QUEM FOI FERNANDO CARVALHEIRA?
Nas próximas rodadas, o ídolo Kuki irá ultrapassar uma marca histórica: Os 185 gols de Fernando Carvalheira pelo Náutico. A torcida deve se perguntar: Quem foi Fernando Carvalheira? Esse artilheiro de bigodinho, sério e compenetrado, que surge nas antigas fotos dos jornais? Fernando Carvalheira foi o primeiro grande artilheiro de Rosa e Silva. Um goleador que nunca perdeu um pênalti. Irônico, gostava de avisar ao goleiro adversário onde iria bater. Exímio cabeceador, seus gols ajudaram a transformar o futebol do Clube Náutico Capibaribe em realidade.
Futebol para Fernando era sinônimo de família. Ao lado de Arthur, Zezé e Emídio, o menino batia sua bolinha nos campinhos do Recife. Sempre fazendo seus gols, sempre se imaginando com a camiseta alvirrubra. Triste, acompanhou seu clube do coração sagrando-se vice-campeão em 1926 e 1931. Deixando escapar o título por um capricho do destino. Mesmo destino que o levou a dar o pontapé inicial no jogo do dia 12 de junho de 1932 contra o Sport, no Campo da Avenida Malaquias. Sua estréia em jogos oficiais pelo Náutico. O rubro negro, franco favorito, teve de amargar uma derrota por 3 x 2 ante os antigos rivais. Fernando não marcou, mas sua movimentação abriu espaços para os gols de Manoel e Zezé. Elogios de todos, noite intranquila: Centroavante que não marca, perde a vaga!
3 de julho de 1932. Náutico e Torre se enfrentam. O Torre que tirou o título de 1926 do alvirrubro. Fernando observa as camisas inimigas. Lembra seu desespero naquele dezembro de 1926. O Torre vencendo o Náutico por 3 x 1 e botando as duas mãos no campeonato estadual. Fernando na arquibancada, querendo ser adulto, desejando marcar os gols perdidos por Djalma e Fraga. Seis anos se passaram, o Timbu está avassalador. O primeiro tempo termina 4 x 0. Fernando passando em brancas nuvens. Quando eram transcorridos 18 minutos do segundo tempo, a defesa do Torre vacila, o jovem centroavante entra cara a cara com Xexéu e fulmina. Sem perdão. Estava liquidada a dívida com o campo dos sonhos. Ainda mais que, no final da peleja, Fernando marca mais um tento, decretando a goleada por 7 x 1.
1932 e 1933 seriam anos tricolores. Fernando Carvalheira observava os gols de Tará. O Náutico não se acertava.O artilheiro capricha. Marca 7 gols em 1932, 13 gols em 1933. Era pouco. Então, o craque transforma-se em máquina de fazer gols. Deixa a bola no barbante 26 vezes no certame de 1934. O Náutico goleia o Sport por 8 x 1 com três tentos de sua autoria. Uma semana depois da goleada, Fernando paga outra dívida, desta vez com com o Santa Cruz. O Náutico sagra-se pela primeira vez campeão estadual, vencendo por 2 x 1 na final a equipe coral, com um tento de sua autoria. O craque, torna-se também, pela primeira vez, artilheiro do certame, feito que irá repetir no ano seguinte.
Durante 10 anos, Fernando foi o símbolo da esquadra timbu. Em 1939, o Náutico vence novamente o pernambucano. Novamente com um gol do artilheiro. Seu gol de número 183. Uma contusão o afasta do gramado em 1940. Joga três partidas em 1941. Sem marcar gols. O ano de 1942 parece uma repetição do ano anterior. A rede não balança. Os reflexos repousam lentos. As defesas adversárias marcam em cima. O drible e a arrancada pertencem ao passado. O ídolo pensa em parar. Surge pela frente, ironia, o Santa Cruz. Fernando olha do seu lado e não encontra Zezé. Onde está Arthur? Ele sorri. Pois do seu lado está o genial Orlando. Fernando fecha os olhos e lembra os campinhos da infância: ‘Cruza a bola ‘Emídio!’. Quem cruza é Plínio. A pelota chega aos pés de Fernando que toca de leve para o fundo das redes tricolores. É o segundo gol alvirrubro que goleia o Santa Cruz por 4 x 0, para espanto dos jornais. É o seu gol de número 184.
10 de maio de 1942. O mundo em guerra. O Náutico joga contra o Great Western. Orlando toca para Wilson que abre a contagem. Jogo duro. O Great Western empata. Eram transcorridos 40 minutos do primeiro tempo. Plínio, sutil, encontra Fernando desmarcado. No segundo seguinte, gol. O Náutico vira a partida e vence por 4 x 1. Foi o último gol de Fernando Carvalheira.
No dia 21 de maio de 1942, o artilheiro entra em campo contra o América. Uma época do futebol pernambucano está prestes a terminar. O Náutico ganha o toss. Fernando bate o centro como em 1932. Aos 6 minutos de jogo, recebe de Alencar e descobre Wilson livre. Náutico 1 x 0. O América vira a partida. Wilson empata. Aos 23 minutos do segundo tempo, o último lampejo do craque. A pelota repousa nos pés de Fernando. Cercado pelos zagueiros do América, ele descobre Plínio livre. Náutico 3 x 2. A festa toma conta do antigo Estádio de Rosa e Silva. Em silêncio, Fernando Carvalheira chama Orlando de lado e lhe entrega o comando do ataque. Sem festa de despedida. Com a certeza do dever cumprido com a paixão de criança. Fernando Carvalheira sai das quatro linhas para entrar na história. O maior artilheiro alvirrubro em estaduais. Com a inacreditável marca de 141 gols em 145 jogos. Gols feitos de arte, raça e do mais apaixonado coração alvirrubro.
É ROBERTO VIEIRA,
DEPOIS DESSA BELEZA DE HISTÓRIA, ME DESCULPEM OS "KUKISTAS" MAS NINGUÉM MERECE ULTRAPASSÁ-LO.
COMPARAÇÃO ENTÃO NEM PENSAR.
Parabéns ao nobre colaborador por mais esse gol de letra e obrigado por tão importantes informações. Como um torcedor das antigas gosto de lembrar e conhecer mais a respeito dos craques de verdade e de antigamente. SAUDAÇÕES ALVIRRUBRAS!
Théo Sabiá.
Parabéns, ROBERTO VIEIRA,
Um verdadeiro resgate da história de um grande jogador, naqueles tempos do amadorismo, em que o coração falava mais alto do que o "tilintar dos níqueis".
Saudações Alvirrubras!!!!!!