SEGURANÇA

Oferecer mais conforto e segurança ao público que freqüenta os estádios de futebol é a razão primeira do recém-criado Estatuto do Torcedor. Para isso, caberá aos clubes e federações se mobilizarem para atender a todas as exigências. Em Pernambuco, os três grandes clubes garantem estar se preparando para tomar as providências. O maior desafio é criar receitas que permitam efetuar melhorias de infra-estrutura. Os estádios, sobretudo, precisarão passar por uma reforma para se enquadrarem dentro da nova legislação.

Pelo lado do Náutico, o arquiteto Múcio Jucá, responsável pelo projeto de ampliação dos Aflitos, garante que não haverá dificuldades para adaptar o estádio alvirrubro. As medidas mais simples e imediatas incluem a reforma dos banheiros e a construção de rampas de acesso às arquibancadas para deficientes físicos. Jucá aposta que em breve o Estatuto será modificado para incluir a obrigação de se instalar assentos em todas as arquibancadas.

O Náutico não terá muitas dificuldades para adaptar o Estádio Eládio de Barros Carvalho às exigências do Estatuto do Torcedor. O projeto de ampliação já determinava as especificações da Fifa, embora ainda faltem algumas reformas.

O arquiteto Múcio Jucá, no entanto, afirma que o clube saiu um pouco do projeto inicial, que será retomado. Segundo ele, vai ser preciso fazer uma reforma total sob as arquibancadas, como a reformulação dos bares e banheiros.

“Infelizmente foram feitas algumas reformas fora do projeto. Os banheiros, por exemplo, terão que ser melhorados e adaptados aos deficientes físicos. Nós colocamos algumas rampas para o acesso dos deficientes nas arquibancadas, mas ainda é preciso melhorar”, argumentou Múcio Jucá, responsável pelo projeto.

Na reforma, o Náutico remodelou o estádio para deixá-lo em condições para ser construído o anel superior. Ao mesmo tempo, o setor de cadeiras será melhorado. “Estamos tendo reuniões para retomar o projeto inicial. Já tive uma conversa com o presidente (Eduardo Araújo). Aos poucos iremos deixar o estádio com mais conforto”, ressaltou Múcio Jucá.

O Eládio de Barros Cavalho já conta com uma delegacia, que funciona nos dias dos jogos, e está sendo construído um ambulatório, que não é exigido pelo Código do Torcedor. As catracas – ou borboletas – eletrônicas funcionam desde o jogo contra o Joinville (dia 24) de forma eficiente. Já o serviço de som está funcionando desde o jogo com o Londrina.

CAPACIDADE – Devido a alguns erros na ampliação, a capacidade do estádio caiu para 18 mil espectadores sentados, quando estavam previstos 20.240. Segundo Múcio Jucá, esse problema também será corrigido, mas ele lembra que, com o Estatuto, o torcedor não pode mais ficar em pé nos jogos e que o clube não pode vender ingressos acima da capacidade real do estádio.

“O Código do Torcedor ainda vai ser modificado dentro de dois ou três anos. Estou sabendo que o próximo passo será a exigência para a colocação de cadeiras. O torcedor não vai mais ficar sentando no concreto. Mas isso só virá quando os clubes estiverem em condições de atender o Código”, explicou Jucá.

TELEVISÃO – Mesmo não sendo obrigado, o Náutico vai colocar o circuito interno de televisão (a exigência é apenas para estádios com capacidade acima de 20 mil espectadores), pois o clube atingirá em pouco tempo com as futuras reformas esse público.

Múcio Jucá, que conhece os principais estádios da Europa, lembrou que o crescimento do futebol inglês começou com a reforma e modernização dos estádios. O governo inglês entrou como parceiro, facilitando financiamentos para os clubes cumprirem as exigências da Fifa, como segurança, postos médicos, boas instalações, estacionamento, bons restaurantes, lojas e todos os tipos de serviços.

“Na Inglaterra foram necessários dois anos para os clubes reformarem os estádios. Com a modernização e o bom serviço, o público médio por jogo passou dos 15 mil para 35 mil torcedores. Ainda estamos muito longe disso no Brasil. Os clubes não estão com capacidade financeira para reformar totalmente os seus estádios”, afirmou Múcio Jucá.

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