Carta do alvirrubro Edgar Mattos.
Confira:
Lucidio, amigo velho, eu que, igualmente setentão, sou também alvirrubro apaixonado, da estirpe dos que, como você, jamais vaiaram o time do Náutico, nem jamais denegriram o nosso clube, não o confundindo com indignos dirigentes, não posso aceitar suas palavras de tanto desalento, nem admitir um torcedor da sua tradição e da sua grandeza jogar a toalha da rendição.
Lembre-se do que escreveu certa feita, consagrado autor da história do alvirrubro pernambucano, rememorando a saga do Náutico nos anos 90:
“Na segunda metade da década, o Náutico chegaria de fato ao fundo do poço. Em 97, ultrapassado na tabela de pontos por clubes modestos, como o Porto, vice-campeão, o Recife e a C abense, restava-lhe um desmoralizante sexto lugar na classificação final. No ano seguinte, mais uma vez deixando passar a sua frente o Porto, um time do Interior, sem história e nenhuma tradição no nosso futebol, terminou se contentando com um pálido terceiro lugar…
“… caindo tecnicamente pelas tabelas, não tinha mais nenhum crédito. Ninguém mais respeitava o glorioso clube dos Aflitos…” “A história e as tradições do clube eram simplesmente esquecidas, e, o que é pior, confundidas com a precariedade técnica do time no momento, com aquilo que o poeta disse ser transitório e provisório. Esqueciam os críticos as lições deixadas por Carlos Pena Filho. Mesmo que tudo esteja perdido, ainda resta apelar para o acaso…
“Ao clube alvirrubro, envolvido por um turbilhão de dívidas e ações trabalhistas que lhe consumiam cruelmente todo o seu orçamento, que pela própria lógica do mercado já não era grande coisa, restava-lhe tão-somente lutar para não afundar de vez”. “No início de 2001, o time vivia, pois, essa dolorosa situação. Atolado na divisão de baixo do futebol brasileiro, balançando entre as agruras deste e os percalços da disputa doméstica.”… “Depois, é do futebol mesmo. Ele tem muito disso. Um time que não vem bem num determinado período, ou até mesmo no correr de uma competição, e de repente se agiganta diante do impossível, precisamente quando vai enfrentar ou está enfrentando o seu principal rival. Forças como que adormecidas ressurgem do nada. Torcedores, dirigentes, jogadores, como que tocados pela vara mágica da história, acreditam que é possível e saem de mãos dadas em busca da vitória reabilitadora, mudando o curso de um jogo ou de um campeonato inteiro. Foi precisamente o que aconteceu em 2001 com o Náutico”
Foi com você, meu caro Lucídio, com suas palavras impregnadas de paixão e de sabedoria, que nós, torcedores do Náutico, aprendemos a nunca desanimar. Mesmo quando tudo parecer perdido. Esperar sempre. Pelo milagre, pelo acaso, pela superação.
Por isso, velho amigo, VOCÊ NÃO! Você não pode desertar. Quem, armado com as lições da História, haverá de nos ensinar a Esperança? Você que, qual um bravo chefe Timbira, sempre nos reanimou, como que a conclamar aos mais jovens a coragem de verdadeiros jucas piramas:
“Não chores meu filho
Não chores que a vida
É luta renhida
Viver é lutar
Se o duro combate
Aos fracos abate
Aos fortes, os bravos
Só pode exaltar”
Vamos lá, Mestre Lucidio, um líder como você não pode fugir à luta!
Se o Jequitibá desaba o que será do resto da floresta?
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