Os jogadores do Náutico não admitem, mas para a diretoria, foram eles que causaram o pedido de demissão do técnico Edson Gaúcho. Ontem à tarde, a direção alvirrubra teve uma conversa com todos os jogadores e chamou quatro para reuniões isoladas: Marco Aurélio, Adriano, Marcos Lucas e Hernani. Eles foram tidos como principais articuladores da fritura do técnico.
Os atletas negam. Adriano disse que não fez nada para ser responsável pela saída de Gaúcho. “É melhor deixar esta conversa para trás e pensarmos que temos que inverter este quadro”, afirmou, referindo-se à situação do time no Brasileiro da Série B.
Para o lateral Marco Aurélio, é muito difícil alguém fazer corpo-mole, apenas para derrubar o técnico. “Todos entram em campo para vencer, mesmo em amistosos”, justificou. Depois de saber das palavras de Edson Gaúcho, que criticou a postura da equipe na derrota de sábado para o Botafogo/PB, por 1×0, o lateral afirmou, entre risos. “Vontade não faltou. Eu mesmo corri muito.”
Mas não é bem assim que pensa a direção timbu. Mesmo ciente de que o clima entre treinador e jogadores era dos piores, os dirigentes condenaram a postura que acham que o grupo teve. “Há algum tempo vinha notando isso. Mas não admitimos a forma como ocorreu, em dois amistosos”, disse o diretor de futebol, Maurício Cardoso. “Há 40 anos o Náutico não perdia para o Centro Limoeirense e a última partida contra o Botafogo da Paraíba tinha sido 8×0 para nós”, acrescentou. Interrogado se os jogadores haviam dito que iriam provocar a saída do treinador, Cardoso disparou: “E precisava? Quem viu o jogo percebeu.”
Além de membros do colegiado, o próprio presidente interino do clube, Gustavo Krause, participou da reunião. E aproveitou para cobrar dos atletas. “Se não se classificar, o problema vai ser de todos”, alertou, referindo-se à possibilidade de o Náutico ficar mais de três meses sem jogar.