Loteria vai entrar em funcionamento em um prazo de seis a nove meses
DISTRITO FEDERAL (Folhapress) – Ao anunciar a criação da Timemania, por meio de Medida Provisória, o presidente Lula disse que pretendia ver “dirigentes-empresários”, em discurso em maio de 2005. Era a justificativa aos benefícios visando o pagamento de dívidas, que somam R$ 900 milhões.
Ontem, com apoio decisivo do Governo, o projeto de lei que institui a loteria foi aprovado em cenário mais favorável que o da MP. No texto, não constam exigências para que os clubes se tornem empresas ou sofram fiscalização mais severa.
O presidente Lula vai sancionar o projeto nos próximos dias, segundo o Ministério do Esporte. A loteria vai entrar em funcionamento em um prazo de seis a nove meses. Pelo texto, os clubes poderão parcelar suas dívidas em 180 meses. É três vezes mais do que o prazo de 60 meses estabelecido na MP assinada por Lula.
No intervalo entre a regulamentação da lei e o início dos sorteios da Timemania, poderão pagar só R$ 20 mil por mês por seus débitos antigos – R$ 5 mil para cada órgão credor.
Dirigentes de clubes comemoraram o texto final. Disseram que suas principais reivindicações foram atendidas. E que as medidas que não os interessavam foram retiradas.
Para isso, consideraram essencial a participação do ex-ministro Agnelo de Queiroz, de que foram aliados. “Acredito em uma adesão em massa. É uma oportunidade de os clubes se realinharem no âmbito fiscal”, analisou o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff. “Foi ótimo”. Dirigentes dos clubes participarão até da regulamentação da lei, em comissão que terá representantes do São Paulo e do Flamengo. Os cartolas também ajudaram a elaborar do projeto.
Mas o PFL e o PSDB tentaram incluir uma medida para obrigar os clubes a virarem empresas para poderem aderir. “A influência dos clubes sobre o ministro Agnelo foi decisiva para barrar a medida”, acusou o deputado federal Rodrigo Maia, líder do PFL na Câmara. “Perdemos no voto, paciência”.
Com o modelo aprovado, o Clube dos 13 vai recomendar a seus filiados a adesão à loteria. “Até para o Palmeiras, que tem poucas dívidas, é interessante”, explicou o assessor da presidência palmeirense Antônio Carlos Corccione. “Mas muito clube vai fazer água até a loteria chegar.”
O vice-financeiro do Corinthians, Emerson Piovezan, disse que usará a loteria para quitar débitos recentes. “Somos favoráveis a essa ajuda”. Dirigentes são-paulinos mostram-se mais cautelosos. Aprovam o texto final, mas ainda vão estudar as adesões. “Preciso saber quais serão as condições, os pré-requisitos”, disse o diretor de Planejamento, Marcelo Portugal Gouvêa.