MURICY

Nos Aflitos, Muricy Ramalho se sentia em casa. Bem tratado pela diretoria do Náutico e querido pelos torcedores, o técnico do Palmeiras foi recebido com festa e homenagens pelos serviços prestados ao clube no passado. Mas aquela que o treinador chamou de “segunda casa” o traiu novamente. Desde que o Náutico voltou à primeira divisão do Brasileiro, em 2007, Muricy não consegue vencer seu ex-clube, que comandou entre 2001 e 2002. Foi assim nos últimos dois anos, quando visitou o time pernambucano com o São Paulo. Foi assim na tarde desta segunda-feira, quando saiu do estádio alvirrubro derrotado por 3 a 0, pela equipe que ocupa.

E o baque para Muricy, técnico do líder do Brasileiro, veio cedo, logo aos seis minutos de jogo. Após um levantamento na área, a bola sobrou para Cláudio Luiz fazer 1 a 0 e começar a irritar o treinador palmeirense. E começar a festa para os verdadeiros donos da casa pernambucana.

Sem Diego Souza, Armero, Edmílson, Vagner Love e Obina, Muricy se virou como pôde com a equipe. E, em certos momentos, virou torcedor. Como nas defesas de Marcos, aos 11 minutos, depois de um chute de Carlinhos Bala, e Irênio, aos 24 minutos. Para chamar a atenção dos seus jogadores, ele gesticulava e gritava. Em vão.

Não adiantava Robert ou Ortigoza se esforçarem na frente. O líder do Nacional desde a 15ª rodada parecia perdido. E Muricy se irritava. Cruzava os braços na frente e nas costas, reclamava de seus jogadores. Cobrava uma marcação mais forte e subidas ao ataque mais precisas. Enquanto isso, o Náutico rodava a bola e envolvia o visitante. E ampliava a vantagem.

Aos 42 minutos, Carlinhos Bala, em velocidade pela direita, cruza para Bruno Mineiro fazer a torcida do Timbu, vibrar e cantar com os 2 a 0. “Quer dançar? Quer dançar? O Timbu vai te ensinar”, diziam os alvirrubros, enquanto o Palmeiras dançava na tentativa de ampliar a sua folga na tabela para o São Paulo – a briga entre os paulistas segue 54 a 49.

Na saída para o intervalo, um Muricy cabisbaixo. O braço do treinador só se levantou perto das arquibancadas. E não como bronca, mas sim para acenar. A torcida do Náutico gritava o seu nome freneticamente, sem parar, entusiasmada pelas lembranças dos títulos pernambucanos de 2001 e 2002.

Mas a tônica do primeiro tempo persistia na etapa derradeira. Impaciente, Muricy alternava entre braços cruzados para frente e para trás, além dos tradicionais gestos para achar a atenção dos seus jogadores. Aos 12 minutos, ele trocou Souza e Figueroa por Sandro Silva e Wendel.

Porém, as alterações não resolveram e o Palmeiras voltou a ser vazado. Depois do gol de Bruno Mineiro, o terceiro do Náutico, Muricy pareceu murchar. A entrada de um terceiro zagueiro, Paulo Miranda, também não resolveu. O Palmeiras estava batido e Muricy saia mais uma vez derrotado dos Aflitos, como já havia dito o presidente do Náutico Maurício Cardoso, em conversa com o GLOBOESPORTE.COM, prevendo ainda um novo título para o ano no fim do ano.

Depois dos 3 a 0, Muricy saiu desolado. Vez ou outra era parado por algum funcionário do time pernambucano para cumprimentos. A cabeça baixa do treinador só se levantou novamente perto das arquibancadas, quando os torcedores do time de Recife gritaram seu nome. Mais um aceno antes da partida.

- Ele (Maurício Cardoso) disse que vou ser campeão? Tomara que esteja certo. Mas você deveria ter perguntado a ele também os números da loteria – comentou Muricy, com cara de poucos amigos.

Uma resposta a MURICY

  1. Júlio de Lemos disse:

    Realmente, IVAN BARROS,

    A "OLA" FOI FANTÁSTICA!

    ALIÁS, AS "OLAS"… FORAM 06 AO TODO.

    HEXOLAS!!!!!!

    Saudações Alvirrubras!!!!!!

  2. Ivan Barros disse:

    A torcida realmente deu show ontem, principalmente na hora
    da "ola", coisa que não se vê muito por aí.

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