O timbu Adriano não gostou de ser chamado de vagabundo por Edson Gaúcho
Parecia a nova edição do filme Rambo. Assim que acabou o treino de ontem do Náutico, o meia Adriano acionou uma metralhadora na boca e disparou diversas críticas a Edson Gaúcho. O jogador ficou transtornado com as declarações do ex-treinador (às insinuações de que o elenco teria alguns jogadores vagabundos) e o acusou de ser uma pessoa desequilibrada.
“Vocês conhecem o jeito dele de trabalhar. Ele vive gritando com os jogadores e isso é uma coisa difícil para nós, que somos profissionais. Era uma forma de humilhar a gente. Nós aceitávamos só porque ele era o treinador. Ele é um desequilibrado”, disparou o jogador, que agora é o capitão do time.
Adriano aproveitou para desmentir o boato de que o elenco fez “corpo mole” para afastar o técnico do clube. “Nós não derrubamos ele, ele foi que se derrubou sozinho, com essa maneira de trabalhar. Ele disse que se a gente se classificasse estaria comprovado que o problema era dele, não foi? Nós vamos nos classificar, mas não vai ser para provar para ele, porque não precisamos disso. Precisamos provar para nós mesmos que somos capazes”, ressaltou.
Antes de Adriano fazer essas críticas, Edson Gaúcho já tinha sido “amável” com o jogador. O ex-técnico do Náutico não gostou ao saber que Adriano disse (anteontem) que o time estava sem esquema tático e, procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco, chamou o jogador de vagabundo. “Qual o esquema tático que Adriano gosta? Ficar parado? O fato dele ter dito isso nas minhas costas é mais uma prova de que Adriano é um vagabundo e que não vale nada”, alfinetou.
Mas as críticas não ficaram restritas a Adriano. Segundo Edson Gaúcho, a maioria do grupo não está acostumada com disciplina. “O problema é que os jogadores do Náutico estavam acostumados com um tipo de trabalho em que eles mandam, e eu não admito isso, porque não trabalho com vagabundo. Eles não gostam de disciplina e sim de beber e de ir para pagode”, destacou.
Sem entrar em polêmica, o atacante Jorge Henrique, um dos que foi obrigado a tirar o brinco em nome da disciplina, falou sobre a satisfação em poder usá-lo novamente. “Eu tinha deixado de usar, mas não joguei o brinco fora. Até porque isso não tem nada a ver com a qualidade do jogador. Quanto ao nosso desempenho, nós corremos, mas dentro de campo, a gente não estava rendendo o que pode. Mas acho que Edson gaúcho exagerou ao dizer que éramos vagabundos”, opinou.
O primeiro treino do Náutico sob o comando de Leivinha, aliás, foi movido a muita alegria. A animação, as brincadeiras e a descontração eram dignas de quem brinca um carnaval fora de época. “O elenco do Náutico recuperou a alegria de jogar”, disse Jorge Henrique. Pelo menos no discurso, os jogadores estão afinados. “O clima aqui era muito pesado, mas agora você sente que os jogadores estão até com mais vontade de jogar”, finalizou Adriano.