No dia 17 de fevereiro de 2006 faleceu em Campinas-SP, o ex-jogador Jorge Mendonça. Ele foi um dos jogadores mais habilidosos do futebol brasileiro, e um grande artilheiro. Marcou 375 gols na sua carreira, depois de jogar por oito clubes e pela seleção brasileira. Pelo Náutico chegou a marcar mais de 150 gols, sendo artilheiro do campeonato pernambucano de 1974 com 24 gols.
Só que o primeiro a gente nunca esquece. Remontamos-nos ao passado, Julho de 1973. Eu estava passando férias em Pacajus-CE e, às 18 hs em ponto, todos os dias, parava o que estava fazendo e ligava o grande rádio do meu avô, para ouvir a resenha esportiva, pois no horário da noite dava para pegar as ondas da Rádio Clube de Pernambuco. E as notícias daquele dia foram animadoras. “Desembarcou nesta tarde, o jogador Jorge Mendonça, 19 anos, revelação do campeonato carioca jogando pelo Bangu. Veio acompanhado pelo diretor Sebastião Orlando, que disse estar montando um super-time, para impedir o Hexa-campeonato do Santa Cruz.
Já tínhamos em nossas fileiras os jogadores Paraguaio, Vasconcelos, Dedeu, Beliato e, “seqüestramos” o Betinho, do Santa Cruz. Uma frase que ouvi do Sebastião Orlando no rádio, lá no longínquo interior do Ceará, me deixava esperançoso. Ele dizia ao repórter: “esse jovem atacante vai dar muitas alegrias ao Náutico”!
Começava o Brasileirão de 1973. Na estréia um empate fora de casa contra o Ceará, 2X2. Em seguida, no dia 30 de agosto, vitória em casa contra o Atlético-PR, gol do lateral Borges. Este jogo marcou a estréia de Jorge Mendonça pelo Náutico, quando ele entrou no 2° tempo, no lugar de Paraguaio. Depois fomos derrotados pelo Remo em Belém por 1X0, empatamos com o Santa Cruz no Arruda em 0X0, e na sequência, nova derrota fora de casa, dessa vez para a Desportiva-ES, por 1X0, uma quarta-feira à noite.
O domingo 16 de setembro ficou reservado para ser um grande dia. Um grande jogo. O Náutico enfrentava o Vasco da Gama, que vinha montando um grande time, e que ganharia o brasileirão de 1974. Em suas fileiras nomes como o do goleiro Andrada, dos zagueiros Moisés e Renê, do volante Alcir e do meia Zanata, além do ponta Jorginho Carvoeiro. O Vasco vinha desfalcado do seu maior artilheiro, Roberto Dinamite. Pelo Náutico nomes modestos como os zagueiros Djalma Sales e Miro, do lateral Franklin, e o volante Divino. As nossas esperanças estavam depositadas no ataque, que neste dia contou com Betinho na ponta direita, Jorge Mendonça, Paraguaio e Elói pela ponta esquerda.
Vasconcelos abriu o placar para o Náutico aos 11 minutos do 1° tempo. No 2° tempo Renê, zagueiro do Vasco empatou aos 23 minutos. Apesar do jogo em casa, um empate contra o Vasco, não era de todo um resultado ruim. Foi aí que brilhou pela primeira vez a estrela daquele que viria a ser um dos maiores craques do futebol brasileiro. Aos 38 minutos, num cruzamento na área de Franklin, Jorge Mendonça sobe em grande estilo, mais alto que os zagueiros Moisés e Renê e, de cabeça, coloca a bola no ângulo esquerdo de Andrada, que fez uma ponte tentando alcançar a bola, sem sucesso.
Gol do Náutico. Gol de Jorge Mendonça. O primeiro de uma série de 152 gols. Um golaço! Festa dos 18.600 alvirrubros presentes no Arruda. Naquela época a Paraíba ainda tinha futebol.
Fim de jogo. Vitória do Náutico por 2X1, frente ao grande time do Vasco. Começava naquele dia a era Jorge Mendonça no Náutico. Mais de 150 jogos, mais de 150 gols. Quase uma média de 1 gol por jogo.
O ano de ouro foi o de 1974. Campeão estadual, impedindo o Hexa do santa Cruz, 42 jogos invictos, ainda com Neneca batendo o Record de 1.642 minutos sem levar gol, e o Náutico fazendo uma bela campanha no brasileirão daquele ano, com Jorge Mendonça como vice-artilheiro (14 gols).
Jorge Mendonça era um jogador diferenciado. Dentro de campo tinha um estilo elegante, clássico, com toques refinados na bola, além de chutes certeiros. Era exímio cabeceador. Cansou de fazer gols de cabeça, em cruzamentos de Dedeu. Diz a lenda que Sebastião Orlando prometia bicho extra para cada cruzamento de Dedeu na área.
Em 1976, Jorge Mendonça teve seu passe comprado pelo Palmeiras. Na negociação vieram defender o Náutico os jogadores Fedato, Toninho Vanusa e Mário. Jorge Mendonça ajudou o Palmeiras a conquistar o Paulistão de 1976, fazendo o gol do título na final. Na passagem pelo Guarani, foi artilheiro do Campeonato Paulista de 1981, com 38 gols.
Jorge Mendonça perdeu muita coisa com sua vida irregular. De imóveis em Recife, outros tantos em São Paulo e Rio, carros, telefones e, principalmente, o carinho da mulher e dos filhos Fabiana, Christiana e Jorge Júnior. Uma pena! Triste fim de uma estrela, que eu vi brilhar naquele domingo 16 de setembro, há 37 anos.
“Aquele seu primeiro gol com a camisa do Náutico nos deixou saudades”!
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Pra mim já era esperado o nautico não passar pelo vasco, pois o time não esta essas coisas toda e do jeito q vai domingo vai apanhar do Sport.
Já se vai longe os tempos em que tínhamos jogadores realmente diferenciados. E esse era um deles que, igual ao imortal e imcomparável Garrinhca, se deixou levar pelas fraquesas fora de campo, tudo inerente aos pobres mortais, que a mídia a cada dia insiste em fantasiar mais e mais como se fossem deuses. Bom descanso, honorável guerreiro, e que Deus o tenha.
Sabiá.
FORAM 03(TRÊS) GOLS CONTRA O CENTRAL, 4(QUATRO) CONTRA O AMÉRICA E 03(TRÊS) CONTRA O VASCO. SÃO DEZ..DEZ …DEZ GOLS NOS ÚLTIMOS TRÊS JOGOS. NÃO VOU NEM FALAR DO JOGO DE HOJE ,POIS FOI UMA VERGONHA A NÍVEL NACIONAL, MAS TIME QUE LEVA 4(QUATRO) GOLS DO AMÉRICA QUER GANHAR ALGUMA COISA NO PERNAMBUCANO?? FORA ROBERTO MERDA FERNANDES!!!!!!!