Nem bem começou o Campeonato Pernambucano de Remo – até agora foi disputada apenas uma etapa – e a briga entre os dirigentes dos dois clubes que participam da disputa, Náutico e Sport, já é grande. Tudo por causa da transferência do remador Marquinhos para o clube rubro-negro no início de agosto. Ele compete na categoria duble skiff e possui em seu currículo vários títulos nacionais, regionais e estaduais.
A confusão foi causada porque o Náutico havia solicitado no último mês de maio a liberação do atleta sem ônus ao Flamengo (RJ), clube que detinha o contrato do remador. O clube carioca concordou em liberar Marquinhos para o Alvirrubro, mas depois o Sport entrou com uma solicitação junto à Federação Pernambucana de Remo (FPR) para que o atleta viesse defender as cores do Leão. A FPR enviou a solicitação à Confederação Brasileira de Remo (CBR), que concordou em liberar o remador para o Sport.
Segundo o Presidente da FPR, Eunnes Arruda, o Náutico não pode reclamar da transferência, pois a negociação com o clube carioca não foi realizada de forma correta. “Para que um atleta seja transferido, é preciso que haja um pedido às federações dos dois Estados e para a CBR. Só então o clube ao qual o atleta está vinculado pode liberá-lo. O acordo com o Náutico foi direto com o Flamengo, sem passar por esse processo. Já o Sport fez o caminho correto”, explica.
A principal reclamação da diretoria alvirrubra é o fato de que a FPR não mostrou nenhum documento enviado pela CBR, comprovando a liberação do remador para o Leão.
“Não estou duvidando da integridade da Federação Pernambucana, mas até agora não me apresentaram nenhum documento oficial. A única reclamação do Náutico é que nos mostrem a liberação do atleta”, reclama Luís Antônio Melo, o Lula, diretor de Remo do Alvirrubro, que ameaça. “Se até a próxima prova do Pernambucano não nos apresentarem os papéis, vamos entrar com um recurso na Justiça pedindo a anulação da regata”.
O Presidente da FPR defende-se. “Mostrei o documento a Valdomiro Sampaio (treinador do Náutico). Quem disse que não viu está mentindo”, esbravejou Eunnes Arruda. O técnico alvirrubro confirma a versão de Arruda. “Vi o documento. O atleta está totalmente apto para atuar pelo Sport”, reforça Valdomiro. No entanto, Eunnes negou o pedido da reportagem do JC para que a cópia do documento fosse encaminhada à Redação.
Pelo lado do Sport, o clima é tranqüilo. Para o diretor rubro-negro Aloysio Monteiro, o clube não teme uma reviravolta no caso. “Fizemos tudo conforme a lei. Marquinhos é atleta do Sport e já está apto legalmente para participar do Pernambucano. O Náutico não tem do que reclamar. Eles compraram um terreno com cheque sem fundo”, provoca Monteiro.
E Marquinhos o que acha de toda essa confusão? Aparentemente, o remador se mostrou feliz com o desfecho da ‘novela’. “Antes de ir para o Flamengo, remei toda a minha vida no Sport. Estou num clube que me dá as condições para que alcance meus objetivos. O Náutico não me daria essas condições. Eles querem vencer o campeonato fora d’água”, cutuca.
Em tempo: no treino realizado na última sexta-feira, os barcos dos dois clubes se chocaram, o que resultou em dois atletas machucados pelo lado rubro-negro, um deles, Marquinhos, que com isso fica fora da próxima etapa do Estadual, no próximo domingo.