O Palmeiras volta a Recife nesta segunda-feira para enfrentar o Náutico. O encontro coloca frente a frente um dos candidatos ao título brasileiro contra um dos virtuais rebaixados para a Série B. Parece jogo mequetrefe, desses que se compra em qualquer esquina. Porém, como quase tudo na vida, o encontro entre alvirrubros e palestrinos tem história.
Iniciada na inesperada Belo Horizonte no dia 27 de março de 1955, vitória paulista por 2 x 1, em duas falhas do célebre arqueiro Manuelzinho, com gols de Ney, Liminha e Ivson descontando para o Náutico. Prosseguindo na primeira visita do Palmeiras a Pernambuco para o Quadrangular do Recife em maio de 1955. Nova vitória paulista, desta vez com gols de Humberto, mas com Ivson deixando novamente sua marca.
Até então era tudo amizade.
Até a despedida do atacante Rinaldo dos Aflitos. Rinaldo cedido ao Palmeiras em março de 1964.
Quis o destino, a despedida de Rinaldo fosse celebrada com uma partida entre as duas agremiações. Mais uma vitória palmeirense.
Entretanto, dois fatos tornam esse jogo digno de registro.
O primeiro é que foi a última partida da década de 60 em que Náutico e Palmeiras disputavam um jogo com vitória previsível. O clube pernambucano iniciava uma caminhada que o levaria por três vezes às semifinais da Taça Brasil e à Taça Libertadores de 1968. No caminho, jogos inesquecíveis contra a Academia de Ademir da Guia.
O segundo fato é normalmente esquecido.
A despedida de Rinaldo ocorreu no dia 31 de março de 1964.
Recife, e o Brasil, entravam na longa noite da ditadura militar. Torcedores que passaram a madrugada comentando a partida pelos botecos recifenses, descobriram um amanhecer com tanques, soldados e tiros pelas ruas. O verde palestra era trocado pelo verde oliva.
Foram Vasconcelos e Jorge Mendonça.
Vieram Toninho Vanusa e Fedato.
Partiu o veloz e imprevisível Mirandinha.
Veio o enigmático Bizu.
Mas eleição pra presidente só no distante 1989.
Hoje o Conselheiro do Náutico Muricy Ramalho comanda a nau do Parque Antarctica.
Muricy prestes a consagrar-se tetracampeão nacional.
Pra quem acha que é pouca história, uma lembrança final.
Foi contra o Clube Náutico Capibaribe.
Que o genial Julinho Botelho despediu-se da amada camisa palmeirense.
Pra relembrar tempos tão irreais?
Uma seleção de velhas imagens com música italiana.
E quem sabe um bom vinho tinto que ninguém é de ferro?