MATÉRIA ESPECIAL

O campeonato pernambucano de 2011 foi um dos mais chatos e emocionantes da história do nosso futebol.

Chatice porque se falava demais no hexacampeonato; emoção porque se falava demais no hexacampeonato.

Tudo parecia ser movido por uma idéia fixa (coisa de doido) do Náutico em defender o luxo do hexa; tudo parecia movido por uma obsessão (coisa de doido) do Sport em desbancar o rival e apagar este incômodo slogan.

O campeonato parecia uma disputa limitada a dois clubes.

O Santa, ah, pobre Santa, era uma carta fora do baralho: um simples figurante, ao lado de coadjuvantes menores sem chances de disputar pra valer.

Grande engano.

No final, o hexa do Náutico sofreu um abalo moral, mas o Timbu preservou, graças ao Santa, o ineditismo estatístico do feito.

O Tricolor sagrou-se um heróico campeão e colocou na sua galeria um título cheio de lições e significados: em futebol, não se vence por antecipação; o odioso desequilíbrio financeiro entre os competidores, lamentavelmente, conta, mas não prevalece diante da força do espírito coletivo, da virtude briosa da humildade e da extraordinária capacidade de superar as próprias limitações com muita luta e aplicação tática.

Por sua vez, o Sport colheu frustração diretamente proporcional às expectativas que gerou a partir das possibilidades reais que tem assegurado ao Leão da Ilha o reinado em matéria de conquista de títulos. O clima criado veio de manifestações da torcida (“o hexa é obrigação”), dos dirigentes que se diziam dispostos a “tudo” para ganhar o título e até do treinador que disse, sem meias palavras: “o hexa é tudo”;

E de fato, tudo indicava que a hegemonia rubro-negra iria definitivamente superar a obsessão pelo hexa. Obsessão de um lado (o Sport) e idéia fixa de outro (o Náutico) cujas razões prescindem para sua compreensão de conhecimentos de psicologia humana: a série de campeonatos conquistados pelo Náutico em 1963/1968 foi mais do que uma simples sequência de títulos para afirmar um marco histórico na era de ouro do futebol brasileiro com elencos altamente qualificados, conquistados todos, em disputa direta com o grande rival rubro-negro; foi e é uma conquista atemporal, não pertence ao passado porque continua tão atual que trespassou gerações de modo que quem não viu, ouviu e vai continuar ouvindo, espero que por outros motivos que não o risco periódico de perdê-lo por negligência dos próprios alvirrubros (esta é a terceira vez).

E desta vez, ressabiado com 2001, o Sport parecia ter a receita pronta e infalível do sucesso que prescrevia o seguinte: junte 39 títulos estaduais e três títulos nacionais às parcelas vencida e antecipadas das cotas do clube dos treze e dos recentes contratos celebrados com o novo patrocinador; tempere com a vasta experiência de dirigentes vencedores não sem antes adicionar fatias espessas do produto interno de Pernambuco com nacos de picanha, envoltos no papel laminado das folhas de pagamento do elenco milionário e…pronto! Receita infalível, especialmente para vencer um adversário soterrado pela última camada do campeonato nacional (Série D) e outro com data marcada para morrer de inanição financeira, certo? Não, errado. Errado? O que deu errado?

Azedou tudo por conta da “soberância”, a mistura explosiva do pecado da soberba com sua irmã gêmea a arrogância. Justificada ou não, verdadeira ou falsa, a superioridade, quando alardeada, fere o outro, abre a guarda do arrogante e agiganta o ofendido. O resultado é trágico. Que o diga o gigante Golias diante do pequeno David.

O discurso inadequado e ferino são muitos. Seria cansativo citar. Todavia, a palavra de ordem foi dada no dia eleição do atual presidente do clube quando um espertalhão na política e bobalhão em matéria de futebol interpretou o estado de espírito reinante naquela ocasião e disse “vim votar e comemorar o hepta” (ou coisa parecida). Ali estava a síntese da soberância, palavra envenenada do orgulho que se volta contra os seus donos.

É provável que o desavisado profeta tenha razão: o Sport continuará hegemônico no futebol pernambucano e a profecia tem chances de se realizar… depois de 2017.

A propósito de profecia, porque não te calas, Pai Carlos?

Gustavo Krause foi vice-presidente executivo e presidente do Conselho Deliberativo do Náutico

Uma resposta a MATÉRIA ESPECIAL

  1. Herbert Ranilson Santos disse:

    O dinheiro é importante, a vontade é importante, a competencia é importante.
    Mas e a torcida?
    Amigos é nesse ponto que digo. No Náutico,em todos os anos que ganhamos o título foi devido a "união financeira" de alguns alvirrubros abastados. Se o máximo que conseguimos de sócios é 5500 como vamos querer ter times competitivos com uma renda minguada? Fora isso ainda temos o TCN que paga aí por volta de R$7,00 por pessoa após descontados os impostos, e isso não bota clube nenhum pra frente.A arrecadação menssal do TCN mal passa de 60000. Enquanto não coseguirmos arrecadar por nossos meios de 3 a 4 milhões menssais ficaremos por aí mesmo. Um título a cada dez anos.
    Para isso teremos que ter uma sede e um campo que atraia o torcedor porque atualmente nada atrai. JCPM fez a proposta, agora só depende de nós.

  2. Júlio de Lemos disse:

    APESAR DE TER VINDO DE "gustavo krise", DEVO RECONHECER QUE ESTÁ BEM ESCRITO.

    QUANTO À "TAL HEGEMONIA", ELA É UM FATO!

    MAS QUE PRECISA SER COMBATIDA, PRECISA!

    NISSO CONCORDO COM VOCÊ, HENRIQUE!

    Saudações Alvirrubras!!!!!!

  3. Henrique disse:

    Sergio Murilo, me permita opinar sobre seu posicionamento abaixo.
    Claro q existem outros fatores q atravancam o Náutico.Não há dúvida q a verba do clube dos 13 seria um facilitador, mas não é determinante para o sucesso ou a derrocada de um clube. Veja q de 1968 a 1987, ano em q foi criado o clube dos 13, se passaram 19 anos, e o Náutico só ganhou 3 títulos, e mesmo assim graças ao dinheiro de dirigentes, e não alicerçado na estrutura do clube. O de 75 foi bancado com o dinheiro de Sebastião Orlando, e os de 84 e 85 com o dinheiro Américo Pereira, Geraldo Uchoa, e outros.
    Não devemos mais usar o Clube dos 13 como justificativa dos nossos fracassos. O q estagnou o Náutico ao longo dessas décadas foi a omissão dos verdadeiros alvirrubros, incluindo nós torcedores. Enquanto eles nas décadas de 80/90 invadiram terras da marinha na beira do rio, e aumentaram a estrutura do Sport com ginásios esportivos, mini-campos, parque aquático, ampliação do Estádio, nossos dirigentes brigavam entre si e abandonaram o Clube

  4. José Pereira de Melo disse:

    PERFEITO HENRIQUE!

  5. Sérgio Murilo Veríssimo de Andrade disse:

    A questão não é aceitar ou deixar de aceitar, é apenas enxergar o obvio, senão vejamos, o sport entrou para o clube dos 13 no ano de 1988, de lá até hoje foram disputados 24 campeonatos pernambucanos (incluindo-se o deste ano), dos quais o sport faturou 15, o santa 5, e o náutico apenas 4. Será apenas coincidência ou má administração do nosso clube, ou tem algum outro fator ($$$$) ajudando nesse desequilibrio????

  6. Henrique disse:

    Li a matéria e me surpreendi com o autor praticamente aceitando como fato irreversível a hegemonia do Sport. Será que no seio da classe dirigente do Náutico nunca vai surgir alguém que encare esse fato como um empecilho a ser superado, ou será que estamos fadados a ver o Sport na nossa frente e nunca o olharmos pelo retrovisor? Para os vencedores nada é intransponível, pelo contrário, eles vêem as grandes dificuldades apenas como obstáculos a serem superados. Não esqueçamos que a hegemonia é muito mais fruto da fragilidade adversária do que mesmo das qualidades de quem a detém.
    Claro que não estamos fadados a sermos eternos coadjuvantes, mas infelizmente a classe dirigente do Náutico aceita muito passivamente esse papel.
    Há muito que o Náutico é uma nau em apuros, q precisa de um timoneiro que o faça superar as águas revoltas e chegar ao lugar que nos é reservado, mas que por omissão, há muito deixamos de desfrutá-lo. Precisamos nos indignar com isso. São os insatisfeitos que transformam o mundo.

  7. João Cunha disse:

    TEXTO PERFEITO, PARABÉNS, SÓ NÃO GOSTEI DOS TRÊS TÍTULOS NACIONAL!!!! PORQUE SÓ TEM UM (copa do Brasil) O DE 87 É FICTÍCIO, VEJAM QUE A FIFA DECLAROU NO SEU SITE OFICIAL O FLAMENGO HEXA BRASILEIRO. KKKKKKKKK, A SIM, FALTA UM TÍTULO, CAMPEÃO DA SEGUNDA DIVISÃO, NÃO TEM EFEITO, NÃO VAI A LUGAR NENHUM, DO PRIMEIRO AO QUARTO COLOCADO TODOS VÃO PARA A SÉRIE A, OU SEJA, SÃO TODOS IGUAIS. HEXA É LUXO E SEMPRE SERÁ. VAMOS NOS UNIR E NOS FORTALECER PARA SUBIR PARA SÉRIE A DO BRASILEIRO.

  8. Rivaldo Antonio Costa disse:

    Para ser hepa, seu "espertalhão", primeiro vai ter que passar pela HEXA.
    HEXA É LUXO!

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