilheiro Baiano só tem o trabalho de desviar do goleiro. Ele e Detinho, mais ninguém para atrapalhar. Uma ginga de corpo, a bola no canto, o goleiro no outro. Um golaço.
Goleada à vista já no primeiro tempo? Nem pensar. Do outro lado estava o Santa Cruz. E isso não quer dizer pouco. Num time que tem Luciano, Mazinho, Nunes e Ramón, tudo pode também acontecer em matéria de gol. E foi exatamente o que aconteceu aos 32′. Um passe milimétrico de Givanildo, a bola enfiada entre Beliato e Gena, vai encontrar Nunes livre de marcação. A arrancada em passos largos, o chute enviesado pelo alto de perna canhota. Quantos ele já não havia marcado assim? O gol faz renascer as esperanças tricolores.
E quando toda aquela gente, nas apinhadas e apertadas arquibancadas de madeira do velho campo da Jaqueira, pensava que o primeiro tempo ia acabar com a vantagem alvirrubra, por sinal merecida, veio o empate. Quem tem Luciano no time não pode se entregar antes do apito final. O lance desta vez acontece pelo lado direito do ataque tricolor. As subidas de Marinho… Mais ainda quando o momento é de empolgação e o time tem o domínio do jogo. Um vazio nas costas do Diabo Louro alvirrubro, a bola lançado por Luciano vai encontrar Mazinho, livre na entrada da área. Não restava outro recurso a Fraga. A falta era inevitável, mesmo com o risco do cartão, o que terminou ocorrendo.
Luciano, a bola e a barreira, Lula no gol. Parece até um hai-kai. Um cenário para filme de suspense, isto sim. Dali, é muito difícil Luciano errar. E o primeiro tempo termina assim, empatado. Dois gols para cada lado. Restavam apenas dois minutos para terminar a primeira fase. Com Luciano não se brinca.
O segundo tempo reservaria muito mais emoção ao torcedor.
O Náutico voltou disposto a logo tudo decidir. Muricy tinha conversado nos dias que antecederam ao clássico com Duque, Orlando Fantoni e Ênio Andrade. Tinha o time na mão. Conhecia um por um o jeito dos meninos jogarem E, ali mesmo à beira do gramado, na hora da laranja e do refrigerante – o campo da Jaqueira não tinha vestiário – mostrava aos seus pupilos que o time do Náutico era superior. Bastava um pouco mais de seriedade a Marinho. E mais empenho de Jorge Mendonça. Para que a vitória viesse, melhor era tratar logo de definir o placar.
Salomão e Ivan tomaram conta da meia-cancha. Os lançamento para Nado passaram a ser feitos com mais freqüência. O veterano Pedrinho, o lateral tricolor, não ia agüentar por muito tempo. As bolas chegavam ao ponteiro em triangulações pela direita, com Gena, Salomão e ele próprio, Nado, que se encarregava então, a partir da bola dominada, de levar a defesa coral ao desespero. Ademar, preocupado com Bita, e tinha ele lá suas razões, já não contava com o mesmo fôlego do início para o socorro ao seu companheiro da lateral-esquerda, alvo dos irresistíveis dribles de Nado.
E foi numa jogada assim, bem junto à linha lateral do campo, na altura da linha média, que começou a ser desenhado o terceiro gol alvirrubro. O relógio marcava 15′ do tempo complementar. Uma sucessão de dribles é dado por Nado em Pedrinho, levando o defensor coral a recuar e permitir que a disputa agora estivesse acontecendo na zona perigosa da lateral da área. O centro partiu certeiro. A bola vai encontrar a cabeça do mano Bita, de frente para o gol, pela direita em cima da linha que demarca o limite da pequena área. A cabeçada é como se fosse um chute com o pé direito, o forte de Bita. Detinho estica-se todo e salta como um pássaro, tentando desviar a bola para escanteio. Já fizera isso inúmeras vezes. Naquele jogo mesmo e desde que chegara triunfalmente ao Arrruda.
Inútil é esforço do goleiro. A cabeçada tinha o endereço certo.
O jogo a partir daquele instante ficou ainda mais empolgante. Empolgante e nervoso. Mas não estava decidido. A diferença de apenas um gol é muito traiçoeira em futebol. E o que não faltou foi chance ao Santa para chegar ao empate. Com Ramón, duas vezes. Com Nunes, com Mazinho. Mas não é à-toa que Lula Monstrinho está se candidatando a ser daqui a pouco goleiro da Canarinha, uma das feras de Saldanha para as Eliminatórias da Copa de 70. O que Lula fez de defesa no jogo de ontem não está escrito. Só vendo para acreditar. Contando, parece milagre.
O jogo caminhava nesse ritmo alucinante. Vitória apertada do Náutico ou empate do Santa Cruz? Esse poderia, sim, acontecer a qualquer momento. Foi quando se deu o momento luminoso do 4º gol alvirrubro. Gol que definiu a partida. Jorge Mendonça foi o seu autor. E somente ele era capaz de um gol assim. O lance é de fácil descrição. Marinho em arrancada fulminante pela esquerda, puxa o contra-ataque alvirrubro. Ao se aproximar da área, sai da perna direita do potiguar um venenoso torpedo com direção certa. O milagreiro Detinho porém consegue com as pontas dos dedos desviar a bola para escanteio. O esquinado é batido por Nado, na medida. O centro preciso pelo alto. Sobem vários jogadores. A bola sobra para Jorge Mendonça. Muita gente à sua frente. Uma floresta de pernas e chuteiras. Mas ali naquele exíguo condomínio povoado por zagueiros vigorosos e volantes aguerridos, só Jorge Mendonça vê o que ele vê. O espaço é mínimo, exige lucidez. A jogada é então realizada como se uma fotografia tivesse sido tirada antes. A bola é tocada de bico e sai fazendo uma incrível curva. Passa por cima da cabeça do gigante Ricardo Rocha (como joga, esse cara!), que não consegue desviá-la. Era o único caminho possível para chegar ao fundo da meta. Detinho, estático, assiste a parábola desenhada pela trajetória da bola. E nada pode fazer. O jogo estava definido, até porque já são jogados 42′ do tempo final. É só esperar o tempo correr.
Bita porém não está satisfeito. Quer mais. A torcida também. E o 5º gol acontece nos descontos, aos 47 minutos. É o último lance do jogo. Um belo gol, de voleio, aparando Bita uma bola lançada com maestria pelo alto por Salomão.
Todos no Náutico jogaram bem. O dono do jogo porém foi Ivan Brondi. Um futebol que não aparece, discreto. De uma eficiência porém a toda prova. Não perdeu uma dividida. Não errou um passe. A Muricy, igualmente, os loiros da vitória. Ganhou também de goleada de Evaristo de Macedo. É no meio do campo que o jogo acontece. E ali a disputa foi desigual, com o exuberante futebol de Salomão, Ivan, Jorge Mendonça e, não dando bolas para sua obrigação primeira de cuidar do ponta adversário, de Marinho e seu futebol dez anos na frente dos outros. Muricy explorou muito bem o que tinha em mãos. Tinha os melhores e soube distribui-los com inteligência para uma melhor ocupação da meia-cancha.
Do lado de fora do campo, festejado pela torcida pelos três gols marcados, Bita lembrava aos repórteres os bons tempos do Hexa. Mais precisamente 1964. Com aqueles mesmo números, 5×2 no placar, tinha saído do campo igualmente festejado pela torcida timbu em duas oportunidades. Em jogo contra esse mesmo Santa Cruz, nos Aflitos, e um mês depois contra o maior rival, o Sport.
O mediador da partida foi o senhor Sebastião Rufino, árbitro da Fifa. Uma atuação correta. A sua indicação tinha sido recebida com serenidade e confiança por ambas as torcidas e dirigentes dos dois clubes. O Santa Cruz estava acostumado a ser campeão com Rufino no apito. Tinha sido assim em 70, 71 e 72, na jornada do penta. E seria assim também no bicampeonato do final da década, em 78-79. Não tinha do que reclamar. Quanto ao Náutico, o raciocínio era cristalino: tudo de mal que o nosso juiz nº 1 poderia fazer contra o clube, os equívocos, os erros e as omissões, tudo que tem direito um árbitro de futebol numa partida contra um só time, já havia ocorrido em 1975, na nefasta decisão contra o Sport. Outra não era possível. E, superstição à parte, o Náutico também já tinha sido campeão mais de um vez com Rufino
Nunca ouvi falar nesse jogador.
NÁUTICO CONTRATA VOLANTE NUNES.
O Náutico anunciou nesta sexta-feira a contratação do
volante Nunes, revelado pelo Grêmio e que estava no Guarani,
de Campinas. O jogador é a sexta contratação do time
pernambucano para a temporada 2009.
Eduardo Martins Nunes, 24 anos, foi revelado pelo Grêmio em
2005, ano em que o clube gaúcho conseguiu o acesso para a
elite do futebol nacional vencendo justamente o Náutico na
histórica Batalha dos Aflitos.
Emprestado ao Guarani no início de 2008, Nunes ajudou o
clube paulista a conseguir o acesso para a Série B do
Brasileiro. Ainda pertencente ao Grêmio, o volante chega
emprestado ao Náutico até dezembro de 2009.
Nunes é o sexto reforço do Náutico até o momento.
Fonte: TERRA ESPORTES
Saudações ALVIRRUBRA
Antonio Luna
Belo Horizonte
Tem alguma imagem desse time do hexa na internet, por ex., no YouTube?
Onde tem clássico dos clássicos,leiam:
clássico das emoções.
O próximo clássico dos clássicos será nos Aflitos dia 01/02.NÁUTICO X santa.